Coronavírus deixa um quarto da população de Itália de quarentena

O Governo italiano decidiu pôr de quarentena mais de um quarto da população do país, numa tentativa de evitar a expansão do novo coronavírus (Covid-19), informa a Renascença. O decreto foi assinado pelo primeiro-ministro, Giuseppe Conte, às...

Coronavírus deixa um quarto da população de Itália de quarentena
O Governo italiano decidiu pôr de quarentena mais de um quarto da população do país, numa tentativa de evitar a expansão do novo coronavírus (Covid-19), informa a Renascença. O decreto foi assinado pelo primeiro-ministro, Giuseppe Conte, às primeiras horas da manhã deste domingo, depois de 1.200 casos de infeção terem sido confirmados em 24 horas. A medida surge no sentido de limitar a propagação do Covid-19 que já causou 233 mortes e 5.061 infetados em todo o país. É assim colocada em quarentena toda a região da Lombardia, onde vivem mais de 10 milhões de pessoas e onde fica a capital financeira do país, Milão, bem como uma série de outras províncias, abarcando cerca de 16 milhões de residentes. Giuseppe Conte apareceu às 02:30 horas diante dos jornalistas para explicar que o decreto é difícil, mas necessário para “conter a propagação do contágio”. “Ao mesmo tempo, devemos reagir para não sobrecarregar os hospitais", frisou o primeiro-ministro italiano. “Não podemos mais permitir que as pessoas sejam infetadas”, sublinhou confirmando que para além da Lombardia, cuja capital é Milão, as outras províncias que se tornaram "zona vermelha" são Modena, Parma, Placência, Reggio Emilia, Rimini, Pesaro, Urbino, Veneza, Pádua, Verbano Cus- Osola, Treviso, Vercelli, Novara, Asti e Alexandria. O número de províncias que ficam em isolamento é maior do que aquele que tinha sido adiantado pela comunicação social que tinha tido acesso ao decreto inicial. A medida de quarentena, imposta até 03 de abril, similar à que foi tomada em janeiro na província chinesa em Hubei, pode afetar cerca de 16 milhões de pessoas. O decreto assinado hoje também estabelece o encerramento de todos os ginásios, piscinas e centros termais nas áreas mencionadas, além de museus, centros culturais e estações de esqui, enquanto os centros comerciais devem ser fechados aos fins de semana e o encerramento de escolas é estendido até 03 de abril. São também suspensos os eventos culturais, recreativos, desportivos e religiosos, tanto em locais públicos como privados, ficando assim cancelados casamentos e funerais civis ou religiosos. Os restaurantes e bares mantêm-se abertos, mas com a obrigação de manterem a distância de um metro entre os clientes. O decreto também estabelece a suspensão nessas áreas de todos os eventos desportivos, exceto aqueles com atletas profissionais que serão disputados à porta fechada. A divulgação do projeto de decreto, por parte da imprensa, levou milhares de pessoas às estações de comboio para deixar a Lombardia. "Essas medidas causarão situações problemáticas, mas este é o momento de responsabilidade e não de preparação. Devemos proteger a nossa saúde, especialmente a dos nossos avós", afirmou. “Assumimos total responsabilidade política por esta decisão. Estamos convencidos de que essa emergência será superada”, garantiu Giuseppe Conte. Em Itália, registou-se um total de 233 mortes, enquanto as pessoas infetadas subiram de 1.145 para 5.061, de acordo com os dados mais recentes fornecidos pelo chefe da Proteção Civil, Angelo Borrelli. Perante o crescimento exponencial de casos, as autoridades da Lombardia tinham solicitado ao Governo para reforçar as medidas com o objetivo de minimizar o surto. O surto de Covid-19, detetado em dezembro na China, já provocou mais de 3.500 mortos entre mais de 101 mil pessoas infetadas em pelo menos 94 países. Com base no número mundial de infetados, a taxa de letalidade é de 3,4%, sendo que até ao momento a maioria já recuperou.