Trabalhadores da Portway temem consequências da alteração do subsídio de mobilidade

Os membros da Comissão de Trabalhadores da empresa Portway, Handling de Portugal S.A. manifestam-se preocupados com as consequências da alteração do subsídio social de mobilidade para os residentes da Madeira. A Comissão de Trabalhadores emitiu...

Trabalhadores da Portway temem consequências da alteração do subsídio de mobilidade
Os membros da Comissão de Trabalhadores da empresa Portway, Handling de Portugal S.A. manifestam-se preocupados com as consequências da alteração do subsídio social de mobilidade para os residentes da Madeira. A Comissão de Trabalhadores emitiu um comunicado em que aborda esta questão. Eis a nota transcrita na íntegra: "Os membros da Comissão de Trabalhadores da empresa Portway, Handling de Portugal S.A. vêm por este meio demonstrar a sua preocupação sobre as consequências da alteração do subsídio social de mobilidade para os residentes da ilha da Madeira. É inequívoco que esta medida vem beneficiar todos os madeirenses, reforça o princípio de continuidade territorial e diminui o impacto da insularidade. Contudo, esta aprovação da alteração do pagamento deste subsídio, trouxe muitas preocupações aos trabalhadores da Portway, em especial aos trabalhadores da escala do Funchal pelo facto da EasyJet e Transavia ameaçarem abandonar as rotas domésticas. As posições das companhias aéreas devem-se exclusivamente a uma interferência política. Lamentamos que o secretário Regional de Turismo e Cultura da Madeira, considere um “bluff” a posição da EasyJet, será que a Transavia também está a fazer “bluff”? Esta posição é de uma irresponsabilidade sem precedentes. Ambas as companhias são assistidas pela Portway e isso está a pôr em causa centenas de postos de trabalho. Será que a EasyJet, a Transavia e Portway servirão como moeda de troca para que o governo atinja um antigo desejo de a Madeira ter um terceiro operador a fazer ligação entre Lisboa e o Funchal? O governo está realmente a defender os interesses dos madeirenses, prejudicando os interesses de quem nos visita? Onde assenta o equilíbrio dos que trabalham? Este governo, com esta medida, está a pôr em causa a liberalização da rota da Madeira. Vai promover a região internamente e externamente desta forma? Até quando vão insistir neste erro estratégico para a ilha da Madeira? Prestamos assistência na região autónoma da Madeira à EasyJet desde 2007. Em 2008 passámos a assistir os voos domésticos (Lisboa-Funchal e Porto-Funchal). Em 2019 as rotas domésticas da EasyJet movimentaram mais de 350 000 passageiros. Evidentemente estas rotas trouxeram benefícios à região autónoma da Madeira, entre outros, uma maior concorrência e disponibilidade de tarifas mais baixas para todos. A Portway Handling de Portugal S.A. prestou, em 2019, assistência a mais de 2 mil voos domésticos da EasyJet só na escala do Funchal e a mais de 5 mil a nível nacional. 13 de fevereiro de 2020 A Comissão de Trabalhadores da Portway, S.A. e-mail: [email protected] / [email protected] A Transavia realiza voos de ligação com origem e destino do Porto desde 2010, e só em 2019 foram assistidos na escala do Funchal pouco mais de 1400 voos e a nível nacional mais de 2800 voos transportando mais de 200 000 passageiros. Estes números demonstram bem o impacto económico que a Portway poderá sofrer pela falta de prudência do poder político. Até a APAVT tem dúvidas que o novo regime do subsídio de mobilidade na Madeira favoreça a atividade do setor. Estamos seriamente preocupados com a possibilidade da deterioração das condições de trabalho e perda de postos de trabalho a nível nacional. Relembramos que em março de 2016, a Ryanair, então o maior cliente da Portway, decidiu montar a sua própria operação de “self-handling”, terminando o contrato de handling com a Portway. Na sequência desta decisão, a Portway viu-se obrigada a implementar medidas de reestruturação que passaram pelo despedimento coletivo de 257 trabalhadores dos vários aeroportos nacionais onde a Ryanair operava (Lisboa, Porto e Faro). Perante tal elevado impacto social, a empresa assumiu uma atitude socialmente responsável, procurando alternativas para o despedimento, o que passou pela negociação de um Acordo de Empresa (AE) assinado em 29 de junho de 2016 com 3 dos 5 sindicatos em negociação (SINTAC, SINDAV e STHA). As principais medidas negociadas e acordadas passaram pela introdução de regras de flexibilidade na organização do trabalho (adaptabilidade, regime de elasticidade em turnos, vulgo banco de horas, turnos fracionados) e congelamento da progressão dos salários e carreiras. Alertamos para as fragilidades do sector da aviação com o recente desaparecimento de diversas companhias aéreas como a Air Berlin, Monarch Airlines, Thomas Cook ou Niki. Inclusive o próprio aeroporto, em dias em que as condições meteorológicas são adversas não permitindo a operacionalidade, o que leva ao cancelamento de voos causando problemas aos passageiros e à economia regional. Em Julho de 2018, O vice-presidente do Governo Regional da Madeira afirmou estar confiante que seria encontrada uma solução para as companhias low-cost, como a EasyJet, serem compensadas na questão do subsídio de mobilidade nas viagens entre a ilha e o continente. Gostaríamos de saber que medidas foram criadas para salvaguardar os interesses dos trabalhadores da Portway Handling de Portugal S.A. no Funchal? Apelamos ao bom senso de todos os intervenientes no processo".