BE confia que vai obter “mais força” para “impor condições” a uma nova maioria

O cabeça de lista do BE às eleições legislativas da Madeira, Paulino Ascensão, não está à espera que as perspetivas de crescimento do partido a nível nacional se reflitam na região, mas acredita que vai obter "mais força". "A expectativa é...

BE confia que vai obter “mais força” para “impor condições” a uma nova maioria
O cabeça de lista do BE às eleições legislativas da Madeira, Paulino Ascensão, não está à espera que as perspetivas de crescimento do partido a nível nacional se reflitam na região, mas acredita que vai obter "mais força". "A expectativa é que consigamos ter mais força para poder impor condições, impor linhas programáticas a uma nova maioria que rompa com este passado [de governo social-democrata]. Isso é fundamental", afirmou em entrevista à agência Lusa. Paulino Ascensão sublinhou que dificilmente haverá "mudanças substanciais" na Região Autónoma da Madeira se, das eleições de 22 de setembro, resultar uma "maioria de um só partido", pelo que, a meta do Bloco de Esquerda (BE) é "ter mais força para fazer as coisas", ou seja, "ter mais deputados e mais votos". "Estamos apostados em ser parte de uma nova maioria e, obviamente, vamos procurar construir essa maioria com todos aqueles que estejam também dispostos a conversar connosco", disse. Nas eleições regionais de 2015, o BE elegeu dois deputados à Assembleia Legislativa da Madeira, num total de 47, sendo que o PSD, partido que governa o arquipélago com maioria absoluta desde 1976, elegeu 24 deputados, o número mais reduzido de sempre. "Os resultados eleitorais é que vão determinar qual é o papel e o peso de cada um nessa nova maioria, que esperemos seja possível construir", afirmou Paulino Ascensão, considerando, no entanto, que a perspetiva de crescimento do BE a nível nacional poderá não ter reflexos na região. "As realidades são diferentes e as votações no passado demonstram isso. Já tivemos regionais e nacionais no mesmo ano, com poucos meses de diferença e com resultados bastante díspares", recordou, vincando que, por isso, o partido está a trabalhar apenas com "propostas orientadas para a realidade regional". Emprego, ambiente, combate à pobreza, saúde e educação são os setores onde o BE coloca o foco, realçando a necessidade de criar serviços públicos "acessíveis para todos". "Entendemos que os recursos que existem [na Madeira] são apropriados por uma elite, um punhado de famílias, e a riqueza que é gerada não chega a toda a gente", disse, defendendo a urgência de "desmantelar esta teia de interesses" para que haja "oportunidades para toda a gente". "Se as coisas correrem mal na Madeira, os senhores podem facilmente continuar os seus negócios fora daqui, mas a esmagadora maioria da população não tem como subsistir", alertou. o candidato bloquista destacou, por outro lado, a necessidade de apostar na reflorestação da ilha da Madeira, considerando que o aspeto ambiental da questão, bem como o facto de a floresta, nomeadamente a laurissilva, que é património mundial da UNESCO, ser o "maior ativo turístico" do arquipélago. Paulino Ascensão é o atual coordenador do Bloco de Esquerda na Madeira e ex-deputado à Assembleia da República, sendo militante do partido desde 2014. Tem 47 anos, é licenciado em Economia e técnico superior na Câmara do Funchal.