Pelo menos 13 civis mortos em novo ataque na RDCongo

 Pelo menos 13 civis foram mortos num novo ataque do grupo armado 'Forças Democráticas Aliadas' (ADF) perto de Beni, leste da República Democrática do Congo (RDCongo), realizado dois dias depois do ataque à missão das Nações Unidas no país....

Pelo menos 13 civis mortos em novo ataque na RDCongo
 Pelo menos 13 civis foram mortos num novo ataque do grupo armado 'Forças Democráticas Aliadas' (ADF) perto de Beni, leste da República Democrática do Congo (RDCongo), realizado dois dias depois do ataque à missão das Nações Unidas no país. "Temos 13 mortos contabilizados esta manhã", disse um porta-voz da missão das Nações Unidas no país à agência de notícias francesa France-Presse (AFP), não especificando se os mortos são funcionários da ONU ou não. No mesmo dia, o governador do território, Beni Donat Kibwana, disse também à AFP que estão "14 corpos na morgue do hospital" em Oicha, a 30 quilómetros a norte de Beni. Os ataques nesta região da RDCongo já levaram a que os socorristas que operavam no combate ao Ébola tenham sido transferidos para o leste da cidade de Beni, depois de a missão das Nações Unidas ter sido atacada na segunda-feira. “Cada dia em que os profissionais de saúde não têm acesso às áreas afetadas pelo Ébola é uma tragédia que prolonga o pior segundo caso de surto da doença na história”, afirmou o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus na rede social Twitter. Perto de 50 profissionais de saúde foram retirados para a cidade de Goma pela OMS, enquanto 71 ficaram nas zonas afetadas pela doença, de acordo com o porta-voz Christian Lindmeier, que acrescentou que a violência não tem como alvo a OMS ou os socorristas do Ébola. Ainda que o número de casos tenha diminuído, havendo dias sem que nenhum caso tenha sido registado, qualquer conflito na região onde numerosos grupos rebeldes estão ativos, atrapalha os progressos feitos no combate ao ébola. O presidente da RDCongo, Félix Tshisekedi, afirmou que tem esperanças que a doença seja exterminada “completamente até ao fim do ano”, mas são precisos 42 dias sem registos de novos casos de Ébola para se poder concluir que o surto acabou. Mais de 3.100 casos de Ébola foram confirmados desde agosto de 2018 e 2.100 pessoas morreram. A OMS declarou que o número menor de casos é encorajador, mas que os protestos recentes em Beni e nas áreas circundantes são “preocupantes”. Desde que o exército congolês começou uma operação contra os rebeldes ugandeses, no principio do mês, as ADF mataram dezenas de pessoas em ataques sucessivos, o que motivou protestos entre os civis que não se sentem seguros e acusam a Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) de inação. Os corpos de quatro manifestantes foram encontrados juntos à base da MONUSCO após os protestos de segunda-feira, no qual balas reais foram usadas contra os manifestantes. Um porta-voz do tribunal militar, Kumbu Ngoma, disse à agência Associated Press que seis soldados ficaram feridos. Representantes da sociedade civil da cidade confirmaram o mesmo número de mortos e revelaram que 18 pessoas ficaram feridas, entre efetivos das forças de segurança e civis. Na segunda-feira, o Presidente convocou o Conselho de Segurança Nacional para abordar a situação e deu autorização para que o exército e a MONUSCO atuem conjuntamente para proteger a população de Beni. A MONUSCO hoje que vai investigar a morte de um manifestante congolês, num frente a frente com as forças de paz da ONU em Beni. "Os elementos que temos indicam que os capacetes azuis são responsáveis pela morte desse jovem", disse à AFP o porta-voz do MONUSCO em Kinshasa, Mathias Gillmann. "Segundo as nossas informações, um jovem estava a preparar-se para fazer um 'cocktail molotov', e um dos capacetes azuis aparentemente disparou sobre ele", acrescentou. A responsável da missão, Leila Zerrougui, já disse estar "profundamente comovida com a morte" do jovem.