Bloco de Esquerda: “Discurso do inimigo externo é manobra de diversão”

O Bloco de Esquerda esteve ontem em ação de campanha junto do Mercado dos Lavradores para salientar que os “inimigos” da Povo da Madeira estão no “Governo Regional e nas empresas protegidas pelo PSD” e não no exterior, disse Paulino Ascenção....

Bloco de Esquerda: “Discurso do inimigo externo é manobra de diversão”
O Bloco de Esquerda esteve ontem em ação de campanha junto do Mercado dos Lavradores para salientar que os “inimigos” da Povo da Madeira estão no “Governo Regional e nas empresas protegidas pelo PSD” e não no exterior, disse Paulino Ascenção. O coordenador recorda uma altura em que “estudava e ouvia, entre outros impropérios, acusações de Jardim de inimigos da Madeira, em Lisboa que exploravam os madeirenses”. E complementa: “a minha mãe reagia que os exploradores que sempre conheceu toda a vida, viviam ali mesmo na freguesia (do Porto da Cruz), não eram de fora”. Paulino Ascenção esclarece que os “exploradores do Povo eram os senhorios que levavam metade – a melhor metade – de tudo o que produziam os agricultores, como renda pelo uso da terra, no regime da colonia. Depois da Autonomia, a UDP quis resolver essa herança antiga e dar a terra a quem a trabalhava, mas o PSD impediu que assim fosse, protegeu os senhorios donos da terra e exploradores do Povo”. “Após tantas gerações a pagar com metade do fruto do seu trabalho, um trabalho semi-escravo, as terras estavam mais que pagas, nada era devido aos senhorios”, acrescenta. Segundo o coordenador do partido, o “discurso do inimigo externo não é mais que uma manobra de diversão para o PSD fugir as responsabilidades, pelos índices de pobreza, pela falta de oportunidades para a generalidade dos jovens que se vêm obrigados a emigrarem para ganharem o seu sustento”. Salientou que o “custo de vida elevado e os portos mais caros da Europa”, foram decididos na Madeira. “O PS, o PSD e o CDS reclamam mais concorrência nos transportes aéreos, mas não enxergam o monopólio nas ligações marítimas, aí já não lhes interessa a falta de concorrência”, acrescentou. Paulino Ascenção disse ainda que “se a Zona Franca serve para dar milhões ao grupo Pestana em vez de criar empregos e diversificar a economia, a responsabilidade não é externa”; “Esta é a grande mentira do PSD ao longo dos anos, não defende os madeirenses, defende sim esta elite que enriqueceu à sombra do orçamento regional. Quem não é filho ou afilhado dessas famílias, nem dos antigos governantes do PSD, tem a sua vida na Madeira muito condicionada e para ter futuro tem de emigrar”, lamentou. Paulino Ascenção garantiu, por último, que o objetivo do BE é “construir a madeira para todos e não só para alguns”.