Havia mais de 50 teatros de revista de autores madeirenses no século XX

O investigador Paulo Esteireiro desconstruiu, esta tarde, o ‘mito’ que lhe contaram quando chegou à Madeira há 15 anos, dizendo-lhe que aqui só haveria “tradição de jazz e não de teatro de revista, e que isso eram coisas de Lisboa”. No entanto,...

Havia mais de 50 teatros de revista de autores madeirenses no século XX
O investigador Paulo Esteireiro desconstruiu, esta tarde, o ‘mito’ que lhe contaram quando chegou à Madeira há 15 anos, dizendo-lhe que aqui só haveria “tradição de jazz e não de teatro de revista, e que isso eram coisas de Lisboa”. No entanto, foi exatamente o contrário que encontrou, nas diversas investigações que foi realizando, e que remontam ao final do século XIX, década de 1860, altura em que “começaram a fazer teatros de revista na Madeira”. “Mas a parte mais engraçada é que, na primeira metade do século XX, encontrei mais de 50 teatros de revista de autores madeirenses, o que demonstra que há uma grande tradição de teatro musical, mas dentro do género da revista”, precisou ao JM, momentos antes de falar sobre este tema nas ‘Conferências do Teatro - Madeira de A a Z’, a última da temporada. Este foi um género que foi evoluindo e que abordava os temas do quotidiano, “um pouco como as novelas”, uma curiosidade que “era importante estudar mais”, considerou Paulo Esteireiro. “Os temas passavam “desde uma certa rivalidade com Lisboa - há uma revista que se chamava ‘Semilha e Alface’, numa alusão ao ‘alfacinha’ de Lisboa e ao ‘semilha’ da Madeira, também falavam das modas, como do ‘prazer’ que era fumar - havia uma música chamada ‘Os Fumadores’ -, outras sobre o jogo, depois os temas do amor, mas também a emigração e a pobreza”, exemplificou. Atualmente, só o Teatro Municipal Baltazar Dias continua a acolher este tipo de espetáculos, que, outrora, já visitaram o Pavilhão Paris, o Teatro Circo, no Funchal, a Ribeira Brava. “E até algumas coletividades, associações, organizavam teatro de revista, ainda que mais raramente”, ressalvou. Para relevar ainda a importância deste teatro na Madeira, o investigador fez notar que a ilha recebia “digressões de companhias de Lisboa, do Porto, companhias que passavam do Brasil e que paravam e faziam aqui teatro de revista”. Assim, realçou que, entre 1909 e 1962, houve uma forte tradição de teatro de revista, que depois se começou a perder com o crescimento de “outro tipo de modas”, relacionadas com a música e o cinema, menos onerosas que estas, que tinham atores e música ao vivo.