"Não tinha medo de ninguém". Carlos Dinis destaca força mental de Ronaldo

Há 20 anos, Cristiano Ronaldo estreou-se, e a marcar, nas seleções nacionais de futebol, então nos sub-15 orientados por Carlos Dinis, que destaca a força mental de um jogador que "não tinha medo de ninguém". Esse golo inaugural do atual jogador da Juventus numa seleção nacional ocorreu numa vitória por 2-1 de Portugal sobre a África do Sul, na II edição do Torneio Internacional Cidade de Torres Novas e Rio Maior para seleções sub-15, a 24 de fevereiro de 2001. Carlos Dinis, que era o selecionador dessa equipa e que chamou o adolescente Cristiano Ronaldo pela primeira vez a uma seleção portuguesa, recorda à agência Lusa essa tarde no Estádio Municipal de Torres Novas. "O Cristiano fez o segundo golo a acabar a primeira parte. Foi a primeira internacionalização e o primeiro golo do Cristiano nas seleções nacionais", lembra. O técnico, de 68 anos, frisou que ‘CR7' sempre saltou etapas no seu percurso e o mesmo se verificou nos sub-15. "A primeira triagem para aquele escalão era o Torneio Lopes da Silva, um torneio inter associações, mas o Cristiano não participou por razões de ordem médica, porque havia alguma desconfiança, até por parte do Sporting, de que poderia ter algum problema cardíaco e nem sequer chegou a ir à seleção de Lisboa", conta. Debelado o problema, o então promissor extremo ‘leonino', depois de observado também pelo próprio Carlos Dinis, "integrou claramente a primeira seleção nacional porque tinha condições para isso: achámos que não se justificava estar a perder tempo", recorda. Carlos Dinis faz o paralelismo do atual jogador, várias vezes considerado como o melhor do mundo, recordista de golos e internacionalizações na seleção ‘AA’, além dos muitos títulos coletivos, com o jovem de 15/16 anos. "Hoje, olhamos para o Cristiano e vemos um determinado jogador, mas, na altura, não podíamos perspetivar o que ia acontecer. Tinha qualidade e talento, e foi cada vez melhorando mais. Também era notório que tinha algumas coisas diferentes dos outros, especialmente no aspeto individual, de não ter medo de ninguém e de partir para cima. Era um bocado anárquico dentro do próprio jogo, muitas vezes não respeitava muito as questões de ordem tática, mas era um talento e, depois, tinha um potencial físico acima dos outros", diz. À exceção da condição física, Carlos Dinis junta - e salienta - a força mental de Cristiano Ronaldo, lembrando que "ele sempre teve esse espírito ganhador" que o diferenciou de uma geração que ficou quase toda pelo caminho. "A parte mental é decisiva porque o fulcro da questão num jogador está do pescoço para cima. Ser muito forte mentalmente é decisivo para uma boa carreira, e não só no futebol. Ele acreditava nas suas capacidades e arrastava os outros, porque sempre teve um espírito de liderança. Os outros reconheciam nele competência dentro do campo e seguiam-no quase cegamente também porque acreditavam que ele podia resolver a qualquer momento", diz. Cerca de dois anos depois desse jogo em Torres Novas, Cristiano Ronaldo estava a estrear-se na seleção principal, pela mão do brasileiro Luiz Felipe Scolari. "Ele subiu patamares de forma incrível e muito pouco comum. Era juvenil de segundo ano, com 17 anos, e já era titularíssimo nos juniores de segundo ano do Sporting e, no ano seguinte, já estava na equipa principal. Ele tem poucas internacionalizações nas seleções de formação, participou num torneio de Lisboa de sub-18, também comigo, depois foi a [torneio de] Toulon e, depois, seleção ‘AA’", lembra. Carlos Dinis destaca ainda a aliança entre "a paixão pelo jogo" e uma "grande ambição", de um Cristiano Ronaldo que, com 36 anos recentemente cumpridos, e apesar de já ter "perdido alguma velocidade", pode fazer "mais dois ou três anos ao mais alto nível". "Ele quer bater tudo o que for possível bater. Está ali para ganhar, não é para fingir que quer ganhar, e, aos 16 anos, já tinha esse espírito ganhador", conclui.

"Não tinha medo de ninguém". Carlos Dinis destaca força mental de Ronaldo
Há 20 anos, Cristiano Ronaldo estreou-se, e a marcar, nas seleções nacionais de futebol, então nos sub-15 orientados por Carlos Dinis, que destaca a força mental de um jogador que "não tinha medo de ninguém". Esse golo inaugural do atual jogador da Juventus numa seleção nacional ocorreu numa vitória por 2-1 de Portugal sobre a África do Sul, na II edição do Torneio Internacional Cidade de Torres Novas e Rio Maior para seleções sub-15, a 24 de fevereiro de 2001. Carlos Dinis, que era o selecionador dessa equipa e que chamou o adolescente Cristiano Ronaldo pela primeira vez a uma seleção portuguesa, recorda à agência Lusa essa tarde no Estádio Municipal de Torres Novas. "O Cristiano fez o segundo golo a acabar a primeira parte. Foi a primeira internacionalização e o primeiro golo do Cristiano nas seleções nacionais", lembra. O técnico, de 68 anos, frisou que ‘CR7' sempre saltou etapas no seu percurso e o mesmo se verificou nos sub-15. "A primeira triagem para aquele escalão era o Torneio Lopes da Silva, um torneio inter associações, mas o Cristiano não participou por razões de ordem médica, porque havia alguma desconfiança, até por parte do Sporting, de que poderia ter algum problema cardíaco e nem sequer chegou a ir à seleção de Lisboa", conta. Debelado o problema, o então promissor extremo ‘leonino', depois de observado também pelo próprio Carlos Dinis, "integrou claramente a primeira seleção nacional porque tinha condições para isso: achámos que não se justificava estar a perder tempo", recorda. Carlos Dinis faz o paralelismo do atual jogador, várias vezes considerado como o melhor do mundo, recordista de golos e internacionalizações na seleção ‘AA’, além dos muitos títulos coletivos, com o jovem de 15/16 anos. "Hoje, olhamos para o Cristiano e vemos um determinado jogador, mas, na altura, não podíamos perspetivar o que ia acontecer. Tinha qualidade e talento, e foi cada vez melhorando mais. Também era notório que tinha algumas coisas diferentes dos outros, especialmente no aspeto individual, de não ter medo de ninguém e de partir para cima. Era um bocado anárquico dentro do próprio jogo, muitas vezes não respeitava muito as questões de ordem tática, mas era um talento e, depois, tinha um potencial físico acima dos outros", diz. À exceção da condição física, Carlos Dinis junta - e salienta - a força mental de Cristiano Ronaldo, lembrando que "ele sempre teve esse espírito ganhador" que o diferenciou de uma geração que ficou quase toda pelo caminho. "A parte mental é decisiva porque o fulcro da questão num jogador está do pescoço para cima. Ser muito forte mentalmente é decisivo para uma boa carreira, e não só no futebol. Ele acreditava nas suas capacidades e arrastava os outros, porque sempre teve um espírito de liderança. Os outros reconheciam nele competência dentro do campo e seguiam-no quase cegamente também porque acreditavam que ele podia resolver a qualquer momento", diz. Cerca de dois anos depois desse jogo em Torres Novas, Cristiano Ronaldo estava a estrear-se na seleção principal, pela mão do brasileiro Luiz Felipe Scolari. "Ele subiu patamares de forma incrível e muito pouco comum. Era juvenil de segundo ano, com 17 anos, e já era titularíssimo nos juniores de segundo ano do Sporting e, no ano seguinte, já estava na equipa principal. Ele tem poucas internacionalizações nas seleções de formação, participou num torneio de Lisboa de sub-18, também comigo, depois foi a [torneio de] Toulon e, depois, seleção ‘AA’", lembra. Carlos Dinis destaca ainda a aliança entre "a paixão pelo jogo" e uma "grande ambição", de um Cristiano Ronaldo que, com 36 anos recentemente cumpridos, e apesar de já ter "perdido alguma velocidade", pode fazer "mais dois ou três anos ao mais alto nível". "Ele quer bater tudo o que for possível bater. Está ali para ganhar, não é para fingir que quer ganhar, e, aos 16 anos, já tinha esse espírito ganhador", conclui.