Ramalho Eanes apela ao voto e defende reflexão em caso de abstenção elevada

O ex-presidente da República Ramalho Eanes apelou hoje ao voto dos portugueses e defendeu uma análise profunda dos resultados, no caso da abstenção de confirmar elevada, nomeadamente sobre a realização de umas eleições num período grave da pandemia. “Depois das eleições, devemos olhar para tudo o que aconteceu, nomeadamente fazer eleições num período grave da pandemia, e daí retirar lições para que, no futuro, possamos fazer o que é mais correto e o que mais convém à vida democrática, dinâmica e ambiciosa”, disse aos jornalistas após votar numa escola na zona do Beato, em Lisboa. Ramalho Eanes, Presidente da República em dois mandatos, entre de 14 de julho de 1976 a 09 de março de 1986, sublinhou a importância do ato eleitoral, mesmo para aqueles que se sentem “um pouco desiludidos com a democracia”. E defendeu uma análise posterior da atitude dos portugueses perante as urnas, nomeadamente se se confirmar uma elevada abstenção. “Amanhã, depois de lidos os resultados, entendo que devemos refletir, para ver porque é que foram aqueles resultados que aconteceram, o que significam e que medidas se deve adotar para (…) que se evite no futuro a repetição de situações destas”, adiantou. O militar considera que uma revisão do sistema eleitoral é um desafio, não só para o próximo chefe de Estado, mas também para “toda a classe política e dos verdadeiramente empenhados numa democracia que não seja uma democracia meramente eleitoral”. Questionado sobre uma eventual revisão constitucional que permita, nomeadamente, o adiamento de eleições em cenários como a atual pandemia, Ramalho Eanes disse que essa é mais uma questão a discutir, a seguir a estas eleições. “A Constituição deve ser um instrumento para aprofundar a democracia e não para estrangular a democracia, para fazer com que a mobilização dos portugueses seja grande e crescente e não contribuir para que diminua”, afirmou o general, que segunda-feira completa 86 anos. E acrescentou: “Deve ser pensado o que é a Constituição e no que importa na Constituição ficar, para que não seja um colete de forças, mas seja uma magna carta em que todos se reveem, todos se mobilizam, todos confiam”. Sobre os maiores desafios que esperam o próximo Presidente da República português, Ramalho Eanes enumerou: “Primeiro, vencer a pandemia; segundo, fazer com que a economia recupere e, terceiro, não esquecer que não há democracia se, porventura, não houver uma igualdade no essencial”. “Isto é uma verdade que já vem do tempo de [o filósofo grego] Aristóteles. A democracia exige que exista, no mínimo, uma dignidade essencial. Que todos tenham o necessário para alimentar os filhos, para ter uma casa, o necessário para que pensem que têm futuro”, declarou.

Ramalho Eanes apela ao voto e defende reflexão em caso de abstenção elevada
O ex-presidente da República Ramalho Eanes apelou hoje ao voto dos portugueses e defendeu uma análise profunda dos resultados, no caso da abstenção de confirmar elevada, nomeadamente sobre a realização de umas eleições num período grave da pandemia. “Depois das eleições, devemos olhar para tudo o que aconteceu, nomeadamente fazer eleições num período grave da pandemia, e daí retirar lições para que, no futuro, possamos fazer o que é mais correto e o que mais convém à vida democrática, dinâmica e ambiciosa”, disse aos jornalistas após votar numa escola na zona do Beato, em Lisboa. Ramalho Eanes, Presidente da República em dois mandatos, entre de 14 de julho de 1976 a 09 de março de 1986, sublinhou a importância do ato eleitoral, mesmo para aqueles que se sentem “um pouco desiludidos com a democracia”. E defendeu uma análise posterior da atitude dos portugueses perante as urnas, nomeadamente se se confirmar uma elevada abstenção. “Amanhã, depois de lidos os resultados, entendo que devemos refletir, para ver porque é que foram aqueles resultados que aconteceram, o que significam e que medidas se deve adotar para (…) que se evite no futuro a repetição de situações destas”, adiantou. O militar considera que uma revisão do sistema eleitoral é um desafio, não só para o próximo chefe de Estado, mas também para “toda a classe política e dos verdadeiramente empenhados numa democracia que não seja uma democracia meramente eleitoral”. Questionado sobre uma eventual revisão constitucional que permita, nomeadamente, o adiamento de eleições em cenários como a atual pandemia, Ramalho Eanes disse que essa é mais uma questão a discutir, a seguir a estas eleições. “A Constituição deve ser um instrumento para aprofundar a democracia e não para estrangular a democracia, para fazer com que a mobilização dos portugueses seja grande e crescente e não contribuir para que diminua”, afirmou o general, que segunda-feira completa 86 anos. E acrescentou: “Deve ser pensado o que é a Constituição e no que importa na Constituição ficar, para que não seja um colete de forças, mas seja uma magna carta em que todos se reveem, todos se mobilizam, todos confiam”. Sobre os maiores desafios que esperam o próximo Presidente da República português, Ramalho Eanes enumerou: “Primeiro, vencer a pandemia; segundo, fazer com que a economia recupere e, terceiro, não esquecer que não há democracia se, porventura, não houver uma igualdade no essencial”. “Isto é uma verdade que já vem do tempo de [o filósofo grego] Aristóteles. A democracia exige que exista, no mínimo, uma dignidade essencial. Que todos tenham o necessário para alimentar os filhos, para ter uma casa, o necessário para que pensem que têm futuro”, declarou.