"Cultura tem sido o parente pobre destes 40 anos de governação"

A deputada Luísa Paolinelli afirmou, hoje, que «a Cultura tem sido o parente pobre destes 40 anos de governação na Região». A parlamentar defendeu a existência de um Fundo de Ação Cultural na Região, à semelhança do que acontece nos Açores...

A deputada Luísa Paolinelli afirmou, hoje, que «a Cultura tem sido o parente pobre destes 40 anos de governação na Região». A parlamentar defendeu a existência de um Fundo de Ação Cultural na Região, à semelhança do que acontece nos Açores e, por outro lado, entende que tem de ser revista a Lei do Mecenato. Outra das ideias defendidas é aproveitar a zona norte (por exemplo o centro cívico do Porto da Cruz) para alocar uma direção da Cultura, sendo esta uma forma de descentralizar o acesso à cultura, criar emprego e dinamizar a oferta local. Luísa Paolinelli referiu que, a par da Cultura, a Ciência é o outro parente pobre na Região. Tal como afirmou, da parte dos governos socialistas tem havido um grande investimento na Ciência e Tecnologia, mas a Região Autónoma da Madeira pouco seguiu esse caminho (excetuando-se a criação do Madeira Interactive Technologies Institute e da Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Investigação). O artista plástico e docente Diogo Goes foi outro dos oradores convidados no painel sobre "Cultura e Igualdade", tendo criticado a forma como tem sido conduzido o setor da Cultura pelo Governo Regional. Diogo Goes foi incisivo ao dizer que «não basta saber tocar piano e dançar o bailinho em vésperas de eleições para tecer argumentos para aquilo que é a cultura». O preletor acusou o Executivo de estar a iludir os eleitores e criticou que se tem vindo a confundir a cultura com entretenimento e atração turística. Para o artista plástico, a cultura está entregue a amadores, sendo necessário promover e apontar soluções para o futuro. No que diz respeito aos museus, o artista plástico defendeu que há que os dotar de mais ferramentas financeiras e que devem ter maior autonomia na sua gestão. Além disso, é da opinião que os museus devem ser de acesso gratuito. A descentralização cultural, envolvendo as comunidades, foi outra das ideias apontadas por Diogo Goes. Desigualdades não podem ser tratadas como normais Por seu turno, a deputada Elisa Seixas abordou a questão das desigualdades, concretamente as situações de injustiça que as mesmas promovem. «Interessa sacudir a tentação de tratarmos as desigualdades como normais e inevitáveis», advertiu. A parlamentar apontou a condição socioeconómica, o género, a etnia/nacionalidade e a idade como os principais fatores causadores de desigualdade. Na ótica de Elisa Seixas, as políticas de igualdade exigem um trabalho contínuo e a diferentes níveis. Apontou a importância de olhar e caminhar em direção ao futuro, sempre com o propósito de «não deixar ninguém para trás».