Comandante da PSP destaca "situações pontuais, mas preocupantes" que se verificaram no desconfinamento

Os complexos desafios da pandemia originada pela covid-19, o trabalho realizado nestes últimos meses pelas forças de segurança junto da população e a confirmação de que houve, efetivamente, um aumento do consumo de estupefacientes, da mendicidade e da presença de cidadãos sem-abrigo nas ruas, foram os temas que dominaram o discurso do comandante regional da PSP que, esta manhã, presidiu à cerimónia comemorativa do 142º aniversário do Comando Regional da Madeira. Perante a presença do diretor nacional da PSP nesta cerimónia, o comandante regional comentou ainda algumas das "situações pontuais, mas preocupantes" que se verificaram no desconfinamento, destacando "o aumento da violência num ou noutro roubo praticado por indivíduos sob o efeito de substâncias psicotrópicas e com antecedentes criminais" e ainda o “ressurgimento de uma ou outra situação de agressão a agentes policiais". "Ainda não podemos falar de uma “tendência”, mas são atos isolados que causam vítimas inocentes, que colocam em causa a autoridade do Estado e que causam insegurança e suscitam alarme social e, por isso, nestes casos, tudo faremos para apresentar os seus autores à justiça, para que sejam tomadas as medidas de coação adequadas e para que sejam responsabilizados e punidos pelos seus atos", deixou a garantia. Luís Simões disse também que, apesar de a pandemia ainda não ter acabado, as "sociedades estão a retomar, aos poucos, as suas atividades e o trabalho policial está agora ainda mais complexo pois tem de conciliar a manutenção da tranquilidade e da segurança pública, a prevenção e repressão da criminalidade, a prevenção da sinistralidade rodoviária, o licenciamento e fiscalização de armas e explosivos e muitas outras vertentes da atividade policial, com a fiscalização das inúmeras normas, algumas específicas de certas atividades, de prevenção da transmissão da covid-19". Embora o trabalho tenha voltado ao 'normal', o comandante ressalvou que este "normal tem sido muito, até porque alguns fenómenos criminais, associados a problemas sociais ou de saúde pública, têm ganho maior visibilidade e são, por vezes, empolados por diferentes interesses económicos ou políticos". Como o momento foi também para balanços, Luís Simões referiu que a atividade operacional em 2019 "continuou intensa", aproveitando a cerimónia para destacar alguns números: "Em termos de criminalidade denunciada registou-se, em 2019, um aumento de 2,9% na criminalidade geral, quase todos induzidos por furtos de e em veículos e em estabelecimentos e áreas anexas a residências. A criminalidade violenta e grave registou um aumento de apenas dois crimes em relação a 2018 e, neste âmbito, apenas o roubo a pessoas na via pública apresentou um aumento mais relevante. Estes números estão a ser contrariados nos primeiros sete meses de 2020 com reduções significativas da criminal geral (menos 12%) e na criminalidade violenta e grave (menos 27%)", revelou. Consciente de que "o confinamento e a redução da circulação de pessoas do primeiro semestre muito contribuíram para esta redução da criminalidade denunciada", o responsável adiantou que se assistiu, por outro lado, "em especial nos centros das cidades do Funchal e de Câmara de Lobos, a um aumento da visibilidade de situações de consumo de estupefacientes, de mendicidade e de permanência na via pública de cidadãos sem-abrigo, que têm afetado o sentimento de segurança das populações".   A nível interno, o comandante revelou também que tem sido dado prioridade à formação "no âmbito das técnicas de intervenção policial, nos procedimentos de segurança e de autoproteção dos polícias e na utilização correta dos meios coercivos, em especial de armas e meios de baixa potencialidade letal, que se encontram já distribuídas, para que os nossos profissionais estejam melhor preparados e equipados para enfrentar situações de maior violência ou perigosidade". Lembrou igualmente que foi reforçada a formação na área da fiscalização rodoviária e adquiridos, com o apoio do Governo Regional, equipamentos técnicos de fiscalização "tecnologicamente evoluídos". "Nos próximos meses, vamos dinamizar a vertente de fiscalização pois os números da sinistralidade rodoviária de 2019 e nos últimos 3 meses (junho a agosto), bem como o número de vítimas, são preocupantes e justificam o intensificar da nossa ação e a reflexão da sociedade madeirense", sustentou. Foi nesse sentido que, anunciou, "foram adquiridos e distribuídos, já em 2020, dez motociclos, três carros patrulha (um elétrico), um veículo descaracterizado para investigação criminal, uma viatura todo-o-terreno e equipamento coletivo e individual para a Brigada de Busca, Salvamento, Socorro e Resgate em Montanha, sistemas de iluminação de emergência, radar portátil a laser e sonómetros". "Ainda este ano esperamos a entrega de mais dez carros-patrulha, em fase final de aquisição pelo Governo Regional da Madeira, de novos emissores-recetores rádio a distribuir pela Direção Nacional, da nova ce

Comandante da PSP destaca "situações pontuais, mas preocupantes" que se verificaram no desconfinamento
Os complexos desafios da pandemia originada pela covid-19, o trabalho realizado nestes últimos meses pelas forças de segurança junto da população e a confirmação de que houve, efetivamente, um aumento do consumo de estupefacientes, da mendicidade e da presença de cidadãos sem-abrigo nas ruas, foram os temas que dominaram o discurso do comandante regional da PSP que, esta manhã, presidiu à cerimónia comemorativa do 142º aniversário do Comando Regional da Madeira. Perante a presença do diretor nacional da PSP nesta cerimónia, o comandante regional comentou ainda algumas das "situações pontuais, mas preocupantes" que se verificaram no desconfinamento, destacando "o aumento da violência num ou noutro roubo praticado por indivíduos sob o efeito de substâncias psicotrópicas e com antecedentes criminais" e ainda o “ressurgimento de uma ou outra situação de agressão a agentes policiais". "Ainda não podemos falar de uma “tendência”, mas são atos isolados que causam vítimas inocentes, que colocam em causa a autoridade do Estado e que causam insegurança e suscitam alarme social e, por isso, nestes casos, tudo faremos para apresentar os seus autores à justiça, para que sejam tomadas as medidas de coação adequadas e para que sejam responsabilizados e punidos pelos seus atos", deixou a garantia. Luís Simões disse também que, apesar de a pandemia ainda não ter acabado, as "sociedades estão a retomar, aos poucos, as suas atividades e o trabalho policial está agora ainda mais complexo pois tem de conciliar a manutenção da tranquilidade e da segurança pública, a prevenção e repressão da criminalidade, a prevenção da sinistralidade rodoviária, o licenciamento e fiscalização de armas e explosivos e muitas outras vertentes da atividade policial, com a fiscalização das inúmeras normas, algumas específicas de certas atividades, de prevenção da transmissão da covid-19". Embora o trabalho tenha voltado ao 'normal', o comandante ressalvou que este "normal tem sido muito, até porque alguns fenómenos criminais, associados a problemas sociais ou de saúde pública, têm ganho maior visibilidade e são, por vezes, empolados por diferentes interesses económicos ou políticos". Como o momento foi também para balanços, Luís Simões referiu que a atividade operacional em 2019 "continuou intensa", aproveitando a cerimónia para destacar alguns números: "Em termos de criminalidade denunciada registou-se, em 2019, um aumento de 2,9% na criminalidade geral, quase todos induzidos por furtos de e em veículos e em estabelecimentos e áreas anexas a residências. A criminalidade violenta e grave registou um aumento de apenas dois crimes em relação a 2018 e, neste âmbito, apenas o roubo a pessoas na via pública apresentou um aumento mais relevante. Estes números estão a ser contrariados nos primeiros sete meses de 2020 com reduções significativas da criminal geral (menos 12%) e na criminalidade violenta e grave (menos 27%)", revelou. Consciente de que "o confinamento e a redução da circulação de pessoas do primeiro semestre muito contribuíram para esta redução da criminalidade denunciada", o responsável adiantou que se assistiu, por outro lado, "em especial nos centros das cidades do Funchal e de Câmara de Lobos, a um aumento da visibilidade de situações de consumo de estupefacientes, de mendicidade e de permanência na via pública de cidadãos sem-abrigo, que têm afetado o sentimento de segurança das populações".   A nível interno, o comandante revelou também que tem sido dado prioridade à formação "no âmbito das técnicas de intervenção policial, nos procedimentos de segurança e de autoproteção dos polícias e na utilização correta dos meios coercivos, em especial de armas e meios de baixa potencialidade letal, que se encontram já distribuídas, para que os nossos profissionais estejam melhor preparados e equipados para enfrentar situações de maior violência ou perigosidade". Lembrou igualmente que foi reforçada a formação na área da fiscalização rodoviária e adquiridos, com o apoio do Governo Regional, equipamentos técnicos de fiscalização "tecnologicamente evoluídos". "Nos próximos meses, vamos dinamizar a vertente de fiscalização pois os números da sinistralidade rodoviária de 2019 e nos últimos 3 meses (junho a agosto), bem como o número de vítimas, são preocupantes e justificam o intensificar da nossa ação e a reflexão da sociedade madeirense", sustentou. Foi nesse sentido que, anunciou, "foram adquiridos e distribuídos, já em 2020, dez motociclos, três carros patrulha (um elétrico), um veículo descaracterizado para investigação criminal, uma viatura todo-o-terreno e equipamento coletivo e individual para a Brigada de Busca, Salvamento, Socorro e Resgate em Montanha, sistemas de iluminação de emergência, radar portátil a laser e sonómetros". "Ainda este ano esperamos a entrega de mais dez carros-patrulha, em fase final de aquisição pelo Governo Regional da Madeira, de novos emissores-recetores rádio a distribuir pela Direção Nacional, da nova central telefónica VOIP e de obras que visam aumentar o número de canis no edifício da Penteada", acrescentou. No que concerne à linha de emergência 112, Luís Simões aproveitou o momento para congratular-se pelo 'upgrade' tecnológico da central 112. "Uma aspiração deste Comando, uma necessidade urgente, efetuado no fim de semana passado, permitindo que na Região Autónoma da Madeira, à semelhança do que existe nas Centrais 112 do continente, passe a ter a georreferenciação das chamadas para o 112, a gravação dessas mesmas chamadas, e que passe a estar interligada, em complemento e em redundância, com o Centro Operacional 112 do Sul", afirmou, sublinhando que, tal melhoria tecnológica "permitirá garantir um melhor serviço de atendimento de emergência aos cidadãos madeirenses e portosantenses, e, a curto prazo, uma ainda melhor interligação tecnológica com o Serviço Regional de Proteção Civil". Ao nível das infraestruturas, o comandante regional destacou as novas instalações da divisão e esquadras de Machico, da esquadra de Santa Cruz, da esquadra de Porto Santo e da esquadra de Ponta do Sol e da beneficiação das instalações das esquadras da Ribeira Brava e de Porto Moniz. Relativamente às instalações da PSP no concelho da Calheta, Luís Simões focou "a necessidade urgente de se encontrar uma solução, provisória ou definitiva" para as mesmas.   Entrega de condecorações e louvores    Nesta cerimónia foram também entregues condecorações e feitos louvores a alguns agentes e funcionários deste comando regional. "São públicos reconhecimentos dos nossos superiores hierárquicos da nossa atitude proactiva e empenhada, do nosso trabalho quotidiano, do nosso comportamento, da nossa disciplina, da nossa assiduidade, do nosso mérito e dos importantes serviços que temos prestado à nossa instituição e à sociedade", como fez questão de dizer Luís Simões.