Colômbia encerra fronteiras devido aos protestos previstos para 21 de novembro

O Governo colombiano irá adotar um conjunto de medidas, incluindo o encerramento das fronteiras, para manter a ordem pública na próxima quinta-feira, dia em que está convocado um movimento nacional de protesto, anunciou hoje a ministra do Interior....

Colômbia encerra fronteiras devido aos protestos previstos para 21 de novembro
O Governo colombiano irá adotar um conjunto de medidas, incluindo o encerramento das fronteiras, para manter a ordem pública na próxima quinta-feira, dia em que está convocado um movimento nacional de protesto, anunciou hoje a ministra do Interior. Numa reunião com a imprensa estrangeira, Nancy Gutiérrez adiantou que o Governo respeita o direito ao protesto, convocado por sindicatos e movimentos sociais para 21 de novembro como uma "greve nacional", mas está muito atento à situação desde que começou "a encontrar mensagens nas redes sociais a apelar à violência". A ministra explicou que está a ser estudado um decreto para que presidentes das câmaras municipais e governadores, se considerarem necessário, adotem medidas especiais nas suas jurisdições para manter a ordem pública, como a restrição ao porte de armas ou o toque de recolher obrigatório. "Quando há incitação à violência, as autoridades têm a obrigação de reagir", disse Gutiérrez acerca das medidas de ordem pública, criticadas por alguns setores, por considerar ser melhor precaver um eventual surto de violência antes que as forças de segurança sejam apanhadas de surpresa, como aconteceu nas últimas manifestações de estudantes universitários em Bogotá e noutras cidades. Segundo a ministra do Interior, há "pessoas muito preocupadas pelo que tem acontecido noutros países" nas últimas semanas, em referência à violência no Chile e na Bolívia, e por "ameaças" de terceiros, como do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e do presidente da Assembleia Constituinte do mesmo país, Diosdado Cabello. "Fizeram algumas ameaças intimidatórias à Colômbia e ao Governo, mas estamos definitivamente preparados para garantir a segurança e a ordem pública no nosso país", afirmou. Gutiérrez recordou que, nos últimos dias, foram expulsos do país pelo menos 15 estrangeiros, principalmente venezuelanos, após os serviços de inteligência terem detetado "que se encontravam em território colombiano a incitar à violência". Sobre o encerramento das fronteiras terrestres, "não está definido por quanto tempo", concluiu a ministra. A Colômbia faz fronteira com Venezuela, Equador, Peru, Brasil e Panamá, mas a fronteira mais longa é com o primeiro deste grupo de países, com 2.219 quilómetros. Os sindicatos que convocaram a mobilização da próxima quinta-feira disseram que irão sair às ruas para contestar o "pacote" de reformas do Presidente colombiano, Iván Duque. Para as organizações sindicais, as reformas pretendem acabar com o fundo estatal de pensões, aumentar a idade da reforma e contratar jovens com ordenados inferiores ao salário mínimo, entre outras medidas que o próprio Presidente afirma não terem sido propostas pelo seu Governo. Outros setores sociais irão aliar-se à mobilização para contestar o acordo de paz do Governo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o assassínio de indígenas e líderes sociais, a corrupção e as privatizações, e alegados incumprimentos dos compromissos do Governo em matéria de recursos para a educação. A ministra Gutiérrez, por seu lado, afirma a existência de "setores da oposição que querem desestabilizar o país e o Governo". Num país altamente polarizado a nível político como a Colômbia, as redes sociais estão a ser incendiadas por polémicas entre apoiantes do protesto de quinta-feira e opositores do mesmo.