Danilo Matos critica Governo e Câmara do Funchal por causa da obra na ribeira de Santa Luzia

Danilo Matos manifestou-se hoje, nas redes sociais, desiludido com a Câmara Municipal do Funchal e com a Direção Regional da Cultura por terem cedido ao Governo Regional relativamente à obra no troço final da Ribeira de Santa Luzia, entre as duas pontes, a do Bettencourt e a D. Manuel.   "O crime está feito. A história não perdoa, leve o tempo que levar. O que se fez às muralhas de pedra e cal das ribeiras da cidade vai ficar na história como um dos maiores crimes patrimoniais cometidos", declara na conclusão de um longo texto ilustrado com várias fotos, umas da obra em curso e outras de antevisão do que está a ser feito.   O engenheiro civil, que foi mandatário da candidatura da Coligação Confiança, há muito que tem sido uma voz crítica relativamente à intervenção em curso nas ribeiras do Funchal que põem em causa o legado de Reinaldo Oudinot.   Conforme refere no ponto quatro de uma longa exposição, que publicou esta sexta-feira no Facebook, "o troço em questão com 190 metros, estava classificado como Património de Interesse Regional e como tal "não podia, em circunstâncias nenhumas, ser destruído". "É o que resta de uma herança já quase desaparecida que Reinaldo Oudinot nos deixou. Foi das primeira muralhadas a ser construída, depois da aluvião de 09 de outubro de 1803, sob a direcção pessoal do Mestre, que infelizmente morreu 3 anos depois de cá chegar para uma missão que salvou a cidade", sublinha.  Danilo Matos recorda que sempre defendeu que "pelo menos aquele troço fosse respeitado e pudesse ser perpetuado e transformado numa espécie de Memorial aos milhares de cidadãos da ilha que durante 600 anos foram vítimas das condições adversas onde ousaram construir uma cidade, considerada como a primeira feita por europeus fora da Europa", algo que considera ser "uma honra" e "um orgulho histórico". Sobre a obra em concreto, o engenheiro civil diz que "está a ser escavado o leito natural da ribeira, fixem bem - o leito natural da ribeira, em plena baixa da cidade, uma burrice do tamanho do Pico Ruivo, agravado pelo facto dessa escavação, na profundidade de 3,40m atingir, em quase todo o percurso, a cota média das águas do mar". "Vamos ter salinidade até ao Bazar do Povo e uma cunha salina que pode ser galgada com as consequências que cientistas, como João Baptista, têm alertado", reforça. Danilo Matos lança uma farpa à secretária regional do Ambiente e das Alterações Climáticas, Susana Prada, questionando se a governante "dispensou, aquando do projecto inicial, a avaliação de impacto ambiental que era obrigatória". "Esta obra associada à que foi feita na Ribeira de João Gomes até à ponte do mercado - mais a outra asneira da junção das fozes das duas ribeiras - vão provocar uma situação que ninguém quer avaliar. O que vai acontecer é que, dentro de poucos anos, vamos ter novamente duas fozes, cada ribeira com a sua, em pleno casco histórico da cidade. Só que agora longe de uma coisa fundamental que é a dinâmica da ondulação da orla marítima, das marés, dos movimentos de fluxo e refluxo", avisa. Danilo Matos lembra ainda que o resto da muralha é suposto ficar em pedra e diz que fica a aguardar pela decisão da Câmara Municipal relativamente à classificação patrimonial atribuída. "Vamos aguardar. Como vamos aguardar a posição da Câmara sobre a ponte pedonal que o governo quer impor, uma tentativa para branquear as asneiras que fizeram, porque não faz sentido nenhum", afirma.      

Danilo Matos critica Governo e Câmara do Funchal por causa da obra na ribeira de Santa Luzia
Danilo Matos manifestou-se hoje, nas redes sociais, desiludido com a Câmara Municipal do Funchal e com a Direção Regional da Cultura por terem cedido ao Governo Regional relativamente à obra no troço final da Ribeira de Santa Luzia, entre as duas pontes, a do Bettencourt e a D. Manuel.   "O crime está feito. A história não perdoa, leve o tempo que levar. O que se fez às muralhas de pedra e cal das ribeiras da cidade vai ficar na história como um dos maiores crimes patrimoniais cometidos", declara na conclusão de um longo texto ilustrado com várias fotos, umas da obra em curso e outras de antevisão do que está a ser feito.   O engenheiro civil, que foi mandatário da candidatura da Coligação Confiança, há muito que tem sido uma voz crítica relativamente à intervenção em curso nas ribeiras do Funchal que põem em causa o legado de Reinaldo Oudinot.   Conforme refere no ponto quatro de uma longa exposição, que publicou esta sexta-feira no Facebook, "o troço em questão com 190 metros, estava classificado como Património de Interesse Regional e como tal "não podia, em circunstâncias nenhumas, ser destruído". "É o que resta de uma herança já quase desaparecida que Reinaldo Oudinot nos deixou. Foi das primeira muralhadas a ser construída, depois da aluvião de 09 de outubro de 1803, sob a direcção pessoal do Mestre, que infelizmente morreu 3 anos depois de cá chegar para uma missão que salvou a cidade", sublinha.  Danilo Matos recorda que sempre defendeu que "pelo menos aquele troço fosse respeitado e pudesse ser perpetuado e transformado numa espécie de Memorial aos milhares de cidadãos da ilha que durante 600 anos foram vítimas das condições adversas onde ousaram construir uma cidade, considerada como a primeira feita por europeus fora da Europa", algo que considera ser "uma honra" e "um orgulho histórico". Sobre a obra em concreto, o engenheiro civil diz que "está a ser escavado o leito natural da ribeira, fixem bem - o leito natural da ribeira, em plena baixa da cidade, uma burrice do tamanho do Pico Ruivo, agravado pelo facto dessa escavação, na profundidade de 3,40m atingir, em quase todo o percurso, a cota média das águas do mar". "Vamos ter salinidade até ao Bazar do Povo e uma cunha salina que pode ser galgada com as consequências que cientistas, como João Baptista, têm alertado", reforça. Danilo Matos lança uma farpa à secretária regional do Ambiente e das Alterações Climáticas, Susana Prada, questionando se a governante "dispensou, aquando do projecto inicial, a avaliação de impacto ambiental que era obrigatória". "Esta obra associada à que foi feita na Ribeira de João Gomes até à ponte do mercado - mais a outra asneira da junção das fozes das duas ribeiras - vão provocar uma situação que ninguém quer avaliar. O que vai acontecer é que, dentro de poucos anos, vamos ter novamente duas fozes, cada ribeira com a sua, em pleno casco histórico da cidade. Só que agora longe de uma coisa fundamental que é a dinâmica da ondulação da orla marítima, das marés, dos movimentos de fluxo e refluxo", avisa. Danilo Matos lembra ainda que o resto da muralha é suposto ficar em pedra e diz que fica a aguardar pela decisão da Câmara Municipal relativamente à classificação patrimonial atribuída. "Vamos aguardar. Como vamos aguardar a posição da Câmara sobre a ponte pedonal que o governo quer impor, uma tentativa para branquear as asneiras que fizeram, porque não faz sentido nenhum", afirma.