Portugueses em festa com cardeal "amigo" e "humilde"

A delegação madeirense que acompanha o consistório esteve com D. José Tolentino Mendonça esta manhã, recebendo das mãos do atual bispo do Funchal e dos seus predecessores uma cruz, como presente. A Praça de São Pedro recebeu esta tarde dezenas...

Portugueses em festa com cardeal "amigo" e "humilde"
A delegação madeirense que acompanha o consistório esteve com D. José Tolentino Mendonça esta manhã, recebendo das mãos do atual bispo do Funchal e dos seus predecessores uma cruz, como presente. A Praça de São Pedro recebeu esta tarde dezenas de portugueses para acompanharem a criação cardinalícia de D. José Tolentino Mendonça, no Vaticano, saudando um “amigo”. A maestrina Joana Carneiro referiu aos jornalistas que o consistório deste sábado é um “momento muito importante”, para a sociedade e a Igreja, vivido de forma especial, do ponto de vista pessoal. “Pessoalmente, fico muito emocionada, como portuguesa apenas posso sentir um grande orgulho, por ser uma pessoa maravilhosa a representar a Igreja”, declarou. Falando do novo cardeal como um homem da Cultura, Joana Carneiro espera que D. José Tolentino Mendonça use a sua “sensibilidade” de poeta e “profundo pensador”. Conhece bem os artistas do mundo, sabe o que se faz hoje, sabe o que já se fez ao longo dos tempos. Penso que é uma pessoa muito atenta, saberá com certeza essa sua sensibilidade às suas funções”. Frederico Arruda deslocou-se ao Vaticano para acompanhar “um grande amigo que se vai tornar cardeal”. Antes de entrar na Basílica de São Pedro, o português evocou D. José Tolentino Mendonça como uma pessoa “humilde, mas de uma sensibilidade extraordinária, de fronteira, que tem um contacto permanente e uma capacidade de empatia e de acolhimento que vem trazer grandes vantagens a esta máquina mais central da Igreja”. “A nossa história é uma história de missão, de irmos para além fronteiras. D. Tolentino é exatamente isso, tem essa essência do nosso ser português”, com uma herança espiritual própria, acrescentou. Frederico Arruda conheceu D. José Tolentino Mendonça, quando ele era capelão da Universidade Católica Portuguesa (UCP), e foi o novo cardeal que presidiu ao seu casamento e ao batismo dos filhos. “Está connosco desde o dia que nos conhecemos”, assinala Marta Arruda, feliz por ver o cardeal português abraçar “uma missão maior”. “A maior alegria que eu tenho neste momento é saber que é uma pessoa humilde, que acredita numa pessoa humilde, do povo. Ser uma pessoa assim, é uma grande alegria para todos nós”, prossegue. Fernando Ferreira Pinto, professor da UCP, fala de um amigo que considera “extraordinário, de uma bondade inexcedível, uma tranquilidade total”. No Vaticano, Eugénio Perregil, a residir em Londres, quis homenagear alguém que “personifica” o que é ser madeirense, tanto pelo seu percurso de vida como pela atenção à diáspora, ocupando hoje um papel “importantíssimo”, que consagra a sua dimensão como personalidade de Cultura. O Funchal, Diocese que já foi a maior do mundo, tem hoje o seu segundo cardeal, em mais de 500 anos de história. “A sua simplicidade que toca os mais simples, os excluídos da sociedade, o que vem na linha do Papa Francisco, chegando a ateus, não-crente, com a sua escrita e a sua poesia”, acrescenta Eugénio Perregil. O novo cardeal pediu que D. Nuno Brás, D. António Carrilho e D. Teodoro de Faria abençoassem a cruz peitoral em prata, o que aconteceu à entrada do Arquivo Secreto e da Biblioteca Apostólica.