Gâmbia processa Myanmar por genocídio contra minoria muçulmana rohingya

A Gâmbia abriu hoje um processo no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda, contra Myanmar por genocídio durante a campanha contra a minoria muçulmana rohingya. O caso foi apresentado pela Gâmbia em nome da Organização de Cooperação...

Gâmbia processa Myanmar por genocídio contra minoria muçulmana rohingya
A Gâmbia abriu hoje um processo no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda, contra Myanmar por genocídio durante a campanha contra a minoria muçulmana rohingya. O caso foi apresentado pela Gâmbia em nome da Organização de Cooperação Islâmica. Em declarações à Associated Press, o ministro da Justiça e procurador-geral da República da Gâmbia, Abubacarr Marie Tambadou, disse querer “enviar uma mensagem clara a Myanmar e à comunidade internacional de que o mundo não pode ficar à espera e nada fazer perante as terríveis atrocidades que estão a ocorrer”. “É uma vergonha para a nossa geração nada fazer quando um genocídio está a acontecer perante os nossos olhos”, acrescentou. As autoridades de Myanmar não responderam aos pedidos de comentários à decisão da Gâmbia. Desde o final de agosto de 2017, cerca de 740.000 pessoas da etnia rohingya, de religião muçulmana, perseguidos pelas forças armadas birmanesas e por milícias budistas, fugiram de Myanmar, refugiando-se sobretudo no Bangladesh. O chefe de uma missão das Nações Unidas em Myanmar disse, no mês passado, que "existe um sério risco de genocídio recorrente". Num relatório apresentado em setembro, os investigadores das Nações Unidas defenderam que o caso devia ser encaminhado para o Tribunal Internacional de Justiça. No processo agora apresentado no Tribunal Internacional de Justiça alega-se que a campanha de Myanmar contra os rohingya inclui “matar, causar sérias lesões físicas e mentais”, impor medidas para “evitar nascimentos” e transferências forçadas, ações que são consideradas genocidas porque têm a intenção de destruir o grupo “como um todo ou em parte”. Numa nota, o ministro da Justiça referiu que a Gâmbia decidiu abrir o processo para que se faça justiça e se apurem responsabilidades pelo genocídio cometido por Myanmar contra a minoria muçulmana rohingya.