Deus “quer-nos santos e irrepreensíveis, à imagem do próprio Cristo"

A vocação dirigida a todo o ser humano por Deus foi a mensagem deixada, esta tarde, pelo bispo do Funchal, na homilia da Solenidade da Imaculada Conceição e missa, em que tomaram posse quatro novos cónegos do Cabido da Catedral do Funchal....

Deus “quer-nos santos e irrepreensíveis, à imagem do próprio Cristo"
A vocação dirigida a todo o ser humano por Deus foi a mensagem deixada, esta tarde, pelo bispo do Funchal, na homilia da Solenidade da Imaculada Conceição e missa, em que tomaram posse quatro novos cónegos do Cabido da Catedral do Funchal. No seu discurso, D. Nuno Brás lembrou que o apóstolo S. Paulo dizia que Deus, “ao criar cada um de nós, quer-nos santos e irrepreensíveis, predestinados para sermos filhos, herdeiros dos bens divinos, à imagem do próprio Cristo”.  Esta, frisou, é “uma vocação dirigida a todo o ser humano. Não fomos criados para o mal, não fomos criados para o sofrimento, não fomos criados para a desordem. Todo e qualquer ser humano, é criado para Deus à imagem de Cristo”, sustentou. Dessa forma, o bispo do Funchal defendeu que “o plano salvador de Deus - o seu desígnio, aquilo a que os escritores do Novo Testamento chamam o ‘mistério de Deus’ -  consiste, precisamente, na oportunidade que a todos é oferecida de deixar que a Graça divina atue em nós e nos transforme”. Recordando ainda que “os desígnios de Deus não são os dos homens”, D. Nuno Brás sublinhou o que S. Lucas contou, sobre quando o Anjo Gabriel saudou a Virgem.  “O Anjo não a tratou pelo nome comum com que era conhecida - Maria -, mas com um outro nome, conhecido apenas de Deus, e que trazia também consigo uma missão: a ‘Cheia de Graça’, ou, para sermos mais rigorosos, a ‘Agraciada’, aquela a quem foi feita a Graça divina. Assim, continuou, “a solenidade de hoje celebra precisamente a realidade que o nome da saudação angélica expressa: ‘Cheia de Graça’.  “Porque à Virgem, como a cada um de nós, também o Pai a predestinou. Pensou-a para uma missão única e central na história do Universo: aquela de dar carne humana ao Verbo divino, ao próprio Deus. E para que Aquele que dela deveria nascer pudesse ser o Salvador, o Pai não hesitou em salvá-la antecipadamente (“em atenção aos méritos de Cristo”), impedindo que nela o pecado pudesse alguma vez habitar. Não pelos méritos próprios da Virgem, mas pelos méritos únicos de seu Filho, e por causa da nossa salvação”, mencionou. O bispo salientou, por isso, a atitude da ‘Cheia de Graça’, que se pauta pela disponibilidade, escuta e ousadia da Virgem de Nazaré. “Apenas tal atitude constitui o ser humano no terreno fértil que permite à Graça divina atuar, transformar, converter”, considerou. “Como sucedeu com a Virgem, também em nós a Palavra divina quer fazer-se carne, quer fazer-se vida e, por meio de nós, chegar a tantos outros”, disse, terminando com um apelo. “Disponhamo-nos, irmãos, a acolher, definitivamente, a Palavra divina. A deixar que, como na Virgem Maria, a Palavra dê forma e conteúdo à nossa existência, transformando-a, convertendo-a, fazendo-a mais divina - a ela e ao mundo em que vivemos”, finalizou.