Grupo Welsh denuncia “aproveitamento político” no caso da Praia Formosa

Não é de agora que a requalificação da zona circundante à Praia Formosa está envolta num imbróglio. O processo, marcado por falta de entendimento entre público e privado, arrasta-se há anos, mas nos últimos dias o assunto voltou à tona, com...

Grupo Welsh denuncia “aproveitamento  político” no caso da Praia Formosa
Não é de agora que a requalificação da zona circundante à Praia Formosa está envolta num imbróglio. O processo, marcado por falta de entendimento entre público e privado, arrasta-se há anos, mas nos últimos dias o assunto voltou à tona, com os ânimos a aquecerem devido às declarações proferidas pelo presidente da Câmara Municipal do Funchal (CMF) acerca do plano de pormenor da Praia Formosa. Miguel Silva Gouveia, que falava no decorrer das Jornadas Madeira, evento promovido pelo JM, sublinhou que “a Câmara vai devolver a faixa costeira da cidade aos funchalenses”, garantindo que não irá permitir que os “apetites privados” condicionem aquele local. As reações não tardaram em chegar, com a proprietária dos terrenos a revelar-se “estupefacta” com as afirmações “pouco sérias” de “gente que não sabe estar”. “A Câmara não faz nada nem deixa fazer e, agora, vem fazer aproveitamento político para ludibriar os funchalenses, numa altura em que se avizinham eleições”, referiu ao JM a responsável pelo Grupo Welsh, detentora de cerca de 64 mil metros quadrados de terreno naquela zona. Isabel Welsh reforçou a sua vontade em investir naquele local, não só para rentabilizar os terrenos de que é proprietária, mas também para tornar aquele espaço mais digno “não só para os funchalenses, mas para todos os madeirenses”. Foi para comprovar essa vontade que a empresária fez questão de divulgar ao Jornal a planta entregue na CMF, em setembro de 2016. “Para que não hajam quaisquer dúvidas (...) podem verificar que o privado já tinha acautelado a área de utilização comum, bem como os lugares de estacionamento”, sublinhou Isabel Welsh, lembrando que o grupo até aceitou recuar numa boa parte da faixa marítima para que a promenade pudesse ser ampliada, permitindo à população um maior usufruto daquela zona, que teria contemplada também uma área verde bastante ampla. Um acordo que, segundo a responsável, constava já no Plano de Pormenor da Praia Formosa, em conformidade com o anterior Plano Diretor Municipal (PDM) do Funchal. “O processo estava bem avançado”, sublinhou, explicando que aquando da revisão do novo PDM, aprovado no ano passado, “a CMF simplesmente ignorou aquilo que já estava aprovado e contratualizado”. “Aquando da análise do PDM, tivemos a preocupação de salvaguardar isso mesmo, mas o que depois viemos a constatar é que o Plano de Pormenor foi revogado, sem o nosso consentimento”, criticou. A proprietária diz que ficou "estupefacta" quando, na última quarta-feira, o autarca, no decorrer das Jornadas Madeira, prometeu “devolver aos funchalenses aquela faixa marítima dos 50 metros que está prevista para áreas verdes de utilização coletiva”. “O presidente quer passar a mensagem, e ficar com os créditos, de que será a CMF a desenvolver o plano de pormenor da Praia Formosa, mas isso não passa de uma falácia, para fazer crer à população que a empresa Investimentos Turísticos da Praia Formosa, SA (ITPF) é um privado com intenções de privar a população de um espaço condigno de lazer”, sublinhou a responsável, que quis deixar bem claro que “se não há um espaço condigno é porque não há vontade” da CMF, que está a “tentar enganar os madeirenses com afirmações falsas relativamente a um espaço que todos nós gostamos”.   Leia a notícia na íntegra, hoje, na edição impressa do JM.