Venezuela: ONU denuncia mais de cinco mil mortes em operações de segurança

O Governo da Venezuela registou quase 5.300 mortes em operações de segurança, em 2018, alegando que resultaram de “resistência à autoridade”, segundo um relatório da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Segundo o gabinete...

Venezuela: ONU denuncia mais de cinco mil mortes em operações de segurança
O Governo da Venezuela registou quase 5.300 mortes em operações de segurança, em 2018, alegando que resultaram de “resistência à autoridade”, segundo um relatório da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Segundo o gabinete de Michelle Bachelet, Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, outras 1.569 mortes já foram registadas no primeiro semestre de 2019, números de execuções extrajudiciais que são considerados “chocantemente elevados”. O relatório da ONU foi apresentado depois de Bachelet ter visitado a Venezuela, entre 19 e 21 de junho passado, e baseia-se em relatos de defensores de direitos das vítimas, testemunhas de violações e outras fontes. Perante os dados, Michelle Bachelet pede ao Governo do Presidente eleito, Nicolas Maduro, para dissolver as suas forças especiais de segurança, a quem se imputa a responsabilidade por estas execuções. A Alta comissária pede ainda para que seja criada uma comissão, imparcial e independente, com o apoio da comunidade internacional, para “fazer um inquérito às execuções realizadas pelas forças de segurança”. Michelle Bachelet diz no seu relatório que, nos últimos dez anos, e especialmente desde 2016, o regime de Maduro executou uma estratégia para “neutralizar, reprimir e incriminar adversários políticos críticos do Governo”. A Alta comissária diz que o Governo da Venezuela deve tomar “medidas imediatas e concretas para colocar fim a graves violações de direitos económicos, sociais, civis, políticos e culturais”, apontando um conjunto de práticas políticas que são consideradas “limitadoras do espaço democrático”. Segundo o relatório, grupos civis armados, os denominados “coletivos”, contribuíram para a deterioração da situação social na Venezuela, exercendo um forte controlo e colocando-se ao lado de Nicolas Maduro na supressão de manifestações. O relatório da ONU menciona 66 mortes durante manifestações, entre janeiro e maio, e a detenção arbitrária de 793 pessoas, incluindo 22 deputados, em igual período. A Venezuela atravessa uma grave crise política, agravada pela dissidência entre o Presidente eleito, Nicolas Maduro, e o autoproclamado Presidente interino e líder da oposição, Juan Guaidó, a quem mais de 50 países reconhecem legitimidade. A Venezuela também atravessa uma grave crise económica e social, agravada por sanções impostas pelos Estados Unidos, que têm deixado uma parte importante da população com escassez de alimentos e medicamentos. Segundo números da ONU, mais de cinco milhões de venezuelanos já cruzaram as fronteiras, nos últimos anos, na esperança de melhores condições de vida.