NÓS, Cidadãos! promove jantar com sem-abrigo

O NÓS, Cidadãos promoveu ontem uma ação pública no âmbito da campanha eleitoral, mais concretamente um jantar com uma faixa da população "excluída da sociedade": os sem-abrigo.  A ideia consistiu em confraternizar com os sem-abrigo, "tentar...

NÓS, Cidadãos! promove jantar com sem-abrigo
O NÓS, Cidadãos promoveu ontem uma ação pública no âmbito da campanha eleitoral, mais concretamente um jantar com uma faixa da população "excluída da sociedade": os sem-abrigo.  A ideia consistiu em confraternizar com os sem-abrigo, "tentar saber mais de cada pessoa, conhecer os seus sonhos, os seus anseios, as suas preocupações e a razão pela qual ficaram na presente situação", de acordo com o cabeça de lista Pedro Marques de Sousa. O candidato aludiu ao testemunho de Pilar del Rio que, descrevendo a sua história (ficou desempregada da Associação das Mulheres Empresárias, sendo-lhe retirada ainda por cima a guarda dos seus 3 filhos menores, e sendo proibida de contactar com os mesmos; numa brutalidade que viola os mais básicos Direitos Humanos), explicou que não tem casa para ficar porque, no meio de tanta burocracia, a Câmara Municipal exige um contrato de arrendamento para depois comparticipar na renda. "Ora, se para a celebração e qualquer contrato de arrendamento o senhorio exige um sinal no mínimo normalmente correspondente a 2 ou 3 meses do valor da renda, e estando a Senhora desempregada assim como o actual companheiro, não se percebe a falta de sensibilidade dos serviços camarários do Funchal não só na consideração deste caso pessoal mas também pelo laxismo na não revisão deste incongruente regulamento", critica Pedro Marques de Sousa. O cabeça de lista pelo círculo eleitoral da Madeira, começando por elogiar o trabalho dos técnicos que estão “no terreno”, disse que a ideia do NÓS, Cidadãos! (Movimento de Cidadãos obrigado a constituir-se em Partido) era a de, precisamente, dar voz a quem não a tem, lembrando que os sem-abrigo são cidadãos como todos nós. Referiu que a ideia da esquina do Mundo deve-se ao Romance de Ferreira de Castro, que se chama eternidade. Ora, havendo programas de intervenção social, questionou-se da razão pela qual continua a ser uma “eternidade” a não resolução deste grave problema social. Não sendo técnico nem especialista da matéria, gostaria de saber, como qualquer cidadão, quais os programas em vigor, quantos sem abrigo abrangem e qual o tempo médio de permanência destes nos mesmos, considerando que a taxa de sucesso nestas situações afere-se pelo tempo mínimo de permanência, não pelo número de utentes abrangidos. Salientou a dificuldade dos técnicos no “terreno” de, em situações emergentes verificadas aos fim-de-semana não poderem ter o apoio logístico dos serviços, até mesmo (e sobretudo) financeiro, pelo que se disponibilizou a partilhar o seu vencimento de deputado com as próprias equipas do terreno, depositando o montante de vencimento numa conta de emergência gerida pelos próprios técnicos, em que estes organizem da forma mais eficiente a respectiva utilização. Desafiou o Presidente da República (que tem a Agenda Nacional para a Inclusão) a fazer o mesmo, assim como os seus colegas cabeças de lista e outros eventualmente eleitos por este círculo. Dado que no seu entender, o primeiro passo para a inclusão social é assegurar que todos os cidadãos sem abrigo tenham o seu próprio cartão de cidadão, comprometeu-se a ir com, cada um que não tenha, ao registo civil e à Loja do Cidadão de modo a garantir esse propósito. Questionado a respeito da razão pela qual referiu que “os miseráveis somos todos nós”, explicou que, ao contrário dos sem-abrigo que, por uma vez na vida puderam jantar no mais emblemático restaurante da Madeira, da classe média para baixo serão poucas as famílias (por exemplo de quatro pessoas) dispostas a pagar cerca de 200 euros pelas refeições. E, por outro lado, "o Governo Regional, ao ocultar facturas de empreiteiros – a quem chama de “patos bravos” – na ordem dos 2 mil milhões de euros (agravando a dívida regional), retirou a cada madeirense mais de 7.500 euros (considerando o número de inscritos nos cadernos eleitorais das últimas eleições regionais", referiu. Ora, concluiu, multiplicando este montante por um casal, e se este tivesse um crédito à habitação de 60.000 euros, seriam abatidos 25% dessa dívida, o que permitiria um substancial desafogo mensal. "O “favor” aos empreiteiros (a uma minoria) com a adjudicação de obras desnecessárias e fiascos (como a Marina do Lugar de Baixo), prejudicou a totalidade dos madeirenses, o que classificou tal opção política como gestão danosa, face à qual lutará no Parlamento pela responsabilização financeira de quem assim agiu mediante o congelamento e confisco dos respectivos bens pessoais, na impossibilidade de pedir a cadeia destes políticos face a um processo estranhamente arquivado pelo Tribunal do Funchal", concluiu, mordaz.