EUA reivindicam bombardeamento cirúrgico que terá matado civis no Afeganistão

O exército dos Estados Unidos reivindicou hoje um “ataque cirúrgico” dirigido na quinta-feira ao grupo Estado Islâmico no leste do Afeganistão, que segundo as autoridades afegãs acabou por vitimar, “por erro”, nove civis. Num comunicado divulgado...

EUA reivindicam bombardeamento cirúrgico que terá matado civis no Afeganistão
O exército dos Estados Unidos reivindicou hoje um “ataque cirúrgico” dirigido na quinta-feira ao grupo Estado Islâmico no leste do Afeganistão, que segundo as autoridades afegãs acabou por vitimar, “por erro”, nove civis. Num comunicado divulgado pela agência noticiosa France-Presse, o porta-voz da Força Norte-Americana para o Afeganistão (USFOR-A), coronel Sonny Leggett, refere que o exército dos Estados Unidos “executou um ataque cirúrgico contra terroristas do Daesh [acrónimo em árabe do grupo Estado Islâmico] em Nangarhar”. “O exército norte-americano está ao corrente das alegações sobre a morte de não combatentes e está a trabalhar com os responsáveis locais para determinar os factos”, escreve o porta-voz no documento. O governador do distrito de Khogyani afirmou que o ataque matou nove pessoas e feriu outras seis, “todas civis”, enquanto um porta-voz da polícia provincial referiu que o ataque “visou combatentes do Daesh, mas afetou civis por erro”. Segundo o testemunho de um dos feridos, que relatou o caso à France-Presse, as vítimas são trabalhadores sazonais de uma plantação de pinhões, numa altura em que decorre a apanha. No comunicado, o coronel Liggett declarou que as forças norte-americanas “combatem num ambiente complexo contra todos os que matam e se escondem entre a população civil”, garantindo que, “segundo indicações iniciais, os membros do Daesh encontravam-se entre os que foram visados pelo ataque”. Num relatório sobre o primeiro semestre de 2019, divulgado em fins de julho, a Missão de das Nações Unidas no Afeganistão (MANUA) destacou que já foram mortos mais civis pelas forças pró-governamentais do que propriamente pelos grupos insurgentes, tendo Liggett contestado, na altura, “os métodos e conclusões” da MANUA. Em Nangarhar existem grandes territórios controlados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), que tem a sua base na província, e pelos talibãs. Especificamente, a área de Wazir-Tangi, onde ocorreu o incidente, é considerada a área mais insegura da província, onde tanto os talibãs quanto o EI têm combatentes posicionados nas montanhas. Nos últimos três anos, as forças de segurança do Afeganistão e dos EUA falharam em proteger a área, apesar de terem lançado várias operações antiterrorismo na região. O incidente de quinta-feira ocorreu um dia após um ataque rebelde contra um prédio do Governo na capital de Nangarhar, Jalalabad, no qual sete pessoas morreram, incluindo os três atacantes, e 13 outras ficaram feridas.