Bispo para novos sacerdotes: “O Senhor passará por vós. Irá entregar-vos o seu amor como missão: acolhei-O”

O bispo do Funchal disse hoje aos novos sacerdotes da diocese que “o Senhor Jesus entrega-vos o seu testamento, como fez naquela noite de Quinta-feira Santa aos que com Ele tinham participado da Última Ceia e recebido o ministério apostólico”...

Bispo para novos sacerdotes: “O Senhor passará por vós. Irá entregar-vos o seu amor como missão: acolhei-O”
O bispo do Funchal disse hoje aos novos sacerdotes da diocese que “o Senhor Jesus entrega-vos o seu testamento, como fez naquela noite de Quinta-feira Santa aos que com Ele tinham participado da Última Ceia e recebido o ministério apostólico” e salientou que “A Sua Palavra — a Palavra que nos vem de Deus, a Palavra que é Deus — ultrapassa as barreiras do espaço e do tempo para se tornar acontecimento hoje, aqui, nas vossas vidas, nas nossas vidas” na homilia da ordenação de André Pinheiro e Marco Augusto, na Sé do Funchal. Sublinhando que “hoje o Senhor confia-vos, faz-vos participantes do seu único sacerdócio. Ele torna-vos Sua presença, aqueles por meio de quem o amor divino se torna visível, atuante, graça a jorrar para a Igreja e o mundo. Aqueles para quem os cristãos e o mundo devem poder olhar e descobrir o amor do Pai presente, acessível, próximo de todos” disse D. Nuno Brás aos ordinandos. Na homilia enviada ao Jornal, o responsável diocesano explicou aos novos sacerdotes que “ao sacerdócio ministerial cabe hoje (como em qualquer outra época da história), antes de mais, a tarefa de recusar a separação entre a Igreja e Jesus Cristo. “Tal como o Pai me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor”: ao sacerdócio ministerial cabe a tarefa de recordar, de ser presença viva e exigente desta centralidade do amor do Pai”. Elucidou ainda que “um Padre é a presença do amor — daquele “amor maior”, do amor crucificado, único a poder dar a vida: “assim como o Pai me amou, também Eu vos amei: permanecei no meu amor”. Ao mundo inteiro, e em particular àqueles que nos estão confiados, às nossas comunidades, cabe-nos a tarefa de recordar (pela nossa vida e pelas nossas palavras) que o amor verdadeiro e maior não o podemos nós criar ou inventar: é antes vida recebida do Pai, dom imerecido, que apenas podemos agradecer (“eucaristiar”) e, com a força da graça divina, procurar corresponder”. Numa homilia centrada nos versículos do capítulo 15 do evangelho de S. João “Tal como o Pai me amou, também Eu vos amei: permanecei no meu amor”, o prelado disse, “que estas palavras como dirigidas de um modo particular a vós, queridos ordinandos, amigos de Deus (mas são-nos dirigidas também a nós, a todos!) transformar-se-á, em vós, na vossa vida, dentro de momentos, em missão, tarefa e serviço irrecusáveis (sem vos retirar nunca a alegria — pelo contrário!). O Senhor passará por vós. Irá entregar-vos o seu amor como missão: acolhei-O. Com a Sua graça, procurai corresponder-lhe e torná-lo presente ao longo de toda a vossa vida, para o bem da Igreja, para a salvação do mundo”. “Convosco alegra-se hoje toda a Igreja. Em vós vemos hoje claramente como o amor de Deus não é imaginação nem sonho. É vida concreta, sacramento, homens transformados em sua presença para sempre!” acrescentou. D. Nuno Brás refletiu também sobre “Em que consiste o amor?”. Numa referência aos Doze, presentes na Última Ceia, onde “Jesus deixa, por três vezes, o mandamento do amor — do amor como Ele amou”. O bispo diocesano percorreu os pontos essenciais como “permanecer no amor” indicando que “Podemos amar como Jesus e permanecer nesse amor porque, em primeiro lugar, somos amados e, desse modo, aprendemos a amar: “Permanecei no meu amor”. Amar é acolher e permanecer no amor divino”.  Assegurando que é também a “guardar os mandamentos”. Que “é ter a atitude de filho; é deixar-nos formar, conformar, pelo amor de Deus em nós, pelo amor do Pai com que Jesus nos ama. Só assim — apenas se for Ele a amar em nós — podemos amar como Ele nos amou. E nisso, nessa obediência, consiste, diz Jesus, a alegria. E nela consiste também o “amor maior”, quer dizer, aquele amor que é próprio de Deus: “não há amor maior do que dar a vida pelos amigos”. Noutro ponto desta reflexão, dar a vida na ordem da redenção “significa também encarnar, identificar-se com os homens até viver o drama da morte como eles, com eles e por eles. “Deus demonstra assim o seu amor para connosco: quando éramos ainda pecadores, foi então que Cristo morreu por nós” — afirma o Apóstolo Paulo (Rom 5,8)”, observou. Os novos sacerdotes, André Pinheiro é natural do Funchal e Marco Augusto do Curral das Freiras. Amanhã, André Pinheiro celebra, a sua Missa nova na igreja paroquial de Santo António, às16h00. Marco Augusto vai celebrar a eucaristia na sua terra natal, no Curral das Freiras, habitualmente apelidada de ‘Missa Nova’, no domingo, dia 4 de agosto, às 16h00, oito dias depois da Ordenação.