Injeção de 380 milhões da Alemanha na Condor da Thomas Cook pode salvar 80 mil lugares para a Madeira

O Governo da Alemanha e o estado alemão de Hesse, onde está baseada a transportadora Condor, estão dispostos a entrar com €190 milhões de euros cada, perfazendo um total de €380 milhões, para permitir a continuidade das operações da companhia...

Injeção de 380 milhões da Alemanha na Condor da Thomas Cook pode salvar 80 mil lugares para a Madeira
O Governo da Alemanha e o estado alemão de Hesse, onde está baseada a transportadora Condor, estão dispostos a entrar com €190 milhões de euros cada, perfazendo um total de €380 milhões, para permitir a continuidade das operações da companhia aérea alemã detida pela insolvente Thomas Cook, e que assegura para a Madeira oito voos semanais, totalizando 80 mil lugares anuais, avança o Expresso. A intenção do Governo e deste estado da Alemanha quererem 'salvar' a Condor com um empréstimo-ponte ('bridging loan') de €380 milhões foi avançada esta terça-feira à noite pelo ministro da Economia alemão, Peter Altmaier, citado pela mesma fonte, que alegou que "a Condor é uma companhia rentável" e que a decisão se baseia "em fatores económicos, e não em critérios políticos". Contudo, o empréstimo, que iria permitir, de acordo com o ministro alemão, que 240 mil viajantes oriundos da Alemanha, que ainda se encontram de férias e foram apanhados de surpresa pela falência da Thomas Cook, regressassem a casa.  "Isto ia retirar automaticamente o cenário que seria mais catastrófico para a Madeira, e o turismo de Portugal em geral que depende destes operadores. Caso a Condor não se aguentasse face à falência da Thomas Cook, o cenário para nós seria muito pior", sustenta Jorge Veiga França, presidente da Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF) e da Câmara de Comércio e Indústria da Madeira (CCIM). Na Madeira, a Condor assegura oito voos semanais, totalizando 1500 lugares de avião por semana e cerca de 80 mil anualmente, o que tem um peso de 25% no mercado turístico alemão na Região. Como frisa o responsável da ACIF, só um terço dos voos da Condor na Madeira são preenchidos com turistas com pacotes da Thomas Cook, e que 70% dos clientes vêm com outros operadores, como a TUI. Apesar da Comissão Europeia não permitir ajudas de Estado às empresas, o presidente da ACIF frisa que "neste caso, se justificam, não se pode pôr tudo no mesmo saco", e tem esperança que Bruxelas dê 'luz-verde' ao plano alemão para salvar a Condor. "Creio que o cenário mais catastrófico para a Madeira será afastado, a não ser que Bruxelas nos tire o tapete, o que esperamos que não venha a acontecer". Jorge Veiga França lembra que o empréstimo-ponte de €380 milhões previsto para a Condor é válido por seis meses, um período em que será necessário reestruturar financeiramente a empresa que pertencia ao universo da Thomas Cook, mas que espera €43 milhões de lucros antes de impostos neste ano fiscal que termina a 30 de setembro, conforme a empresa já divulgou. "É um penso rápido, mas espero que resulte", salienta o presidente da ACIF, referindo que já há vários interesses já demonstrados para a Condor, designadamente da Lufthansa ou da TUI . O esperado aval da Direção-Geral da Concorrência em Bruxelas para resgatar a Condor obriga a um passo seguinte da parte do sector do turismo na Madeira, segundo o presidente da ACIF. "Vamos ter de ir à luta e repôr os lugares que ficaram em aberto com a Thomas Cook, o que tem de passar por um reforço do orçamento da Associação de Promoção da Madeira (APM), que está quase nas lonas, isto aconteceu num momento terrível, no final da época alta de turísmo". O reforço de verbas para promoção por parte dos privados, da ANA e do Turismo de Portugal ia permitir sustentar "o esforço de ir atrás de vários mercados para estes lugares que ficaram vagos com a Thomas Cook e ocupá-los com outros clientes", enfatiza Jorge Veiga França. Na Madeira, a falência da casa-mãe da Thomas Cook no Reino Unido afetou diretamente os turistas ingleses, que na região prefazem 4 mil lugares anuais de avião. Mas relativamente aos britânicos, "a Thomas Cook não operava com aviões próprios para cá", ressalva o presidente da ACIF, defendendo "que esses lugares podem ser recuperados com um esforço adicional da nossa parte". Além do mercado alemão, uma das principais preocupações na Madeira eram os turistas nórdicos e o que iria acontecer à Thomas Cook da Escandinávia. "Mas da Escandinávia garantiram-nos por escrito que a operação para a Madeira tem sido lucrativa e que vai continuar", avança Jorge Veiga França. O presidente da ACIF não tem dúvidas de que a falência do operador turístico com 170 anos e de grande tradição na indústria de viagens, que já vinha a evidenciar dificuldades financeiras nos últimos anos, também se deveu ao Brexit. "O Brexit acelerou o processo de tesouraria na Thomas Cook, foi o golpe de misericórdia numa empresa já doente", afirma.