Motoristas: Quase 500 postos sem combustíveis mas situação está normal

Quase 500 postos estão hoje sem combustíveis, no primeiro dia de greve dos motoristas de matérias perigosas, mas a situação está a decorrer com normalidade, registando-se, no entanto, acusações entre a associação de empresas e sindicato. Logo...

Motoristas: Quase 500 postos sem combustíveis mas situação está normal
Quase 500 postos estão hoje sem combustíveis, no primeiro dia de greve dos motoristas de matérias perigosas, mas a situação está a decorrer com normalidade, registando-se, no entanto, acusações entre a associação de empresas e sindicato. Logo pelas 07:00, o porta-voz dos motoristas, Pardal Henriques, acusou a associação de transportadores de mercadorias ANTRAM de ter subornado os primeiros motoristas que saíram de Aveiras de Cima para iniciarem funções no primeiro dia de greve. “Os primeiros que saíram foram pessoas subornadas”, disse Pardal Henriques em Aveiras de Cima, onde está reunido um piquete de greve, na sede da CLC - Companhia Logística de Combustíveis. Os primeiros cinco camiões-cisterna com matérias perigosas saíram de Aveiras cerca das 06:30, escoltados por militares da GNR, para abastecer o aeroporto. Segundo Pardal Henriques, estes motoristas “receberam dinheiro” da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias “para quebrar os serviços mínimos”. O sindicalista reiterou não ter tido acesso às escalas de motoristas que irão cumprir os serviços mínimos, referindo, no entanto, que vários motoristas acusam colegas de terem saído subornados para não fazerem greve. As acusações foram rejeitadas pelo porta-voz da ANTRAM que garantiu, por seu lado, que o sindicato nacional dos motoristas “mente descaradamente”, defendendo que Pardal Henriques tem de ser afastado das negociações. “Este sindicado [Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas] não respeita ninguém, não respeita o povo português e mente descaradamente quando acusa, sem qualquer respeito ou prova, empresas de suborno”, afirmou André Matias de Almeida. Pardal Henriques adiantou, entretanto, que os motoristas iam deixar de cumprir os serviços mínimos, alegando que o Governo e as empresas de não estão a respeitar o direito à greve. “Os trabalhadores estão a ser subornados. Há polícia e Exército a escoltar os camiões. Não foi o sindicato que quebrou os serviços mínimos, mas sim as empresas e o Governo que violaram o direito à greve", disse. Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de esta medida provocar a requisição civil, o vice-presidente do sindicato disse que na prática isso já está a ocorrer. Uma posição a que o primeiro-ministro reagiu pouco depois, dizendo, à saída de um ‘briefing’ da Proteção Civil, que não irá decretar, para já, uma requisição civil, já que os serviços mínimos estão a ser cumpridos. “Os serviços mínimos estão a ser assegurados, está tudo dentro da normalidade", afirmou. Pardal Henriques clarificou mais tarde que os serviços mínimos vão continuar a ser cumpridos. “O que eu disse (…)é que as pessoas que estão escaladas são escoltadas para fazer os serviços mínimos", esclareceu, notando que não pode exigir às pessoas que não os cumpram quando estão a ser obrigadas a trabalhar. O advogado adiantou que vai apresentar provas das pressões que estão a ser exercidas sobre os trabalhadores e pediu medidas ao Governo. Também a Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da Petrogal se pronunciou sobre os serviços mínimos, considerando que o despacho do Governo põe “em causa o direito constitucional à greve”. “Não é a primeira vez que tal acontece, o Governo adotou a mesma postura para com os trabalhadores da Petrogal no longo processo de luta que estes trilharam recentemente”, lê-se numa nota enviada hoje às redações. Na opinião da CCT da Petrogal, o Governo atuou como “ponta de lança das entidades patronais”, acusando-o de proteger os “interesses privados dos patrões”. A greve dos motoristas de matérias perigosas e de mercadorias começou hoje, mas não tem dia para terminar. O Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas assegurou que a greve se vai prolongar até que a ANTRAM apresente uma "proposta razoável” e reiterou que só serão cumpridas oito horas de trabalho diário. “Os portugueses vão aguardar até que a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias apresente uma proposta que seja razoável para que se possa desconvocar a greve. Até lá estaremos um dia, uma semana, um mês, o tempo que for necessário”, garantiu o porta-voz do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas. Em 15 de julho, o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) e o SNMMP entregaram um pré-aviso de greve e no sábado, após a realização de um plenário conjunto, decidiram manter a paralisação, na sequência de negociações infrutíferas nas últimas semanas com a ANTRAM sobre progressões salariais.