Mais de mil pessoas com mais de 85 anos vivem sozinhas na Madeira - UMAR

A propósito do Dia Internacional da Pessoa Idosa, a União de Mulheres Alternativas (UMAR) divulgou um texto no qual aponta dados regionais que dão conta de mais de mil Pessoas Idosas com mais de 85 anos a viverem sozinhas, cuja maioria são...

Mais de mil pessoas com mais de 85 anos vivem sozinhas na Madeira - UMAR
A propósito do Dia Internacional da Pessoa Idosa, a União de Mulheres Alternativas (UMAR) divulgou um texto no qual aponta dados regionais que dão conta de mais de mil Pessoas Idosas com mais de 85 anos a viverem sozinhas, cuja maioria são mulheres. “Existem na Madeira, nos dados de 2017, 118 Pessoas Idosas por cada 100 jovens, o que quer dizer que já começa a existir um défice muito claro de envelhecimento da sociedade, o que é muito preocupante”, acrescenta. O texto é o seguinte, citado na íntegra:   “O dia 1 de outubro foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) como sendo o Dia internacional das Pessoas Idosas em 1991 e, desde então, tem sido comemorado como uma dia onde as questões do envelhecimento estão em destaque no espaço de intervenção pública. Este dia existe para chamar a atenção e sensibilizar a sociedade para as questões que preocupam as pessoas mais velhas, e da necessidade que existe na sua proteção a todos os níveis. Respeitar as Pessoas mais velhas com mais carinho quer da sociedade quer da família é uma necessidade do envelhecimento a que se assiste cada vez mais na nossa sociedade. Quanto melhor tratarmos as pessoas idosas, estaremos a garantir um futuro coletivo mais digno, pois toda a gente se quer viver um dia será também velho e quer ser reconhecido com dignidade e com direitos. Dizem-nos que quanto maior é a idade, maior é a sabedoria, paciência e amor. Mas depois o que se assiste é a sociedade no geral contradizer estas questões com frieza, infantilização e muito desamor. Sabemos que existem exceções e felizmente com muito sucesso, onde toda a família se entre ajuda e as pessoas idosas se sentem completamente integradas e até donas dos seus destinos. Mas também sabemos que muitas Pessoas Idosas são tratadas como sendo um peso cada vez maior e, em vez de se aproveitar a sua sabedoria para aprender, as afastamos da família, mesmo sendo pessoas com alguma autonomia, condenando-as muitas das vezes a ficaram acamadas ou em cadeiras de roda, tristes, sem poderem manifestar os seus sentimentos, encurtando-lhes o tempo e a qualidade de vida. Portugal é um dos 5 Países da Europa que pior trata as Pessoas mais velhas. Num estudo da OMS (Organização Mundial de Saúde) em 53 Países, Portugal apresentava 39% de Pessoas Idosas vítimas de violência doméstica, a esmagadora maioria mulheres. O nosso País é o que menos investe nas pessoas idosas e este é um grande problema que precisa de ser invertido urgentemente. E o envelhecimento das sociedades tem uma grande tendência para crescer. Hoje vivemos muito mais do que os nossos antepassados. As estatísticas dizem-nos que no mundo as Pessoas Idosas são mais de 600 milhões e que em 2025 serão o dobro. Dados da EUROSTAT dizem que Portugal será um doa Países da União Europeia com maior percentagem de Pessoas Idosas em 2025, e menor percentagem de população ativa. O INE prevê que 2050 um terço da população portuguesa seja idosas e que um quarto de milhão tenha mais de 80 anos. Este cálculo foi feito com base na tendência de envelhecimento da população resultante do aumento da esperança de vida e da diminuição dos níveis de natalidade. Na Madeira, temos alguns dados disponíveis que nos dizem que já temos mais de mil Pessoas Idosas com mais de 85 anos a viverem sozinhas, cuja maioria são mulheres. Existem na Madeira, nos dados de 2017, 118 Pessoas Idosas por cada 100 jovens, o que quer dizer que já começa a existir um défice muito claro de envelhecimento da sociedade, o que é muito preocupante. Sabemos também das muitas carências que prevalecem com a existência de Pessoas Institucionalizadas e outras dependentes a viver em casa em precárias condições. Temos Pessoas em casa, também Idosas, a cuidarem de outras mais dependentes. Esta é uma situação que carece de intervenção urgente. É fundamental separar claramente as situações e satisfazer as necessidades básicas das pessoas. Os lares deviam ser apenas para as pessoas dependentes e que precisam de cuidados especiais. Aumentar a ajuda às pessoas que conseguem ficar nas suas casas e que deviam ser ainda mais acompanhadas, sobretudo durante a noite, e aos fins de semana, para não termos noticias, quase diárias, que nos dizem que uma Pessoa Idosa foi encontrada morta dentro de casa pelos vizinhos. Defendemos também a existência de outro conceito de casas de apoio como Comunidades Inclusivas, para as Pessoas que não conseguem viver sozinhas, ou por razões de deficiências várias, ou outras, mas que ainda têm autonomia para partilharem experiências e fazer várias tarefas úteis para si e para a comunidade onde estão integradas. Defendemos, também, a gratuidade dos transportes públicos para todas as Pessoas idosas, sem qualquer exceção, porque os contributos que estas pessoas deram à sociedade merecem ser reconhecidas pelo Estado/Governos, a exemplo do que já acontece em muitos países do mundo, como no Brasil. Consideramos que a nossa Região devia ter mais espaços inclusivos onde as Pessoas Idosas se possam sentir bem. Dar mais qualidade aos espaços naturais nas cidades onde as Pessoas se juntam, quer faça sol ou chuva, cobrindo-os e criando melhores condições para esse convívio. Sabemos que já existem algumas políticas positivas para o envelhecimento ativo, quer a nível Regional, quer a nível Municipal, que achamos muito importantes e muito válidas, mas algumas das questões que aqui colocamos gostaríamos que fossem tidas em conta por todos estes poderes, para dignificar ainda mais a vida das Pessoa Idosas fazendo com que a sua existência seja encarda como uma mais valia para toda a sociedade.”