BE-M diz que o Governo subsidia “brinquedos caros para meninos ricos"

O BE-M referiu num comunicado enviado esta tarde às redações, que o apoio à compra de carros elétricos para uso particular, num milhão de euros, “é uma ajuda à compra de brinquedos caros por meninos ricos” e que “não vai resolver nenhum problema...

BE-M diz que o Governo subsidia “brinquedos caros para meninos ricos"
O BE-M referiu num comunicado enviado esta tarde às redações, que o apoio à compra de carros elétricos para uso particular, num milhão de euros, “é uma ajuda à compra de brinquedos caros por meninos ricos” e que “não vai resolver nenhum problema ambiental e muito menos do congestionamento do transito e da ocupação do espaço útil da cidade” referindo ainda que esse valor deveria ser canalizado para o investimento nos transportes públicos coletivos. “As vantagens da substituição de veículos a combustão por elétricos não são inequívocas do ponto de vista dos custos ambientais, se for considerado todo o ciclo de fabrico das viaturas e dos componentes, em particular das baterias. Esses danos da exploração e transformação do lítio não nos afetam? Sim afetam, não há como escapar às consequências da degradação ambiental e do aquecimento à escala global, onde quer que sejam praticados os atos danosos” lê-se na referida nota. Paulino Ascensão, coordenador regional do BE-M, entende que os “outros malefícios” de uma mobilidade baseada no transporte individual “persistem com a substituição por elétricos”, nomeadamente “o congestionamento do trânsito, os tempos de deslocação crescentes, o stress, os acidentes, os encargos com a manutenção das vias e dos estacionamentos, o espaço subtraído nas cidades, etc”. “O transporte coletivo surge como a alternativa que inequivocamente ataca todos estes problemas e ainda reduz a fatura das importações de veículos e de combustíveis. Também favorece as camadas mais pobres que não têm alternativa de mobilidade, pois não ganham para pagar um carro”. O Bloco de Esquerda disse, contudo, que o carro elétrico “faria sentido” caso o interesse fosse para “servir como táxis ou na criação de novos modos de mobilidade como a partilha de automóveis, bicicletas ou trotinetes, como já acontece em muitas cidades pelo mundo”. O partido entende, deste modo, que quem vai beneficiar com o programa, são “as famílias ricas e os concessionários que vendem os veículos elétricos” sendo que as famílias madeirenses “não têm capacidade financeira para comprar uma viatura nova, muito menos uma elétrica, que custa cerca de 30.000 euros”. Assim, Paulino Ascensão sublinhou que a medida criada pelo Executivo Regional é “injusta no plano social” e que traz “benefícios (ambientais) ridículos que não justificam o investimento”.