Enfermeira escreve carta emotiva aos colegas de serviço do Hospital Dr. Nélio Mendonça

Clementina Santos é enfermeira do 7.º piso do Hospital Dr. Nélio Mendonça e escreveu no seu facebook uma carta emotiva dedicada aos colegas transferidos para o serviço do Covid-19. Quando viu muitos dos seus colegas serem transferidos para a área médica do Covid-19, a enfermeira revelou que "alguns deles deixaram as suas famílias por tempo indeterminado e estão na linha da frente a dar o peito às balas", acrescentando que a maioria dos profissionais de saúde assumiram esse risco por não terem filhos, poupando os colegas com menores e adolescentes. Leia a carta na íntegra: "Quando estivermos novamente juntos...! Não liguem à foto, está horrível porque nenhum de nós quis levantar o rabo da cadeira para tirar uma melhor. Esta é a minha equipa. Aquela com quem já trabalho à anos e que me acolheu de mãos e coração aberto. Rimos como hienas, somos barulhentos, as vezes um pouco dramáticos, e recebemos bem todos aqueles que chegam até nós. Nunca, nem nos muitos desvarios da minha imaginação fértil, pensei que fôssemos separados. Agora alguns deles deixaram as suas famílias por tempo indeterminado e estão na linha da frente a dar o peito às balas: “-É melhor ser eu a descer, como não tenho filhos” dizia-nos uma. Pois é, e já o disse muitas vezes, é nos momentos difíceis que o Amor se mostra. E com que força! O ar ficou pesado, os risos são poucos e ficamos germofóbicos ao mais alto nível. Tenho saudades que me escondam as coisas e culpem o meu alzheimer. Quando isto acabar podem chamar-me de quarentona antes do tempo, roubar-me as canetas, tesouras e sobretudo o juízo. Porque vos conto isto, perguntam se? Porque quero aquilo que tinha na minha equipa de volta. Quero-os sãos e salvos. Porque nós não somos heróis nem guerreiros com super poderes. Somos feitos da mesma matéria que vós, carne e osso; temos as nossas bagagens e sobretudo, também temos medo. Muito. Mas posso assegurar que somos campeões em humanidade, donos de um elevado sentido de responsabilidade, bem como de competências técnicas e éticas. Tenho a certeza que eles, lá em baixo, e nós, no Sétimo, faremos tudo o que pudermos e ainda o que estiver além das nossas forças para cuidar de si e dos seus. O que vos peço? Fiquem em casa. Porque está nas suas mãos o poder de ser um “quando” e não um “se” estivermos novamente juntos! Obrigada!❤️"

Enfermeira escreve carta emotiva aos colegas de serviço do Hospital Dr. Nélio Mendonça
Clementina Santos é enfermeira do 7.º piso do Hospital Dr. Nélio Mendonça e escreveu no seu facebook uma carta emotiva dedicada aos colegas transferidos para o serviço do Covid-19. Quando viu muitos dos seus colegas serem transferidos para a área médica do Covid-19, a enfermeira revelou que "alguns deles deixaram as suas famílias por tempo indeterminado e estão na linha da frente a dar o peito às balas", acrescentando que a maioria dos profissionais de saúde assumiram esse risco por não terem filhos, poupando os colegas com menores e adolescentes. Leia a carta na íntegra: "Quando estivermos novamente juntos...! Não liguem à foto, está horrível porque nenhum de nós quis levantar o rabo da cadeira para tirar uma melhor. Esta é a minha equipa. Aquela com quem já trabalho à anos e que me acolheu de mãos e coração aberto. Rimos como hienas, somos barulhentos, as vezes um pouco dramáticos, e recebemos bem todos aqueles que chegam até nós. Nunca, nem nos muitos desvarios da minha imaginação fértil, pensei que fôssemos separados. Agora alguns deles deixaram as suas famílias por tempo indeterminado e estão na linha da frente a dar o peito às balas: “-É melhor ser eu a descer, como não tenho filhos” dizia-nos uma. Pois é, e já o disse muitas vezes, é nos momentos difíceis que o Amor se mostra. E com que força! O ar ficou pesado, os risos são poucos e ficamos germofóbicos ao mais alto nível. Tenho saudades que me escondam as coisas e culpem o meu alzheimer. Quando isto acabar podem chamar-me de quarentona antes do tempo, roubar-me as canetas, tesouras e sobretudo o juízo. Porque vos conto isto, perguntam se? Porque quero aquilo que tinha na minha equipa de volta. Quero-os sãos e salvos. Porque nós não somos heróis nem guerreiros com super poderes. Somos feitos da mesma matéria que vós, carne e osso; temos as nossas bagagens e sobretudo, também temos medo. Muito. Mas posso assegurar que somos campeões em humanidade, donos de um elevado sentido de responsabilidade, bem como de competências técnicas e éticas. Tenho a certeza que eles, lá em baixo, e nós, no Sétimo, faremos tudo o que pudermos e ainda o que estiver além das nossas forças para cuidar de si e dos seus. O que vos peço? Fiquem em casa. Porque está nas suas mãos o poder de ser um “quando” e não um “se” estivermos novamente juntos! Obrigada!❤️"