“Ação política para combater as alterações climáticas parece estar a enfraquecer”, Rafael Nunes

Rafael Nunes protagonizou, na manhã desta terça-feira no plenário madeirense uma intervenção em que teceu duras críticas aquilo que considera que a Região (não) vem fazendo, em matéria ambiental e de prevenção às alterações climática. O deputado...

“Ação política para combater as alterações climáticas parece estar a enfraquecer”, Rafael Nunes
Rafael Nunes protagonizou, na manhã desta terça-feira no plenário madeirense uma intervenção em que teceu duras críticas aquilo que considera que a Região (não) vem fazendo, em matéria ambiental e de prevenção às alterações climática. O deputado do JPP relevou que “as alterações climáticas são, indubitavelmente, um processo em curso e já imparável neste século”, constatando que “as alterações a que hoje assistimos constituem, sem dúvida, a maior ameaça à sobrevivência da Humanidade tal como a conhecemos e começam a manifestar efeitos devastadores sobre os habitats terrestres e marinhos”. Assim, “hoje, sabemos que precisamos de ir muito além do acordo de Paris para evitar um crescimento superior a 2º na temperatura, até ao final do século”. “Esta geração já começou a assistir, um pouco por tudo o mundo, à subida do nível do mar, à falta de água, e a eventos climáticos extremos (e a Madeira infelizmente tem experienciado muitos deles). Foi esta geração que começou a assistir ao aparecimento dos primeiros refugiados climáticos do mundo. Uma consequência direta das AC que têm tornado as migrações uma necessidade e não uma escolha”, relevou ainda. Em relação, especificamente, ao arquipélago madeirense, “as ações antropogénicas causaram mudanças climáticas irreversíveis e os impactos estão a sentir-se também aqui na Região”, sendo que “dados recentes do Observatório CLIMA-Madeira, apontam para um aumento generalizado da temperatura média entre 1,3ºC e 3ºC e uma diminuição da precipitação anual que já se verifica e que se irá agravar em cerca de 30% até ao final do século XXI”. E tal, “forçosamente, trará consequências irreversíveis para uma região já de si muito vulnerável a estes impactos. Este aumento significativo poderá refletir-se no quotidiano de todos nós, quer falemos de impactos diretos na redução dos caudais de água, com efeitos nefastos na agricultura e recursos naturais, quer pelo aumento de fenómenos climáticos extremos, tais como ondas de calor, secas e períodos de precipitação intensa, assim como pelo aumento da prevalência de vetores transmissores de doenças (tenhamos em consideração as recentes epidemias de dengue)”. Aqui, considera, então, que “a ação política para combater as alterações climáticas parece estar a enfraquecer, ao mesmo tempo que a situação vai piorando para todos nós, que sentimos os seus efeitos. Os mais recentes dados sobre o estado da nossa natureza dizem-nos que 60% dos grupos que constituem a biodiversidade madeirense apresentam vulnerabilidade negativa às alterações climáticas. Que muitos deles, correm o risco de extinção nos próximos 50 anos”.   “Os ecossistemas naturais têm vindo a perder a sua área, fruto dos avanços dos fogos florestais, que apenas nos últimos 3 anos, consumiram quase 8000 hectares (quase 10% da ilha da Madeira)”, pelo que “urge uma intervenção política séria, responsável, que revitalize este setor, para a mitigação das alterações climáticas, para a valorização da nossa floresta… fundamental para o futuro das novas gerações”.    Desta forma, “não podemos continuar a implementar medidas de forma avulsa e sem uma estratégia de fundo e global, nem podemos “continuar a impermeabilizar solos, danificando de forma permanente os nossos recursos aquíferos como foi feito no Paul da Serra. Prejudicando a captação e infiltração de água, o que terá um impacto gritante nesta captação, mas também na preservação de habitats de altitude, com efeitos nefastos em zonas de rede natura 2000, como é exemplo a nossa floresta Laurissilva”. Exaltou, também, que “a Laurissilva representa não só uma elevada fonte de receita ao nível turístico, mas um importante ator no equilíbrio biofísico da Ilha, sendo a principal responsável pela captação, retenção e infiltração da água proveniente da precipitação e nevoeiros e é esta água que servirá para o consumo humano, para a agricultura e para a manutenção da nossa natureza”.   E neste sentido, releva “os ataques sofridos na Laurissilva. Ataques políticos, que ficaram bem patentes no último relatório da IUCN que evidencia uma deterioração da nossa floresta apontando vários erros que resultam da má governação dos últimos anos. Quatro anos depois, as instituições internacionais vieram a público dar razão ao JPP, reafirmando que este Governo desconsiderou a nossa natureza e desrespeitou o nosso património natural e os princípios básicos da conservação do ambiente que pertence a todos nós”. Hoje, conclui, “um contrato-programa entre o Governo Regional e um clube de futebol, consegue absorver mais verba do orçamento regional, do que todo o orçamento para a SRA. Não houve um investimento sério na defesa e na recuperação da nossa floresta, um elemento de retenção de dióxido carbono, fundamental para atingirmos um balanço ecológico positivo.  Não houve um investimento sério na economia azul e no aproveitamento e valorização do nosso mar e do seu imenso contributo na diminuição do C02”.