Assessor influente de Boris Johnson confirma intenção de abandonar cargo este ano

O principal assessor do primeiro-ministro britânico Boris Johnson confirmou hoje pretender abandonar o cargo no final do ano, na sequência de uma luta por influência no seio do governo, alimentada por tensões sobre o ‘Brexit' e a pandemia covid-19. Em resposta a especulações sobre o seu futuro, Dominic Cummings desmentiu “rumores” de que teria ameaçado demitir-se, mas admitiu à BBC que a "posição não mudou" desde uma entrada no ‘blogue’ pessoal datada de janeiro, quando escreveu que pretendia tornar-se "em grande parte redundante" até ao Natal.  Analistas políticos sugeriram que Cummings queria deixar o cargo depois que um de seus aliados mais próximos, o diretor de comunicações, Lee Cain, ver rejeitada uma promoção a chefe de gabinete de Johnson, optando por demitir-se na quarta-feira. As conspirações e intrigas de bastidores, que chegam a envolver Carrie Symonds, a namorada do primeiro-ministro, ocupam há vários dias as primeiras páginas da imprensa britânica, situação que o líder do principal partido da oposição, o trabalhista Keir Starmer, considerou “patética”.  “Estamos no meio de uma pandemia, todos estamos preocupados com nossa saúde e nossas famílias, estamos todos preocupados com nossos empregos e eles andam às turras atrás da porta do número 10 [residência do primeiro-ministro, Biris Johnson, em Downing Street]”, disse na rádio LBC.  Cummings é considerado o arquiteto da campanha que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia e o autor do slogan ‘Get Brexit Done’ que garantiu uma maioria absoluta nas eleições de dezembro.  Tornou-se depois o assessor com mais poder dentro do Executivo, decidindo muitas vezes quem tem acesso ao primeiro-ministro. Porém, ficou enfraquecido no início deste ano quando foi revelado que tinha conduzido centenas de quilómetros até ao norte de Inglaterra após contrair covid-19, violando as regras de confinamento nacional. O episódio intensificou críticas de figuras respeitadas do Partido Conservador de Boris Johnson, alegando que Cummings e outros assessores não eleitos do primeiro-ministro estavam na prática a mandar no governo, marginalizando ministros e o Parlamento do processo de decisão. Cummings é também suspeito de forçar uma série de demissões de assessores e altos funcionários ministeriais acusados de não defenderem a causa do ‘Brexit'. Bernard Jenkins, presidente de uma influente comissão parlamentar, disse que a saída de Cummings é uma oportunidade para Johnson "redefinir como o governo funciona". "Eu sugeriria que há três palavras que precisam se tornar palavras de ordem em Downing Street: respeito, integridade e confiança. E certamente na relação entre a máquina de Downing Street e o grupo parlamentar tem havido uma sensação muito forte de que isso tem faltado nos últimos meses, disse à BBC.

Assessor influente de Boris Johnson confirma intenção de abandonar cargo este ano
O principal assessor do primeiro-ministro britânico Boris Johnson confirmou hoje pretender abandonar o cargo no final do ano, na sequência de uma luta por influência no seio do governo, alimentada por tensões sobre o ‘Brexit' e a pandemia covid-19. Em resposta a especulações sobre o seu futuro, Dominic Cummings desmentiu “rumores” de que teria ameaçado demitir-se, mas admitiu à BBC que a "posição não mudou" desde uma entrada no ‘blogue’ pessoal datada de janeiro, quando escreveu que pretendia tornar-se "em grande parte redundante" até ao Natal.  Analistas políticos sugeriram que Cummings queria deixar o cargo depois que um de seus aliados mais próximos, o diretor de comunicações, Lee Cain, ver rejeitada uma promoção a chefe de gabinete de Johnson, optando por demitir-se na quarta-feira. As conspirações e intrigas de bastidores, que chegam a envolver Carrie Symonds, a namorada do primeiro-ministro, ocupam há vários dias as primeiras páginas da imprensa britânica, situação que o líder do principal partido da oposição, o trabalhista Keir Starmer, considerou “patética”.  “Estamos no meio de uma pandemia, todos estamos preocupados com nossa saúde e nossas famílias, estamos todos preocupados com nossos empregos e eles andam às turras atrás da porta do número 10 [residência do primeiro-ministro, Biris Johnson, em Downing Street]”, disse na rádio LBC.  Cummings é considerado o arquiteto da campanha que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia e o autor do slogan ‘Get Brexit Done’ que garantiu uma maioria absoluta nas eleições de dezembro.  Tornou-se depois o assessor com mais poder dentro do Executivo, decidindo muitas vezes quem tem acesso ao primeiro-ministro. Porém, ficou enfraquecido no início deste ano quando foi revelado que tinha conduzido centenas de quilómetros até ao norte de Inglaterra após contrair covid-19, violando as regras de confinamento nacional. O episódio intensificou críticas de figuras respeitadas do Partido Conservador de Boris Johnson, alegando que Cummings e outros assessores não eleitos do primeiro-ministro estavam na prática a mandar no governo, marginalizando ministros e o Parlamento do processo de decisão. Cummings é também suspeito de forçar uma série de demissões de assessores e altos funcionários ministeriais acusados de não defenderem a causa do ‘Brexit'. Bernard Jenkins, presidente de uma influente comissão parlamentar, disse que a saída de Cummings é uma oportunidade para Johnson "redefinir como o governo funciona". "Eu sugeriria que há três palavras que precisam se tornar palavras de ordem em Downing Street: respeito, integridade e confiança. E certamente na relação entre a máquina de Downing Street e o grupo parlamentar tem havido uma sensação muito forte de que isso tem faltado nos últimos meses, disse à BBC.