Marcelo surpreende António Lobo Antunes com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade

Marcelo Rebelo de Sousa encerrou a evocação dos 40 anos de vida literária do escritor António Lobo Antunes, numa celebração promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian. O Presidente da República entrou de braço dado com o escritor e logo se...

Marcelo surpreende António Lobo Antunes com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade
Marcelo Rebelo de Sousa encerrou a evocação dos 40 anos de vida literária do escritor António Lobo Antunes, numa celebração promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian. O Presidente da República entrou de braço dado com o escritor e logo se ouviu uma ovação pouco habitual neste género de colóquios intelectuais. Começou por dizer que o seu discurso tinha sido destruído pela intervenção do escritor e que tudo o que dissesse seria de uma banalidade terrível. Por isso, decidiu comentar o que António Lobo Antunes dissera, como a importância da linhagem de que descende e a importância dos irmãos, a sociedade e a crítica conservadora dos tempos em que iniciara a carreira e a forma como Portugal interiorizou a guerra colonial: "O António veio dizer o que se passou e chocou muitos. Não era um ajuste de contas, mas um reajuste." Para o Presidente a sociedade foi mudando e a obra passou a ser consensual: "Imagino que isso o irritasse bastante." Em seguida comentou as crónicas do escritor e o que elas permitem descobrir sobre a sua infância, e até ofereceu um assunto para um texto ao escritor. E não pôde evitar falar do prémio Nobel da Literatura por considerar que não é preciso esperar notícias dessas de uma capital nórdica pois "o António já recebeu todos os prémios possíveis e até está na Plêiade. Não precisa do Nobel!" E rematou que só poderia atribuir-lhe a Grande Cruz da Ordem da liberdade: "E é isso que eu passo a fazer", num ato que deixou o escritor muito emocionado.