Elogios. Críticas. Provocações. E gargalhadas - assim foi o primeiro "Política 5.0" da 88.8

Juntar cinco políticos jovens, de diferentes sensibilidades políticas, sem qualquer moderação ou rede, a uma semana das eleições mais renhidas da história democrática da Madeira, e num clima eleitoral notoriamente marcado pelo receio, de todos...

Elogios. Críticas. Provocações. E gargalhadas - assim foi  o primeiro
Juntar cinco políticos jovens, de diferentes sensibilidades políticas, sem qualquer moderação ou rede, a uma semana das eleições mais renhidas da história democrática da Madeira, e num clima eleitoral notoriamente marcado pelo receio, de todos os lados, de que qualquer ação menos calculada pode custar muito a 22 de setembro, pode parecer um desafio demasiado arriscado. Mas foi precisamente isso que aconteceu hoje, na rádio 88.88 JM FM, no novo programa “Política 5.0”, que desafia os convidados - Carina Ferro, João Pedro Vieira, Gonçalo Santos, João Paulo Marques e Rubina Berardo – a debater cinco temas até ao final da semana. O debate foi cordial, teve momentos de humor e até gargalhadas, mas também houve passagens de impor respeito. Até porque o tema do dia era a saúde, um dos assuntos centrais e mais polémicos da política madeirense. Apesar das óbvias ligações políticas de cada um, no programa estavam a representar-se a si próprios. O arranque começou com o consenso em torno de uma medida do partido Iniciativa Liberal: a existência de um pacto para a saúde. Uma ideia destacada positivamente por João Paulo Marques. Já o ponto negativo apontado pelo social-democrata foi a “atitude em zigue-zague” do PS sobre o modo de combate às listas de espera, que começou pela compra de um hospital privado por 75 milhões, depois pela alocação de 15 milhões de euros para o combate às listas de espera e agora, no seu programa, propor que os doentes madeirenses sejam mandados para o Serviço Nacional de Saúde, o que “não faz qualquer sentido”. Numa espécie de nota introdutória, a socialista Carina Ferro evidenciou que a circunstância de nem todos os 17 partidos terem apresentado programa eleitoral ou manifesto torna difícil analisar as propostas de cada um. Ainda assim, também verificou que há medidas “bastante consensuais”, nomeadamente no que diz respeito ao combate às listas de espera, a construção do novo hospital e ao papel dos cuidados primários. Como medida positiva, destacou a proposta social-democrata de criar Centros de Responsabilidade Integrados Regionais, uma ideia que diz ser “semelhante” à que propõem partidos como o PS e o CDS. A nota negativa vai para a proposta dos bloquistas de criar critérios de prioridade na atribuição dos médicos de família. Carina Ferro discorda, pois entende que o serviço deve assegurar essa especialidade para todos os utentes. O centrista Gonçalo Santos também escolheu elogiar uma proposta do PSD, o que levou o social-democrata João Pedro Marques a gracejar que as ideias do seu partido estavam a recolher “unanimidade”. Mas o elogio de Gonçalo Santos trazia água no bico. O centrista assinalou como positivo o PSD mudar agora de “paradigma” ao querer combater as listas de espera, depois de ter estado de 2013 a 2019 a chumbar as propostas da oposição nesse sentido – “oito do CDS e uma do JPP”. “Acho curioso que tenha mudado de paradigma”, evidenciou. Sobre o “caos na saúde”, que anteriormente João Pedro Marques negou que existisse, Gonçalo Santos afirmou que essa ideia não é criada pela oposição, mas por acontecimentos como a existência de “quatro secretários de Saúde em cinco anos”. No combate às listas de espera, o centrista referiu que o CDS propõe preferencialmente o recurso ao serviço público regional, e a “todos” os privados, quando se justificar, mas também ao continente, mas só depois dos dois primeiros não conseguirem responder. Como proposta negativa, indicou a proposta dos bloquistas de quererem rever os apoios às IPSS que trabalham na área da saúde mental, deixando o convite a Paulino Ascenção a visitar a Casa de Saúde de São João de Deus para “perceber” o trabalho ali desenvolvido, lembrando depois que o SESARAM tem “apenas dois psiquiatras” a trabalhar, quando já teve 8, e precisa de 10. Para demonstrar o trabalho que há a fazer nesta área, destacou que a “Madeira tem a taxa de suicídio mais elevada do país” e que “há 1.000 doentes psiquiátricos que não têm assistência por falta de resposta” do serviço público. “O que me choca aqui não é a proposta do BE; é o PS “admitir uma geringonça” com os bloquistas dando “guarida a este tipo de propostas”, atacou, considerando que estas ideias “visam mudar a organização social na Madeira”. Rubina Berardo interveio no debate apontando, em primeiro lugar, a “falha generalizada” dos partidos por não terem os seus programas ou manifestos disponíveis “pelo menos no arranque oficial da campanha eleitoral”. Em género de notas introdutórias, Berardo assinalou ainda duas curiosidades, a de que o PCPT/MRPP reclama para si a autoria da ideia da construção de um novo hospital e a de o PS-M inscrever a designação “sistema regional de saúde” no seu manifesto, quando em Lisboa os socialistas corrigem todos os que se referem desse modo e não “sistema regional de saúde”. A proposta mais negativa que Rubina Berardo encontrou entre os partidos foi a do MPT, que quer implementar um hospital universitário na Madeira, validada em referendo. O pacto para a saúde da Iniciativa Liberal é a proposta positiva escolhida pela social-democrata. João Pedro Vieira começou a sua intervenção de forma provocatória. O momento veio a calhar. Carina Ferro e Gonçalo Santos trocavam argumentos sobre o tema do “piscar de olhos” que à esquerda se faz para uma eventual futura geringonça na Madeira. “A posição do Gonçalo [Santos] é legítima porque o CDS, de repente, está com medo de ser deixado no altar, porque aparentemente tinha duas noivas e agora não só não sabe qual é a noiva que vai escolher, como de repente corre o risco de existir outras noivas para o dia seguinte ao das eleições regionais”, disse João Pedro Vieira. Sobre o tema em debate, o socialista concordou com João Pedro Marques no reconhecimento de que houve uma “certa politização” quando se disse que a saúde vivia um “caos” na Madeira. Para João Pedro Vieira, não é apenas o Serviço Regional de Saúde que enfrenta desafios, pois o subfinanciamento e a falta de recursos é transversal a outros sistemas. Porém, ressalvou, “isso não significa que não podemos ter uma estratégia”. João Pedro Vieira disse que falta essa estratégia, e lamentou, por exemplo, que hoje ainda não estejam implementados “os tempos máximos de resposta definidos”. O socialista considerou que a proposta mais “caricata” dos partidos, incluindo o seu, é a criação do novo hospital, pois é uma reivindicação com mais de “20 anos”, e ainda “não saiu do papel”. Assinalou também que o orçamento tem 14 milhões de euros para avançar com a obra este ano, e que “ainda nem estão concluídas as expropriações”. João Pedro Vieira revelou ainda que ganhou uma aposta com um militante social-democrata de que o Governo Regional não conseguiria lançar a primeira pedra antes das eleições do próximo domingo. “Ganhei!”. Por outro lado, pediu mudanças profundas no papel dos cuidados primários na Região e disse não ser uma medida “estratégica” subir em 700 euros o ordenado dos médicos em vésperas das eleições, duvidando dos seus efeitos na redução das listas de espera. João Paulo Marques, do PSD, contrapôs lembrando que o Governo Regional tem em curso o programa específico de redução das listas de espera, o qual recebeu entre 2016 e 2018 “4,5 milhões de euros” e em 2019 outros “três milhões de euros. “Quando falo de pacto para a saúde é também reconhecer o que se faz bem”, sublinhou. De volta à conversa, Carina Ferro situou que a construção do hospital, em si, não resolve os problemas da saúde na Madeira, dando enfoque na “quantidade de profissionais” que o SESARAM vem perdendo. Rubina Berardo acrescentou que hoje os eleitores procuram políticas de consenso e menos a ideia do “combate em trincheiras”, ainda que a uma semana das eleições tal “compreensivelmente” suceda. “Mas depois deve haver consensos”, desejou, esperando que “essa abertura” venha a ocorrer. A finalizar, João Pedro Vieira disse que o Governo Regional tem de explicar como é que o hospital privado obteve 11 milhões de euros em benefícios fiscais, questionando se essa ajuda tem como contrapartida o apoio no combate às listas de espera. Amanhã, estes protagonistas regressam ao programa “Política 5.0”, agora para falarem de Educação. O debate começa às 17h00, na 88.8 JM FM.