Protesto contra empresa de distribuição provoca apagão de dez dias no sul da Nigéria

 A cidade de Yenagoa, no sul da Nigéria, está há dez dias sem eletricidade devido ao bloqueio das instalações da empresa de distribuição local por manifestantes que protestam contra um fornecimento deficiente. "Moradores do estado de Bayelsa...

Protesto contra empresa de distribuição provoca apagão de dez dias no sul da Nigéria
 A cidade de Yenagoa, no sul da Nigéria, está há dez dias sem eletricidade devido ao bloqueio das instalações da empresa de distribuição local por manifestantes que protestam contra um fornecimento deficiente. "Moradores do estado de Bayelsa [de que Yenagoa é capital] estão a enfrentar cortes de energia recorrentes", lamentou Kenedy Olorogun, um dos líderes do grupo juvenil comunitário local Ijaw, responsável pelo bloqueio à distribuidora, citado pela agência France-Presse. Membros deste grupo invadiram os escritórios da Port Harcourt Electricity Distribution Company (PHEDC) em 23 de dezembro, devido às regulares falhas no abastecimento, obrigando os funcionários a terminar todas as operações. Este protesto resultou num apagão geral em Yenagoa, cidade com dois milhões de habitantes, e nas suas proximidades e a população tornou-se dependente de geradores a gasóleo. Este aumento da dependência de geradores provocou, por sua vez, filas em postos de abastecimento e esperas de várias horas nestes pontos de combustível. A PHEDC alega que os consumidores devem mais de 16,5 mil milhões de nairas (40 milhões de euros) à empresa, que assim justifica as constantes quebras nos seus serviços. "Estamos prontos para pagar, mas não vamos pagar por (...) serviços inexistentes", vincou Olorogun, citado pela agência noticiosa nigeriana, a NAN. O representante dos jovens considerou que a PHEDC está a chantagear a população e desafiou a empresa a apresentar provas de que a alegada dívida está a perturbar o fornecimento para a rede elétrica. À mesma fonte, um dirigente da PHEDC defendeu que estes protestos estão a afetar a empresa e a desafiar a sua credibilidade. "Os funcionários da PHEDC estão agora a viver com medo, dado que as suas vidas foram ameaçadas pelos Ijaw, que os avisaram para não aparecerem junto dos escritórios", disse John Onyi. O dirigente referiu que a atividade da empresa está também condicionada pela produção doméstica. Principal produtor de petróleo em África, com cerca de 1,9 milhões barris por dia, apresenta um grave défice energético que limita a sua economia e os seus investimentos. Com quase 200 milhões de habitantes, a Nigéria tem um dos mais baixos consumos energéticos do mundo, com uma capacidade de produção entre os 3.500 e os 4.00 megawatts, segundo o principal fornecedor - em comparação, a África do Sul, com um terço da população, produz 45.000 megawatts. Na sua mensagem de ano novo, o Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, garantiu que a população "pode esperar progressos significativos na distribuição de energia" para este ano, assim como "transparência na gestão dos pagamentos".