Bruxelas pede investigação “sem interferência política” à morte de jornalista em Malta

A investigação ao assassínio da jornalista maltesa Daphne Caruana Galizia deve ser realizada “sem interferência política”, advertiu hoje a comissária europeia da Justiça, Vera Jurova, num telefonema para o ministro da Justiça maltês. A advertência...

Bruxelas pede investigação “sem interferência política” à morte de jornalista em Malta
A investigação ao assassínio da jornalista maltesa Daphne Caruana Galizia deve ser realizada “sem interferência política”, advertiu hoje a comissária europeia da Justiça, Vera Jurova, num telefonema para o ministro da Justiça maltês. A advertência da comissária foi conhecida horas depois de a chefe da missão do Parlamento Europeu (PE) a Malta ter manifestado dúvidas quanto à credibilidade do governo neste processo. Vera Jurova, que é igualmente vice-presidente da Comissão Europeia, “manifestou a sua preocupação com a situação em Malta” e “insistiu que o inquérito deve ser conduzido até ao fim sem nenhuma interferência política”, disse um porta-voz sobre a conversa telefónica, que ocorreu na segunda-feira. O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, é acusado de intervir no processo para proteger o seu ex-chefe de gabinete, Keith Schembri, implicado na investigação. No domingo, depois de sucessivos protestos nas ruas exigindo a sua demissão, o primeiro-ministro anunciou que abandona o cargo em janeiro, mas a decisão não satisfaz a família da jornalista nem a oposição, que querem o afastamento imediato de Joseph Muscat. Na semana passada, o Parlamento Europeu (PE) anunciou o envio de uma missão urgente a Malta para avaliar o cumprimento do Estado de Direito no país. Sophia in’t Veld, a eurodeputada holandesa que chefia a missão, disse hoje à imprensa em La Valetta após um encontro com o primeiro-ministro maltês que considera “difícil perceber como pode ser mantida a credibilidade do executivo”: “Não saio desta reunião mais confiante, devo dizer”. “Em política, espera-se confiança, integridade. Não formalidades”, disse a eurodeputada à imprensa, à frente de dezenas de pessoas que se manifestavam junto à sede do governo para exigir a demissão do primeiro-ministro. “Deixámos claro que há um problema. Isto não é apenas entre o primeiro-ministro e o povo maltês, é entre Malta e a União Europeia (UE)”, acrescentou, assegurando que a confiança entre ambos “foi seriamente atingida”. Daphne Caruana Galizia, que investigava casos de corrupção na elite política e empresarial do país, foi morta a 16 de outubro de 2017 com um engenho explosivo colocado no seu automóvel. O Parlamento Europeu tem poder para lançar um procedimento sancionatório contra um Estado-membro da União Europeia (UE) que não respeite o Estado de Direito, como fez em relação à Hungria em 2018.