9% dos jovens consideram normal a violência física no namoro

Em pleno Dia dos Namorados, a UMAR promoveu ontem uma conferência para partilhar os dados, preocupantes, da violência no namoro e, mais grave que isso, a forma como os jovens consideram ser tudo muito normal. “Acham romântico e fofinho serem...

9% dos jovens consideram normal a violência física no namoro
Em pleno Dia dos Namorados, a UMAR promoveu ontem uma conferência para partilhar os dados, preocupantes, da violência no namoro e, mais grave que isso, a forma como os jovens consideram ser tudo muito normal. “Acham romântico e fofinho serem perseguidos, consideram que é amor”, constata Joana Martins, com evidentes sinais de preocupação. “A normalização da violência”, conforme referiu Valentina Ferreira, “terá de ser desconstruída” e esse é um trabalho que esta associação se propõe fazer, com mais ações entre os jovens”. A UMAR revelou, então, os dados de um estado realizado, numa conversa com a comunicação social ponde estiveram ainda presentes Cássia Gouveia e Carina Jasmins. Assim, a partir de uma amostra de 454 jovens, com uma média de idade de 14 anos, nos concelhos de Funchal, Machico e Câmara de Lobos, concluiu-se que 32% dos jovens inquiridos consideram normal, em relacionamentos de intimidade, o controlo, 27% diz que a perseguição é normal, 22% normaliza a violência sexual, 18% acha normal a violência através das redes sociais, assim como a violência psicológica, e 9% acha normal a violência física. No que concerne à tipologia, ‘proibir de vestir determinada peça de roupa’ é a mais legitimada, com 38%, seguindo-se ‘pegar no telemóvel ou entrar nas redes sociais sem autorização’, com 37%. ‘Proibir de estar ou falar com amigo’, com 34%) e ‘proibição de sair’, com 32%, são outras legitimações que cerca de um terço dos jovens inquiridos consideram normal. Nessa legitimação, por categorias, temos o seguinte percentual de anuências: Violência psicológica (18%), controlo (32%), perseguição (27%), violência física (9%), violência sexual (22%) e violência nas redes sociais. Preocupante é também aquilatar que 21% dos jovens, que estiveram ou estão numa relação de intimidade, admitem que sofreram já violência psicológica, 200% sofreram ‘controlo’ e 18% foram perseguidos. Entre os inquiridos, 58% responderam ter sofrido pelo menos um dos comportamentos questionados, 30% dos quais raparigas e 28% rapazes., sendo que 25% das raparigas e 20% dos rapazes reportaram que foram proibidos de estar ou falar com amigos durante a relação. Alarmante é ainda 67% dos jovens inquiridos não considerar ser violência no namoro pelo menos um dos comportamentos questionados, nessa constatação de uma ‘normalização da violência’ que a UMAR quer, então, desconstruir, com ações de proximidade junto das escolas.