As cinco emergências globais anteriores à do coronavírus

O surto do novo coronavírus detetado na China, que causa pneumonias, é o sexto caso considerado como emergência de saúde pública internacional pela Organização Mundial da Saúde. Uma emergência de saúde pública internacional leva à adoção de...

As cinco emergências globais anteriores à do coronavírus
O surto do novo coronavírus detetado na China, que causa pneumonias, é o sexto caso considerado como emergência de saúde pública internacional pela Organização Mundial da Saúde. Uma emergência de saúde pública internacional leva à adoção de medidas de prevenção e contenção coordenadas à escala mundial. Para decretar esta situação internacionalmente, a OMS pondera os seguintes critérios: ser uma situação extraordinária, de risco de rápida expansão para outros países e que necessite de resposta internacional coordenada. Eis os anteriores cinco casos em que a OMS decretou emergência de saúde pública internacional: Ébola na República Democrática do Congo Em julho de 2019, a OMS decidiu declarar o estado de emergência internacional devido à evolução da epidemia de ébola na República Democrática do Congo. Na altura, a avaliação indicava que o risco de a epidemia continuar a espalhar-se no país permanecia "muito alto", mas o risco de se expandir para fora dessa região era baixo. Só na quarta reunião do comité de emergência da OMS é que foi decidido declarar emergência internacional, quando o surto de ébola estava ativo desde agosto de 2018. Quando foi decretada emergência internacional, o surto já tinha provocado quase 1700 mortos e registava a cada dia 12 novos casos de infeção. Vírus Zika Nos primeiros meses de 2016, foi o vírus Zika que levou a OMS a declarar emergência internacional. Cerca de 30 países relataram casos de bebés nascidos com malformações relacionados com o vírus Zika e só no Brasil foram mais de 2100 casos. O Zika é disseminado principalmente por picada de mosquito, mas o contágio também pode ocorrer através de relações sexuais. Para a maioria dos infetados, os sintomas são febre, urticárias e dores nas articulações. Ébola na África Ocidental A epidemia de ébola, detetada na África Ocidental em março de 2014, foi decretada caso de emergência internacional em agosto desse ano, quando já havia casos registados na Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa e Nigéria. Quando a OMS avançou para o estado de emergência de saúde pública internacional, o surto tinha já causado perto de mil mortos, em mais de 1700 casos de infeção. A epidemia na África Ocidental acabou por se arrastar entre 2014 e 2016, matando mais de 11 mil pessoas. Poliomielite O aumento de contágios de poliomielite com registo de casos em mais de dez países levou a OMS a decretar emergência sanitária mundial em maio de 2014. A decisão foi tomada depois de várias reuniões do Comité de Emergência da OMS, porque os peritos se manifestaram preocupados com contágios pelo poliovírus selvagem, numa altura em que doença tinha sido quase erradicada. A poliomielite é uma doença grave, mas evitável através da vacinação, sendo que assegurar as vacinas foi aliás na altura uma das recomendações principais da OMS nos países afetados. Em 2014, as autoridades de saúde constataram casos de contaminação internacional de três dos dez países onde existia poliomielite: na Ásia central (do Paquistão ao Afeganistão), no Médio Oriente (da Síria ao Iraque) e na África central (dos Camarões para a Guiné Equatorial). Gripe H1N1 Em junho de 2009, a OMS decidiu declarar estado de pandemia devido à gripe provocada pelo vírus H1N1, subindo o nível de alerta pandémico para o mais elevado, por risco substancial de transmissão. A nível mundial, a pandemia, que durou entre 2009 e 2010, terá causado cerca de 284 mil mortos, com uma média etária dos óbitos relativamente baixa, afetando muitas pessoas com menos de 65 anos. Portugal também foi afetado em 2009 e 2010 pela gripe H1N1, havendo registo de 124 mortes.