Bispo do Funchal lembra S. Tiago Menor, que há quase 500 anos "nos tem protegido"

O Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, presidiu, esta manhã, à missa em honra do padroeiro São Tiago Menor.  Numa celebração eucarística realizada na Sé Catedral, à porta fechada, e apenas na presença do Executivo Municipal, o Bispo relembrou o padroeiro da cidade recuando até 11 de Junho de 1521 (há 499 anos), quando "a cidade do Funchal se colocou nas mãos do Apóstolo S. Tiago Menor",onde surgiu a incumbência, “para sempre em cada um dos anos do mundo” de, no dia 1 de Maio, o mesmo voto ser renovado pelos representantes da cidade. "E assim sucedeu também em 1538, quando o Guarda-Mor da Saúde, vendo inúteis os seus esforços no meio de uma epidemia que grassava no Funchal, disse no meio da Ermida de S. Tiago, dirigindo-se ao Padroeiro em alta voz: “Senhor, até aqui guardei esta cidade como pude; não posso mais, aqui tendes a vossa vara, sede vós o Guarda da Saúde”. E entregou-lhe a vara, símbolo da sua responsabilidade municipal", recordou, acrescentando que os relatos da época "são unânimes em afirmar que, a partir desse momento, todos os feridos melhoraram e a peste desapareceu da cidade". "Hoje, as circunstâncias da emergência sanitária que vivemos impossibilitam-nos de realizar a habitual procissão em honra do nosso padroeiro. Mas, nem por isso, queremos deixar de cumprir a entrega da defesa da nossa cidade nas mãos daquele que, há quase 500 anos, sempre nos tem protegido." Lembrando a "personagem fascinante" do apóstolo S. Tiago Menor, referido nos evangelhos e relatos não bíblicos como 'Irmão do Senhor', o Bispo do Funchal explicou que "como os demais apóstolos, S. Tiago é referido integrando as listas dos Doze, quer dizer, como fazendo parte daquele grupo mais próximo, a quem Jesus chamou 'para ficar com Ele e enviá-los a pregar' (Mc 3,14). Esteve, portanto, presente na Última Ceia, passou pelo drama da cruz, pelo abandono desorientado do Mestre, pela alegria do encontro com o Ressuscitado, e por aquele momento único do Pentecostes", tendo sido encontrado, depois da Páscoa, em Jerusalém, "à frente da comunidade dos discípulos, desempenhando um papel essencial na controvérsia acerca da circuncisão." "Foi a este homem, que liderava a Igreja de Jerusalém após a partida de Pedro, que os chefes judaicos quiseram persuadir a subir ao Pináculo do Templo para, perante todo o povo, renegar a Jesus. Como Tiago reafirmasse a fé no Senhor, lançaram-no dali abaixo e lapidaram-no. Ainda de joelhos,  enquanto sofria os golpes das pedras, Tiago rezava: “Peço-te Senhor, Deus Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. E foi então que um dos presentes, “pegou num bastão com o qual batia as roupas, e atingiu o Justo na cabeça, que deste modo sofreu o martírio. Foi sepultado num lugar próximo do Templo, onde ainda hoje — diz Hegésipo — é possível ver a sua lápide”, disse. "Homem justo, cheio de sabedoria, fazedor de comunhão; homem de oração e de fé viva"assim define D. Nuno Brás, em traços gerais, a personalidade do Santo padroeiro do Funchal. "Ao mesmo tempo que hoje nos voltamos a confiar à sua intercessão, fazendo nosso o tradicional gesto de entrega do Funchal e seus habitantes nas mãos de S. Tiago, confiando-lhe a proteção de quantos habitam a nossa e sua cidade, peçamos-lhe que nos ajude a progredir no caminho da fé — da fé viva, quer dizer: da fé que se expressa na vida, nas obras do quotidiano", conclui o Bispo do Funchal, apelando a que peçamos "ainda a graça de, no meio de tantas discórdias próprias da 'cidade dos homens', construirmos comunhão entre todos, na justiça e na sabedoria."  

Bispo do Funchal lembra S. Tiago Menor, que há quase 500 anos "nos tem protegido"
O Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, presidiu, esta manhã, à missa em honra do padroeiro São Tiago Menor.  Numa celebração eucarística realizada na Sé Catedral, à porta fechada, e apenas na presença do Executivo Municipal, o Bispo relembrou o padroeiro da cidade recuando até 11 de Junho de 1521 (há 499 anos), quando "a cidade do Funchal se colocou nas mãos do Apóstolo S. Tiago Menor",onde surgiu a incumbência, “para sempre em cada um dos anos do mundo” de, no dia 1 de Maio, o mesmo voto ser renovado pelos representantes da cidade. "E assim sucedeu também em 1538, quando o Guarda-Mor da Saúde, vendo inúteis os seus esforços no meio de uma epidemia que grassava no Funchal, disse no meio da Ermida de S. Tiago, dirigindo-se ao Padroeiro em alta voz: “Senhor, até aqui guardei esta cidade como pude; não posso mais, aqui tendes a vossa vara, sede vós o Guarda da Saúde”. E entregou-lhe a vara, símbolo da sua responsabilidade municipal", recordou, acrescentando que os relatos da época "são unânimes em afirmar que, a partir desse momento, todos os feridos melhoraram e a peste desapareceu da cidade". "Hoje, as circunstâncias da emergência sanitária que vivemos impossibilitam-nos de realizar a habitual procissão em honra do nosso padroeiro. Mas, nem por isso, queremos deixar de cumprir a entrega da defesa da nossa cidade nas mãos daquele que, há quase 500 anos, sempre nos tem protegido." Lembrando a "personagem fascinante" do apóstolo S. Tiago Menor, referido nos evangelhos e relatos não bíblicos como 'Irmão do Senhor', o Bispo do Funchal explicou que "como os demais apóstolos, S. Tiago é referido integrando as listas dos Doze, quer dizer, como fazendo parte daquele grupo mais próximo, a quem Jesus chamou 'para ficar com Ele e enviá-los a pregar' (Mc 3,14). Esteve, portanto, presente na Última Ceia, passou pelo drama da cruz, pelo abandono desorientado do Mestre, pela alegria do encontro com o Ressuscitado, e por aquele momento único do Pentecostes", tendo sido encontrado, depois da Páscoa, em Jerusalém, "à frente da comunidade dos discípulos, desempenhando um papel essencial na controvérsia acerca da circuncisão." "Foi a este homem, que liderava a Igreja de Jerusalém após a partida de Pedro, que os chefes judaicos quiseram persuadir a subir ao Pináculo do Templo para, perante todo o povo, renegar a Jesus. Como Tiago reafirmasse a fé no Senhor, lançaram-no dali abaixo e lapidaram-no. Ainda de joelhos,  enquanto sofria os golpes das pedras, Tiago rezava: “Peço-te Senhor, Deus Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. E foi então que um dos presentes, “pegou num bastão com o qual batia as roupas, e atingiu o Justo na cabeça, que deste modo sofreu o martírio. Foi sepultado num lugar próximo do Templo, onde ainda hoje — diz Hegésipo — é possível ver a sua lápide”, disse. "Homem justo, cheio de sabedoria, fazedor de comunhão; homem de oração e de fé viva"assim define D. Nuno Brás, em traços gerais, a personalidade do Santo padroeiro do Funchal. "Ao mesmo tempo que hoje nos voltamos a confiar à sua intercessão, fazendo nosso o tradicional gesto de entrega do Funchal e seus habitantes nas mãos de S. Tiago, confiando-lhe a proteção de quantos habitam a nossa e sua cidade, peçamos-lhe que nos ajude a progredir no caminho da fé — da fé viva, quer dizer: da fé que se expressa na vida, nas obras do quotidiano", conclui o Bispo do Funchal, apelando a que peçamos "ainda a graça de, no meio de tantas discórdias próprias da 'cidade dos homens', construirmos comunhão entre todos, na justiça e na sabedoria."