Greve: Combustível começa a esgotar no continente

O combustível começa a faltar nas estações de serviço do continente devido à crescente procura motivada pela anunciada greve dos motoristas de transportes perigosos, como aconteceu já em Faro (foto) e nas Caldas da Rainha. As filas para abastecimento...

Greve: Combustível começa a esgotar no continente
O combustível começa a faltar nas estações de serviço do continente devido à crescente procura motivada pela anunciada greve dos motoristas de transportes perigosos, como aconteceu já em Faro (foto) e nas Caldas da Rainha. As filas para abastecimento de combustível intensificaram-se esta tarde nas Caldas da Rainha, com a procura a esgotar o gasóleo num posto de abastecimento, embora a maioria das bombas estime que, até domingo, os ‘stocks’ não se esgotarão. “Já não há gasóleo”, repete à exaustão J. Eduardo Braz, funcionário da Galp da Estrada de Tornada, à saída da cidade das Caldas da Rainha. “Está ali um aviso afixado, mas ninguém lê, está tudo com a ganância”, desabafou o funcionário do posto onde, esta tarde, a agência Lusa constatou registar-se a mais curta fila de carros à espera para abastecer. Os avisos do funcionário a cada condutor que entra no posto fazem a triagem e reduzem a fila apenas aos que procuram gasolina. “Ainda hoje ou amanhã [sexta-feira] vai chegar um camião [com cerca de 30 mil litros] de gasóleo, não havia necessidade de as pessoas andarem nesta correria, mas o povo é assim!”, afirmou. Na bomba do Pingo Doce, também na estrada de Tornada, “pelo menos desde terça-feira” que a procura de combustíveis se intensificou”, disse à Lusa o operador do posto, Ricardo Silva, explicando que “a mudança de marca [de Prius para BP] e redução dos preços fez aumentar o fluxo de clientes”. Porém, “hoje o movimento aumentou cerca de 30%”, disse, estimando que, “apesar de já hoje ter chegado um camião de 30 mil litros de gasóleo, o stock só deve chegar até domingo à noite” e, depois, concluiu, “logo se vê se há greve”. Mas na fila para abastecer há quem não possa esperar para ver. Cristina Correia atesta o depósito do carro com gasóleo, isso não lhe retira “as preocupações com poder ficar sem combustível na carrinha” da empresa que se dedica à distribuição de azeite. “Com 15 litros por dia não vamos conseguir fazer as entregas a todos os clientes”, disse. Tony Hansen, reformado que há dois anos trocou a Holanda por Portugal, vive a sua “primeira ‘greve dos combustíveis’” com “mais precaução do que preocupação”, depois de cerca de uma hora na vila para atestar o carro de gama alta. “Vim fazer as compras e aproveito para abastecer”, explicou, satisfeito por já não precisar de “usar o carro para ir trabalhar todos os dias”, porque, “aí, sim, a greve podia ser problemática para mim”, afirmou. No centro da cidade, junto à bomba da Galp [uma dos que integra a rede estratégica de postos de abastecimento (REPA)] regista-se, desde a hora de almoço, uma das maiores filas de carros. Dois deles, da PSP, à espera de vez para repor o gasóleo “que está quase na reserva”. A fila, disse o agente à Lusa, “tem andado rápido”, mas o cenário “tem sido idêntico em todas as bombas” por onde foi passando. Entre as várias dezenas de condutores encontram-se desde os que vão viajar e precisam “mesmo de atestar”, como José Lima, aos que, como António Campos, têm o deposito cheio, mas pretendem “levar um jerricã para o que der e vier, que isto nunca se sabe até quando dura a greve”. Reformado e a viver no centro da cidade, António Campos, “nem sequer” precisa de usar o carro “a não ser para uns passeios com a Maria”. Mas, porque “as pessoas são sempre estúpidas e gostam de açambarcar”, lá foi ele à bomba, “encher o jerricã”. Entre uma família de emigrantes em férias e um ex-vereador da câmara das Caldas, Diogo Martinho espera a vez de atestar o depósito no posto do E. Leclerc, outra das bombas REPA da cidade. Tem “pouca gasolina” e precisa “para as voltas”, portanto, meteu-se na fila “antes que se acabe o combustível”, explicou. Diogo escolheu ao “calhas” e sem saber que, se houver greve, estará garantida a possibilidade de abastecer até 15 litros de combustível naquela bomba. “Mas então – questionou – para que é que é esta estupidez de virem todos o a correr atestar?”. João Sousa, responsável por aquele posto garante que, “desde terça, o movimento aumentou pelo menos mais 30%”. Ainda assim, nem isso leva a crer que, até domingo, falte gasolina ou gasóleo no posto. “Vão chegar mais dois camiões de 32 litros, um de gasóleo e outro de gasolina, que provavelmente darão resposta até domingo e, na segunda [feira], se houver greve, terá que haver abastecimento para a rede” de 374 bombas de combustíveis em que o serviço estará assegurado, afirmou. A greve dos motoristas de matérias perigosas está marcada para 12 de agosto e poderá prolongar-se por tempo indeterminado.