Covid-19: Sindicato denuncia 22 detenções e aumento da censura na Venezuela

O Sindicato dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) denunciou hoje que, desde o início da quarentena, em 16 de março, ocorreram 22 detenções arbitrárias de jornalistas e 57 ações contra a liberdade de expressão, que afetaram 150 trabalhadores da imprensa. “As já complexas condições de trabalho, perante a constante censura, perseguição e atemorização, complicaram-se com a cobertura durante a pandemia e fez, até ao momento, 150 vítimas de intimidação, detenções, ameaças, desclassificações públicas e o desconhecimento da ‘inamobilidade laboral’ (proibição de despedimentos)”, explicou. Os dados do sindicato fazem parte do relatório “Pandemia da Desinformação”, que revela que as detenções arbitrárias ocorreram em vários Estados do país, mas principalmente no distrito Capital (seis), em Mérida (seis) e em Miranda (quatro). “Seis meios de comunicação social foram encerrados por medidas arbitrárias e aos jornais falta-lhes papel e gasolina para transportar os diários”, explicou o SNTP. Segundo o sindicato, quando “a escassez de combustível não tem sido uma razão para a desmobilização, as forças policiais e os militares têm limitado o livre trânsito” dos jornalistas, “impondo mecanismos discriminadores” que privilegiam as linhas editoriais de tendência governamental. “Não se permite que os jornalistas passem pelas operações ‘stop’ e, em alguns Estados, exigem um salvo-conduto assinado pelo chefe da Zona de Defesa Integral respetiva, que, na maioria dos casos, apenas entrega aos afetos (ao regime)”, precisou. Segundo o SNTP, na Venezuela, além das dificuldades e riscos sanitários, a pandemia da covid-19 tem significado uma maior debilidade da liberdade de expressão e a quase extinção das garantias do direito à informação. “Publicar informação distinta ou complementar à dos meios do Estado tem valido a detenção de uma vintena de jornalistas e até mesmo de porta-vozes ou fontes especializadas”, lê-se no relatório. Na Venezuela não há fontes especializadas porque optam “por ser cautelosas perante as ameaças de perseguição judicial ou privação ilegal e arbitrária da liberdade”. Por outro lado, a escassez de gasolina “tem vaziado as ruas de jornalistas que possam revelar em que estado se encontra o sistema público de saúde e os hospitais que atendem pacientes com a covid-19”. Os jornalistas mantém assim também impedidos de ver como estão os mercados municipais, as estações de serviço, os pontos de controlo, as passagens fronteiriças e os locais reservados à quarentena de doentes, acrescentam. A Venezuela tem 357 casos confirmados de covid-19, 10 mortes associadas à doença e, pelo menos, 148 pessoas recuperadas. O país está desde 13 de março em estado de alerta, o que permite ao executivo decretar “decisões drásticas” para combater a pandemia. O estado de alerta foi decretado por 30 dias e prolongado por igual período. Os voos nacionais e internacionais estão limitados. Desde 16 de março que os venezuelanos estão em quarentena e impedidos de circular livremente entre os vários estados do país. A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 245 mil mortos e infetou mais de 3,4 milhões de pessoas em 195 países e territórios. Mais de um milhão de doentes foram considerados curados. A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Covid-19: Sindicato denuncia 22 detenções e aumento da censura na Venezuela
O Sindicato dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) denunciou hoje que, desde o início da quarentena, em 16 de março, ocorreram 22 detenções arbitrárias de jornalistas e 57 ações contra a liberdade de expressão, que afetaram 150 trabalhadores da imprensa. “As já complexas condições de trabalho, perante a constante censura, perseguição e atemorização, complicaram-se com a cobertura durante a pandemia e fez, até ao momento, 150 vítimas de intimidação, detenções, ameaças, desclassificações públicas e o desconhecimento da ‘inamobilidade laboral’ (proibição de despedimentos)”, explicou. Os dados do sindicato fazem parte do relatório “Pandemia da Desinformação”, que revela que as detenções arbitrárias ocorreram em vários Estados do país, mas principalmente no distrito Capital (seis), em Mérida (seis) e em Miranda (quatro). “Seis meios de comunicação social foram encerrados por medidas arbitrárias e aos jornais falta-lhes papel e gasolina para transportar os diários”, explicou o SNTP. Segundo o sindicato, quando “a escassez de combustível não tem sido uma razão para a desmobilização, as forças policiais e os militares têm limitado o livre trânsito” dos jornalistas, “impondo mecanismos discriminadores” que privilegiam as linhas editoriais de tendência governamental. “Não se permite que os jornalistas passem pelas operações ‘stop’ e, em alguns Estados, exigem um salvo-conduto assinado pelo chefe da Zona de Defesa Integral respetiva, que, na maioria dos casos, apenas entrega aos afetos (ao regime)”, precisou. Segundo o SNTP, na Venezuela, além das dificuldades e riscos sanitários, a pandemia da covid-19 tem significado uma maior debilidade da liberdade de expressão e a quase extinção das garantias do direito à informação. “Publicar informação distinta ou complementar à dos meios do Estado tem valido a detenção de uma vintena de jornalistas e até mesmo de porta-vozes ou fontes especializadas”, lê-se no relatório. Na Venezuela não há fontes especializadas porque optam “por ser cautelosas perante as ameaças de perseguição judicial ou privação ilegal e arbitrária da liberdade”. Por outro lado, a escassez de gasolina “tem vaziado as ruas de jornalistas que possam revelar em que estado se encontra o sistema público de saúde e os hospitais que atendem pacientes com a covid-19”. Os jornalistas mantém assim também impedidos de ver como estão os mercados municipais, as estações de serviço, os pontos de controlo, as passagens fronteiriças e os locais reservados à quarentena de doentes, acrescentam. A Venezuela tem 357 casos confirmados de covid-19, 10 mortes associadas à doença e, pelo menos, 148 pessoas recuperadas. O país está desde 13 de março em estado de alerta, o que permite ao executivo decretar “decisões drásticas” para combater a pandemia. O estado de alerta foi decretado por 30 dias e prolongado por igual período. Os voos nacionais e internacionais estão limitados. Desde 16 de março que os venezuelanos estão em quarentena e impedidos de circular livremente entre os vários estados do país. A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 245 mil mortos e infetou mais de 3,4 milhões de pessoas em 195 países e territórios. Mais de um milhão de doentes foram considerados curados. A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.