Brexit: Encontros de David Frost em Bruxelas foram "reuniões introdutórias"

A Comissão Europeia precisou hoje que as reuniões entre o assessor de Assuntos Europeus do primeiro-ministro britânico e funcionários comunitários integram-se numa “prática corrente” quando um novo emissário chega a Bruxelas, sem adiantar mais...

Brexit: Encontros de David Frost em Bruxelas foram "reuniões introdutórias"
A Comissão Europeia precisou hoje que as reuniões entre o assessor de Assuntos Europeus do primeiro-ministro britânico e funcionários comunitários integram-se numa “prática corrente” quando um novo emissário chega a Bruxelas, sem adiantar mais detalhes sobre os encontros. A porta-voz chefe do executivo comunitário indicou que David Frost esteve reunido hoje de manhã com a secretária-geral interina da Comissão Europeia, Ilze Juhansone, e na noite de quarta-feira com a chefe de gabinete do presidente Jean-Claude Juncker, Clara Martínez Alberola. “Foram reuniões introdutórias, que são uma prática corrente" quando chega a Bruxelas um novo representante de um Estado-membro, resumiu Mina Andreeva. Sem querer adiantar outros detalhes, a porta-voz limitou-se a referir que ambos os funcionários reiteraram a “bem conhecida” posição da União Europeia, de não renegociar o Acordo de Saída firmado em novembro por Bruxelas e a anterior primeira-ministra britânica, Theresa May. “Ficaremos a aguardar novos contactos”, declarou ainda, esclarecendo que não há nenhuma reunião agendada entre o presidente da Comissão Europeia e Boris Johnson, mas que a cimeira do G7, que terá lugar entre 24 e 26 de agosto em Biarritz, França, será uma boa oportunidade para os dois líderes se encontrarem. O assessor para os Assuntos Europeus do primeiro-ministro britânico, David Frost, viajou na quarta-feira para Bruxelas para se encontrar com funcionários da Comissão Europeia e comunicar o desejo de ver removida do acordo do ‘Brexit' a solução para a Irlanda do Norte. A mensagem, que resume a posição de Johnson sobre o ‘Brexit’, é a seguinte: "O Reino Unido vai sair da UE em 31 de outubro quaisquer que sejam as circunstâncias. Vamos trabalhar energicamente para conseguir um acordo, mas a solução [‘backstop’] deve ser suprimida. Se não conseguirmos chegar a um acordo, teremos, evidentemente, de sair da UE sem um acordo". A solução de último recurso, designada por ‘backstop', consiste em criar um "território aduaneiro comum", abrangendo a UE e o Reino Unido, no qual não haveria quotas ou tarifas para produtos industriais e agrícolas. Este mecanismo só entraria em vigor após o período de transição previsto para se prolongar até ao final de 2020 caso não fosse encontrado outro mecanismo, mas Boris Johnson considera que é "antidemocrática" porque sujeita o Reino Unido a regras da UE por um tempo indeterminado. A solução foi introduzida no Acordo de Saída negociado pelo governo de Theresa May com Bruxelas para salvaguardar esta liberdade de circulação de bens na fronteira com a Irlanda prevista nos acordos de paz para a Irlanda do Norte e preservar a integridade do mercado único europeu. Boris Johnson tem defendido as substituições por formas alternativas de controlo aduaneiro e sanitário afastadas das fronteiras, mas a UE alega que não existem meios tecnológicos disponíveis para usar na fronteira irlandesa, a única terrestre entre o Reino Unido e a UE. Numa conversa telefónica na quinta-feira passada, um dia após a tomada de posse do sucessor de Theresa May, o presidente da Comissão Europeia reiterou junto de Boris Johnson que o Acordo do ‘Brexit' firmado entre Bruxelas e Londres é "o melhor e o único" possível para a União Europeia. Na terça-feira, uma porta-voz de Boris Johnson disse que este não pretendia encontrar-se com líderes europeus para discutir o ‘Brexit' enquanto a posição sobre o Acordo não mudasse. Horas depois, o primeiro-ministro britânico disponibilizou-se a dialogar com a UE, mas reiterou que o Acordo de Saída "está morto" e que pretende um "novo".