Coreia do Norte considera Donald Trump um "velho desatento e errático"

A Coreia do Norte respondeu hoje ao Presidente norte-americano considerando-o um "velho desatento e errático", depois de Donald Trump ter avisar que Kim Jong-un arrisca-se a "perder tudo" se adotar uma postura de hostilidade em relação aos...

Coreia do Norte considera Donald Trump um "velho desatento e errático"
A Coreia do Norte respondeu hoje ao Presidente norte-americano considerando-o um "velho desatento e errático", depois de Donald Trump ter avisar que Kim Jong-un arrisca-se a "perder tudo" se adotar uma postura de hostilidade em relação aos EUA. Em comunicado, Kim Yong Chol, um alto responsável norte-coreano e ex-negociador do dossier nuclear, indicou que a Coreia do Norte não cederia à pressão dos Estados Unidos, porque não tem nada a perder e acusou o governo de Trump de tentar ganhar tempo no prazo, até ao final do ano, estabelecido pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, para Washington salvar as negociações sobre o nuclear. "Kim Jong-un é muito inteligente e tem muito a perder, tudo na verdade, se agir de forma hostil. Assinou um forte acordo de desnuclearização comigo em Singapura. Não quer comprometer o seu relacionamento especial com o Presidente dos Estados Unidos ou interferir nas eleições presidenciais dos EUA em novembro", escreveu no domingo Donald Trump na sua conta da rede social Twitter. "A Coreia do Norte, sob a liderança de Kim Jong-un, tem um enorme potencial económico, mas deve desnuclearizar conforme prometido", acrescentou Trump. O Presidente norte-americano referia-se a uma declaração dos dois líderes após a sua primeira cimeira em Singapura, em junho passado, em que pedia uma península coreana livre de armas nucleares sem descrever quando ou como isso ocorreria. O alto responsável Kim Yong Chol disse que os 'tweets' de Trump mostram claramente que é um velho irritado "desprovido de paciência". "Como (Trump) é um velho tão desatento e errático, pode chegar o momento em que não podemos deixar de chamá-lo 'dotard' [uma pessoa idosa] novamente", salientou Kim Yong Chol. "Há muitas coisas que Trump não conhece (sobre a Coreia do Norte). Não temos mais nada a perder. Embora, os EUA possam tirar algo mais de nós, nunca podem tirar o forte senso de respeito próprio, poder e ressentimento contra os EUA de nós", acrescentou. As declarações de Trump surgiram depois de a Coreia do Norte ter confirmado a realização de um "teste muito importante" na tarde de sábado, no Campo de Lançamento do Satélite Sohae. Os resultados dos testes terão "um efeito importante na mudança da posição estratégica (...), mais uma vez num futuro próximo", sublinhou a Agência Central de Notícias da Coreia. O teste ocorreu numa altura em que a Coreia do Norte tem aumentado a pressão sobre os EUA para fazer concessões no âmbito das negociações nucleares que não têm conhecido qualquer desenvolvimento após a cimeira falhada entre o líder norte-coreano e o presidente dos Estados Unidos, em Hanói. A ONU proibiu a Coreia do Norte de lançar satélites porque tal é considerado um teste da tecnologia de mísseis de longo alcance. Após repetidas falhas, a Coreia do Norte conseguiu colocar um satélite em órbita pela primeira vez em 2012, num lançamento que ocorreu no mesmo local. A Coreia do Norte teve outro lançamento bem-sucedido de satélite em 2016. Nas Nações Unidas, numa declaração divulgada pelo embaixador da Coreia do Norte na ONU, sublinhou-se que a desnuclearização "já havia saído da mesa de negociações", sendo que foi dado um prazo até ao final de ano, estabelecido pelo líder Kim Jong-un, para concessões substanciais dos EUA ao nível da diplomacia nuclear. O Presidente dos EUA foi acusado de perseguir persistentemente uma "política hostil" pelo embaixador norte-coreano, que frisou ainda que as declarações de Washington são motivadas apenas pela "sua agenda política doméstica". A declaração de Kim Song foi uma resposta à condenação de seis países europeus, na quarta-feira, dos 13 lançamentos de mísseis balísticos da Coreia do Norte realizados desde maio. O representante norte-coreano na ONU acusou os europeus - França, Alemanha, Grã-Bretanha, Bélgica, Polónia e Estónia - de desempenharem "o papel de cão de estimação dos Estados Unidos nos últimos meses", considerando a posição destas nações como "mais uma provocação séria".