PSD: Nonas eleições diretas vão ter uma inédita segunda volta

As nonas eleições diretas no PSD vão ter uma segunda volta, o que acontecerá pela primeira vez na história do partido, apesar de a regra ter sido inscrita nos estatutos sociais-democratas há oito anos. No sábado, Rui Rio e Luís Montenegro vão...

PSD: Nonas eleições diretas vão ter uma inédita segunda volta
As nonas eleições diretas no PSD vão ter uma segunda volta, o que acontecerá pela primeira vez na história do partido, apesar de a regra ter sido inscrita nos estatutos sociais-democratas há oito anos. No sábado, Rui Rio e Luís Montenegro vão novamente a votos, depois de o atual presidente do PSD ter sido o candidato mais votado na primeira volta com 49,02% dos votos expressos, seguido do antigo líder parlamentar, que obteve 41,42% do total. O vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais Miguel Pinto Luz ficou em terceiro, com 9,55%, e fora da segunda volta. A eleição direta do presidente por todos os militantes foi introduzida no PSD em 2006 pelo então líder Marques Mendes, mas só em 2012 foi colocada nos estatutos a obrigatoriedade de uma segunda volta sempre que um candidato não obtenha a maioria dos votos. A diferença entre os dois candidatos mais votados foi superior a sete pontos percentuais, um pouco acima da registada nas eleições mais renhidas já disputadas no PSD: em 2008, ainda sem a regra da segunda volta, Manuela Ferreira Leite foi a vencedora com 37,9% dos votos, Pedro Passos Coelho ficou em segundo com 31,06%, seguindo-se Pedro Santana Lopes com 29,6%. Em quarto lugar ficou Patinha Antão, com 0,68%. Das oito eleições diretas já disputadas no PSD, em quatro apenas houve um candidato a líder, caso da primeira que consagrou Marques Mendes por este novo método e das três reeleições do anterior presidente, Pedro Passos Coelho. Por duas vezes as diretas foram disputadas entre dois candidatos: em 2007, entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, que o segundo venceu com uma diferença de dez pontos percentuais; e em 2018, entre Rui Rio e Pedro Santana Lopes, que o atual presidente do PSD venceu com uma diferença de oito pontos. Desde que foram introduzidas as diretas no PSD, apenas um presidente em exercício se recandidatou e perdeu - Marques Mendes -, mas também apenas um outro se recandidatou e ganhou, Pedro Passos Coelho. Os restantes líderes no PSD desde 2006, Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite, saíram pelo próprio pé, o primeiro antes de completar o mandato. Cerca de 40 mil militantes do PSD com as quotas em dia podem votar nas diretas para escolher o próximo presidente, o mais baixo universo eleitoral de sempre no partido. Na primeira volta, a participação rondou os 32 mil militantes - a menor em termos absolutos em eleições em que houve disputa -, mas a maior em percentagem: mais de 79% dos inscritos. Nas eleições diretas do PSD em que houve mais do que um candidato, o universo eleitoral situou-se entre os 63 mil, em 2007, e os 78 mil, em 2010, e o número de votantes mais baixo registou-se em 2007, com 39.353 (62,42%). Nas primeiras diretas do PSD, em 05 de maio de 2006, com o candidato único Marques Mendes, foram cerca de 55 mil os eleitores, tendo votado apenas perto de 20 mil. Em 2007, com Marques Mendes contra Menezes, subiu o universo eleitoral – para 63.042 – e o número de votantes – 39.353. Em 2008, com quatro candidatos à liderança (Manuela Ferreira Leite, Pedro Passos Coelho, Pedro Santana Lopes e Patinha Antão) sobe novamente o número de eleitores – 77.090 – e o de votantes – 45.592. Dois anos depois, em 2010, voltam a ser quatro os candidatos à liderança (Pedro Passos Coelho, Paulo Rangel, José Pedro Aguiar-Branco e Castanheira Barros) e regista-se o recorde no número de eleitores – 78.094 – e no de votantes em diretas do PSD, que ficam nos 51.748. Nas eleições diretas de 2012, 2014 e 2016, Passos Coelho foi sempre candidato único e o número de eleitores rondou os 50 mil (o mais baixo até agora tinha-se registado em 2014, pouco mais de 46 mil) e o número de votantes andou perto dos 20 mil militantes.