"Pensei que ia morrer". Madeirenses relatam momentos de aflição durante tremor de terra

Centenas de pessoas aglomeradas nas ruas, algumas saídas de bares e restaurantes, admitiram ter vivido momentos de medo depois de surpreendidas pelo abalo sísmico que ocorreu às 20:58 de ontem na Madeira. O sismo teve o seu epicentro a cerca...

"Pensei que ia morrer". Madeirenses relatam momentos de aflição durante tremor de terra
Centenas de pessoas aglomeradas nas ruas, algumas saídas de bares e restaurantes, admitiram ter vivido momentos de medo depois de surpreendidas pelo abalo sísmico que ocorreu às 20:58 de ontem na Madeira. O sismo teve o seu epicentro a cerca de 40 quilómetros a sudoeste da Deserta Grande, nas ilhas Desertas, pertencentes à Região Autónoma da Madeira. “Estava dentro do elevador com a minha mulher e só vi o vidro e tudo começou a abanar. Pensei que ia morrer”, disse José Ferreira, de 25 anos, que reside num edifício na zona do campo de futebol dos Barreiros, na freguesia de São Martinho. Aquele residente acrescentou que “nunca tinha sentido um terremoto na Madeira” e o que lhe valeu foi que “o elevador não parou e quando chegou ao rés-do-chão a porta abriu”. “Vi os meus vizinhos a descerem pelas escadas” e “houve algum pânico e gente a gritar, até porque há pessoas acamadas no prédio”, descreveu, admitindo que “ainda tem as pernas a tremer”. Também Beatriz Manso, que reside num dos maiores aglomerados habitacionais do Funchal, na zona de São Martinho, declarou: “Nunca assisti nada igual. Fiquei cheia de medo. As paredes abanavam todas”. No local, muitos dos residentes deste prédio estavam concentrados na rua e manifestavam o receio de regressar para as respetivas casas com medo de réplicas. Duarte Rodrigues estava numa reunião, mas disse ter conseguido “manter a calma” para logo abandonar o local onde se encontrava. Por seu lado, João Silva estava num encontro religioso na zona de São Martinho e disse ter visto “tudo a tremer, mas julgando que tinha sido uma derrocada numas obras que decorrem nas imediações”. “Mas quando as pessoas se aperceberam de que era um sismo, saíram calmamente e ficaram nos jardins do recinto, alguns incrédulos porque nunca tinham sentido um terremoto”, afirmou. O último grande abalo na Madeira aconteceu a 26 de maio de 1975, quando se atingiu o valor de 7,9 na escala de Ritcher.