Motim numa prisão central dos Camarões fez 45 feridos

 Quarenta e cinco pessoas, das quais 43 presos, ficaram feridas num motim na prisão principal de Buea, no sudeste dos Camarões, umas das duas regiões anglófonas onde Forças Armadas e separatistas estão em confronto há três anos, anunciou hoje...

Motim numa prisão central dos Camarões fez 45 feridos
 Quarenta e cinco pessoas, das quais 43 presos, ficaram feridas num motim na prisão principal de Buea, no sudeste dos Camarões, umas das duas regiões anglófonas onde Forças Armadas e separatistas estão em confronto há três anos, anunciou hoje o governo. "A análise geral do motim dá conta que dois elementos das forças de segurança foram feridos e 43 presos também ficaram feridos", indicou num comunicado René Emmanuel Sadi, ministro da Comunicação e porta-voz do governo. "Cerca de 20 foram de imediato levados para a enfermaria" da prisão e um foi transferido para um hospital da cidade, disse o ministro, sem precisar em que condições estavam as pessoas feridas. De acordo com o mesmo responsável, não há registo de mortos. "Vinte pessoas identificadas como mentores do motim foram colocadas já à disposição dos serviços da polícia judiciária da região sudeste para inquérito". Os mentores da revolta são essencialmente pessoas que foram presas ou estão em prisão preventiva, no contexto da crise anglófona, adiantou. Na terça-feira, eles barricaram a entrada principal da prisão, saquearam instalações e incendiaram a biblioteca, um escritório e um armazém de víveres. Os autores da revolta reivindicavam a melhoria das suas condições de detenção e o seu julgamento, segundo outras fontes concordantes. Na noite de segunda para terça-feira, já tinha havido um outro motim na prisão central de Yaoundé com saques e incêndio a certos serviços. Vários detidos, entre os quais duas personalidades, foram feridas. O governo já tinha anunciado na terça-feira a interpelação de 177 pessoas detidas na prisão de Yaoundé, entre os quais Mamadou Mota, primeiro vice-presidente do Movimento para o Renascimento dos Camarões (MRC), um dos principais partidos da oposição nos Camarões. Segundo os advogados dos militantes do MRC presos desde o fim de janeiro em Yaoundé, vários dos seus clientes "foram brutalmente arrastados por razão desconhecida" na sequência do motim. Conhecida pelo nome de Kondengui, a prisão central de Yaoundé está superlotada. Com capacidade prevista para 1.500 pessoas, acolhe neste momento 5.000, segundo estimativas. Numerosos militantes da causa anglófona foram detidos na sequência da crise de 2016 e estão presos. Alguns deles foram condenados a duras penas de prisão, outros ainda aguardam julgamento. As regiões anglófonas do nordeste e sudoeste estão em confrontos na sequência de uma violenta crise sócio política, desde há três anos, que acabou em conflito armado, com Forças Armadas do país e separatistas em conflito.