“Ciência em Portugal é sustentada por precariedade”

Os bolseiros de investigação científica da Região Autónoma da Madeira estão insatisfeitos, exaltando que “a ciência em Portugal é sustentada por esta precariedade”, referindo-se às condições que auferem, ou seja, “nada”, conforme deram conta...

“Ciência em Portugal é sustentada por precariedade”
Os bolseiros de investigação científica da Região Autónoma da Madeira estão insatisfeitos, exaltando que “a ciência em Portugal é sustentada por esta precariedade”, referindo-se às condições que auferem, ou seja, “nada”, conforme deram conta na manhã desta terça-feira. Maria João Carvalho falou pelos bolseiros à comunicação social, referindo que “somos considerados precários e mesmo abaixo dos precários, pois estes eram conhecidos como tendo recibos verdes e nós nunca tivemos um contrato de trabalho na vida”. Os números não oficiais apontam para 150 a 200 pessoas nestas condições, com a interlocutora a referir que “somos pessoas com 30 / 40 anos de idade, a trabalhar há 10 anos desta forma precária e sem contrato de trabalho”. Lembra que “somos pessoas formadas, com licenciatura, mestrado e doutoramento, pessoas extremamente especializadas e sempre, continuamente, em forma de avaliação, seja nos concursos, seja num artigo científico que submetemos…” Ora, “somos designados de bolseiros porque recebemos uma bolsa ao final do mês, não temos qualquer regalia como aquelas que advêm de qualquer contrato de trabalho: proteção no desemprego, saúde, baixa médica, não temos direito a pedir um empréstimo para comprar uma casa porque no banco não somos vistos como trabalhadores normais, aliás, em lado nenhum…”, lembrando que “os bolseiros de investigação, desde que existem que estão nesta situação” e reiterando que “aqui, na Universidade da Madeira, existem pessoas há 10 anos nesta situação”. Diz que são “pessoas com filhos, casas para pagar… acaba uma bolsa, nós ficamos completamente sem nada, sem qualquer apoio. Fazemos descontos para o seguro social voluntário, o que não nos dá direito a nada. Talvez para reforma, um dia…” Maria João Carvalho exalta que “levamos o nome de Portugal, da Região e da Universidade da Madeira aos congressos científicos e outra sinstituições… no entanto, não somos ninguém para eles”, frisando que “atenção, deveres temos, igual a qualquer outro trabalhador. Direitos, não temos absolutamente nada”. Em forma de lamento, constata que “somos os precários que sustentamos toda a esta ciência em Portugal “, reforçando que “a ciência em Portugal é sustentada por esta precariedade”. Diz que “todo o Portugal está nesta situação” mas a situação na Madeira, quiçá por falta de alternativas, torna a situação mais agoniante: “nós infelizmente na Madeira, só temos poucas instituições para poder fazer o nosso trabalho E não somos apenas pessoas que acabaram agora o curso, somos pessoas perto dos 40 nesta situação”.     Secretário de Estado vai analisar O grupo fez-se representar por mais de uma dezena de bolseiros, trajando de negro, à porta da Reitoria da UMa, aguardando dela chegada do secretário de Estado da Investigação e Ensino Superior, que hoje se encontra de visita oficial à Madeira. Conseguiu chegar à fala com João Sobrinho Teixeira, a quem entregaram um documento com as respetivas reivindicações. “Vou ver isso, é o meu compromisso. Analisar de facto aquilo que são as vossas pretensões. O que pode haver aqui, ou não, de incongruência, e depois aquilo que for possível fazer na atual legislatura, mediante a análise daquilo que nos parecerá razoável e justo, tudo faremos. Se não, passarei à próxima pasta, mas o espírito, quer do Ministério que do Governo, foi exatamente caminharmos para o emprego científico qualificado e para acabramos com a eternização de bolsas”, foi o que ouviram do governante, que à comunicação social escusou-se a mais pormenores: “não me vou pronunciar sem analisar o que é que se está a passar e depois falarei”, prometendo dar uma resposta ao grupo.