Juiz madeirense Ivo Rosa tentou proteger militares no caso de Tancos

Ivo Rosa tentou proteger a Polícia Judiciária Militar das investigações da congénere civil ao reaparecimento do material roubado em Tancos.  O juiz madeirense impediu o acesso dos inspetores da PJ a dados de tráfego das antenas de telemóvel...

Juiz madeirense Ivo Rosa tentou proteger militares no caso de Tancos
Ivo Rosa tentou proteger a Polícia Judiciária Militar das investigações da congénere civil ao reaparecimento do material roubado em Tancos.  O juiz madeirense impediu o acesso dos inspetores da PJ a dados de tráfego das antenas de telemóvel por considerar que violava a Constituição, mas o Tribunal da Relação de Lisboa teve outro entendimento e permitiu o acesso a essa informação considerada essencial nas diligências. Ainda assim, de acordo com o ECO, que cita o jornal Público, os investigadores acabaram por perder cerca de cinco meses com a decisão de Ivo Rosa. A mesma fonte recorda que em outubro de 2017, menos de uma semana depois de ter aparecido o material militar roubado do paiol de Tancos, os inspetores da Polícia Judiciária decidiram pedir aos operadores informações sobre as listas de tráfego — chamadas e mensagens escritas — das antenas de telemóvel do Montijo, Golegã, Entroncamento e Torres Novas — tinha sido feita de uma cabine telefónica do Montijo a chamada supostamente anónima para o piquete da Judiciária Militar, a dar conta do paradeiro do armamento. Ivo Rosa considerou isso ilegal e não permitiu o acesso, tendo considerado que “as antenas em causa abrangem uma grande dispersão territorial” e haveria “violação da reserva da intimidade da vida privada”. Face a esta decisão, o Ministério Público recorreu para o Tribunal da Relação de Lisboa, que cinco meses depois autorizou o acesso àquela informação, considerando “absolutamente nuclear para a investigação”. Também nesta segunda-feira, o Diário de Notícias revela que um relatório da Polícia Judiciária civil sobre o processo de Tancos concluiu que existiram fugas de informação para os jornais que “possibilitaram aos suspeitos ter acesso às linhas de trabalho da investigação, bem como às diligências que iam sendo realizadas”, causaram “o descrédito na investigação” e “minaram todas as diligências de forma irremediável”. A mesma fonte revela que a Polícia Judiciária civil reuniu dezenas de artigos e cronologicamente estabeleceu uma relação entre as informações partilhadas com a Polícia Judiciária Militar, ainda numa fase inicial do inquérito, e as notícias que foram publicadas, apontando o dedo aos militares pelas “sucessivas fugas”.