CDS propõe "uma evolução cultural na forma como se trata a cultura e a gestão cultural na Região"

Gonçalo Santos, coordenador do CDS/M para a área da Cultura, anunciou na manhã desta terça-feira algumas das propostas do partido que constam do programa do governo. A cultura é "um pilar estratégico para o desenvolvimento integral da Região"...

CDS propõe "uma evolução cultural na forma como se trata a cultura e a gestão cultural na Região"
Gonçalo Santos, coordenador do CDS/M para a área da Cultura, anunciou na manhã desta terça-feira algumas das propostas do partido que constam do programa do governo. A cultura é "um pilar estratégico para o desenvolvimento integral da Região" e por isso o CDS dedica ao assunto um capítulo do programa que irá sufragar junto do eleitorado nas eleições regionais de 22 de setembro. O responsável do partido pela área Cultural, Gonçalo Santos, deu a conhecer esta terça-feira algumas das ideias que constam do manifesto eleitoral, assinalando que "os agentes culturais não podem ser tratados como um apêndice para turista ver". As propostas do CDS para o sector não são "uma revolução cultural" porque o partido "não é dado a revoluções", mas antes "uma evolução cultural na forma como se trata a cultura e a gestão cultural na Região", diz. Gonçalo Santos resumiu algumas das ideias que o CDS irá apresentar ao eleitorado. Atingir no prazo de uma legislatura (quatro anos) 1% do PIB para a cultura. Valorizar o papel dos agentes culturais concedendo-lhes condições para a profissionalização. Desenvolver esforços que permitam levar a cultura da Madeira para o exterior. Separar a gestão do património da cultura. Promover o mapeamento de toda a atividade cultural desenvolvida na Região de onde deverá resultar um plano estratégico cultural. Criação do Instituto da Cultura da Região Autónoma da Madeira. Definição de um critério, claro e transparente, de apoio aos agentes culturais e associações que levem a cultura para fora da Região. Criação do Centro de Estudo das Migrações, que deverá ser ligado ao futuro Museu da Emigração. Transformar o Madeira Tecnopólo numa sala de espetáculos multiusos. "Atingir 1% do PIB na cultura é uma reivindicação antiga, justa dos agentes culturais, que faz sentido", referiu Gonçalo Santos, mencionado que o valor é para ser atingido no prazo de uma legislatura. O papel do futuro Instituto da Cultura é "desburocratizar, criar ligações, facilitar o trabalho dos agentes culturais porque aquilo que muitas vezes se nota é excesso de burocracia e falta de critério nos processos de apoio", frisou. O levantamento da atividade cultural da Região deverá ser feito por uma entidade de relevo, de acordo com Gonçalo Santos. "É para nós essencial", disse. "Nós não podemos intervir sobre aquilo que não conhecemos. Aquilo que notamos na Madeira é que em muitas áreas há pouco conhecimento daquilo que se faz. Quem faz o quê? Onde se faz? Quais são as mais-valias? A ideia é que depois do mapeamento tenhamos condições de fazer um plano estratégico para a cultura." Quanto ao Centro de Estudos das Migrações, o responsável do CDS entende que sendo a Madeira uma terra de emigrantes, a ideia tem pernas para andar. "Nós não percebemos que se faça o Museu do Romantismo e se esqueça o Museu da Diáspora Madeirense, que para nós seria relevante, mas mais relevante ainda é ligar esse centro a um instituto que estude o fenómeno emigratório, que poderia fazer da Madeira um espaço de referência na área das migrações." Gonçalo Santos tem uma posição crítica em relação à forma como se desenvolve a cultura na Região, em particular a ausência de critérios na atribuição dos apoios, e mostra-se surpreendido porque diz não entender como é que o atual presidente do executivo, Miguel Albuquerque, que teve um papel central na celebração dos 500 anos do Funchal, não tenha conseguido trazer para o executivo a dinâmica empreendida em 2008.