Filomena Gonçalves acusa tutela da Saúde de engendrar votação que a afastou da Direção Clínica

Filomena Gonçalves decidiu relatar a sua versão dos acontecimentos que conduziram à sua exclusão da Direção Clínica do SESARAM, entendendo que foi afastada pela tutela, acusando-a de não cumprir o acordado no âmbito da coligação governamental....

Filomena Gonçalves acusa tutela da Saúde de engendrar votação que a afastou da Direção Clínica
Filomena Gonçalves decidiu relatar a sua versão dos acontecimentos que conduziram à sua exclusão da Direção Clínica do SESARAM, entendendo que foi afastada pela tutela, acusando-a de não cumprir o acordado no âmbito da coligação governamental. A médica relata o seguinte: “Depois de tudo o aconteceu em torno da minha nomeação, e sobretudo, porque estou muito serena, quero que na minha página conste a minha reflexão, para que os meus amigos fiquem com a noção exata do que aconteceu, a minha versão! Era uma vez uma coligação? Acreditando que uma mudança no SRS, seria possível e benéfica neste “novo” paradigma político, e depois de enorme ponderação, aceitei o cargo, que nunca tinha feito parte do meu imaginário, o de Directora Clínica do SESARAM. Mentalizei que ainda podia fazer algo útil por uma instituição que fora a minha “casa profissional ”durante 33 anos, 3 meses e 19 dias e da qual tinha saído, por uma questão de dignidade, a 20 de Fevereiro de 2016. E note-se, que quando saí não fui para ocupar qualquer outro cargo privado com contrato de trabalho garantido.  Voltar outra vez à minha antiga instituição, seria novamente por uma questão de dignidade: Dignidade para com o meu partido. Dignidade para com a coligação entretanto formada. Dignidade para com a equipa que tinha sido proposta. Dignidade para com o Mário Pereira, com quem durante 6 anos trabalhei e discuti sobre saúde. Dignidade para com os meus colegas que são obrigados a exercer Medicina, muitas vezes sem as condições adequadas. Dignidade para comigo própria. E assim começou a odisseia da minha reentrada para a função pública, desde o início apimentada por um grupo de pessoas, que sem qualquer razão que eu conheça , fizeram a mais obsoleta análise do meu regresso, adjectivando-me de oportunista, incompetente, desumana, e jocosamente referira, que o cargo para o qual estava indigitada seria um “prémio” por ter saído do Hospital, deixando transparecer que tinha feito uma escassa passagem pelo hospital e não uma carreira profissional de 33 anos, sujeita a todos os concursos possíveis na função pública, até ao último grau da carreira, o de Assistente Graduado Sénior . Estive sempre ciente que a minha contração não era desejada especialmente pela tutela da saúde, apesar de me terem sido dirigidas palavras de boas vindas no início do projecto. Senti que tudo estava a ser feito para bloquear o meu acesso à instituição, demonstrando assim uma total falta de respeito, pela coligação que tinha permitido viabilizar o governo do PSD. Com esta postura e com todos os atrasos que contornaram o meu ingresso, as células descontentes, ou receosas da minha gestão, porventura humanizadora, moralizadora e meritocrática, ganharam tempo para se organizarem e se tornarem consistentes de forma a poderem manter-se iguais a si próprias sem que nada pudesse ser feito para mover o débil véu que as protege. Tudo isto culminou com uma situação perfeitamente inédita , em que a tutela da saúde convocou os Directores de Serviço do SESARAM, os mesmo por ela nomeados e apoiados, o Conselho Médico, para votarem a alteração dos estatuto do SESARAM, exclusivamente na alínea, que fazia referência ao Director Clínico não ter de pertencer ao quadro do SESARAM. Efectivamente a tutela trabalhou de uma forma magnífica e célere junto das pessoas que nomeou, para reunir o voto de 30 dos 34 Diretores de Serviço contra a minha nomeação. Perante esta engendrada votação, fruto de uma coligação que não cumpre o acordado só me resta uma atitude, a fim de continuar a manter a minha dignidade: Explicar publicamente, pela primeira e talvez última vez,o que aconteceu e transmitir que, não abandonei um projecto.... fui impedida pela tutela de o cumprir! Agradeço do fundo do coração ás pessoas que fizeram este projecto aparecer e crescer, que me acompanharam neste trajecto e que são os meus verdadeiras amigos. Obrigada pelo tempo que me dispensaram.”