42 aluviões na Madeira entre 1601 e 2013 obrigam a “repensar o território”

“As aluviões estão para a ilha da Madeira como a atividade sísmica e vulcânica está para a Região Autónoma dos Açores”, afirmou esta tarde o geólogo João Baptista ao JM e à TSF momentos antes de uma conferência organizada pela CDU sobre o ‘20...

42 aluviões na Madeira entre 1601 e 2013 obrigam a “repensar o território”
“As aluviões estão para a ilha da Madeira como a atividade sísmica e vulcânica está para a Região Autónoma dos Açores”, afirmou esta tarde o geólogo João Baptista ao JM e à TSF momentos antes de uma conferência organizada pela CDU sobre o ‘20 de Fevereiro’. O também professor universitário e investigador apontou que “as aluviões não podem ser vistas separadamente dos escorregamentos, dos movimentos de massa, dos galgamentos. Tudo está relacionado e a experiência de 600 anos deste território tem-nos ensinado que após os grandes incêndios, nós temos grandes aluviões”, realçou. “Ensinamentos do passado que não podemos esquecer”, destacou, já que, conforme lembrou, “entre 1601 e 2013 nós tivemos 42 grandes aluviões na ilha da Madeira”. Outro flagelo foram os fogos, recordou, e “entre 2010 e 2016 tivemos sete grandes incêndios, que entre a área ardida e reardida, correspondem a 25 mil campos de futebol”, em situações que acabaram “por introduzir uma grande vulnerabilidade na nossa natureza, nas nossas formações geológicas”. Por esses motivos, o orador da palestra, que está integrada num ciclo de conferências “sobre o muito que falta fazer, 10 anos depois da catástrofe provocada pela aluvião de 20 de Fevereiro de 2010”, defende que há que “repensar o território e ter uma mudança de mentalidade”. “Se nós conseguíssemos preservar o nosso território, os nossos poios, os nossos socalcos, as nossas levadas nesta mudança dos 600 anos, já estávamos a fazer um grande bem à natureza, porque íamos combater muitos dos deslizamentos terrenos, muito do extravasamento de águas e muitas das pragas que existem nestes terrenos”, sustentou. Por outro lado, João Baptista indicou que, de igual forma, “a plantação das árvores tem um papel muito importante no combate à desertificação dos solos e também à proteção contra os riscos de aluvião”. Porém, o geólogo destacou também os inúmeros aspetos positivos a nível de medidas que foram tomadas nesta última década, “como os Planos Diretores Municipais que foram feitos e os Planos Municipais de Emergência de Proteção Civil em todos os 11 municípios da Região Autónoma da Madeira, que são documentos extremamente importantes no ordenamento e no planeamento do território”. “O radar meteorológico que faz agora um ano que foi inaugurado no Pico do Espigão do Porto Santo, o ‘Clima Madeira’, um documento também muito importante que define a estratégia para combater as alterações climáticas que aí vêm e várias campanhas de sensibilização, com a mensagem central ‘Uma floresta segura depende de todos nós’”, foram alguns dos exemplos apontados.