NATO: Governo espanhol de coligação dividido entre duas cimeiras

O Governo espanhol divide-se nos próximos dias como anfitrião de duas cimeiras, a da NATO, acolhida orgulhosamente pelos socialistas do primeiro-ministro Pedro Sánchez, e outra contra a Aliança Atlântica, apoiada pela extrema-esquerda que integra a coligação governamental.   O Partido Socialista Espanhol (PSOE) governa Espanha coligado com a plataforma Unidas Podemos, que integra partidos à sua esquerda como o Podemos e a Esquerda Unida, de que faz parte o Partido Comunista Espanhol. Há cinco ministros da Unidas Podemos no Governo, além de diversos secretários de Estado, sendo todos os partidos desta plataforma assumidamente contra a NATO (a Aliança Atlântica, de cooperação e defesa entre países da Europa e da América do Norte). E é isso que, com altos dirigentes e outros de segunda linha, os partidos da Unidas Podemos vão lembrar publicamente nos próximos dias, participando numa “contra cimeira” da NATO, em Madrid, que arranca esta sexta-feira e culmina com uma manifestação nas ruas da capital espanhola, no domingo. A Esquerda Unida (IU, na sigla em espanhol de Izquierda Unida) já anunciou que enviará à manifestação a sua porta-voz, Sira Rego, e o secretário-geral do Partido Comunista Espanhol, Enrique Santiago, que é também secretário de Estado para a Agenda 2030, ou seja, membro do Governo. O ministro do Consumo e coordenador federal da IU, Alberto Garzón, disse aos jornalistas que ainda não sabe se irá à manifestação. A IU está mesmo na organização do programa da contra cimeira, com um programa de conferências na sexta-feira e no sábado. A formação de mais peso da Unidas Podemos dentro do Governo é o Podemos, que tem duas ministras, Iona Belarra e Irene Montero. O Podemos vai fazer-se representar na manifestação contra a NATO, mas sem dirigentes de primeira linha, atendendo à sua posição dentro do executivo, disseram fontes do partido citadas por meios de comunicação social espanhóis, como a agência de notícias EFE. No entanto, a secretária-geral do Podemos e ministra dos Direitos Sociais, Ione Belarra, reafirmou a posição do partido contra a Aliança Atlântica esta semana, na quarta-feira, numa intervenção numa conferência de uma plataforma europeia de movimentos "pela paz", nascida após a invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro deste ano. "Com balas não se come, com as bombas não se cura e com os tanques não se apagam incêndios. A segurança passa por aumentar as políticas sociais", disse Ione Belarra, que de novo criticou o aumento dos orçamentos europeus destinados à defesa, incluindo o de Espanha, como o primeiro-ministro já disse que pretendia fazer. A dirigente do Podemos sublinhou que quatro meses depois da "invasão criminosa de Putin", as Nações Unidas já reconheceram que não haverá um vencedor, mas "continua a alimentar-se a escalada bélica", com o risco de se internacionalizar. Belarra defendeu que o papel da comunidade internacional deve ser, antes, fomentar as negociações para um cessar-fogo na Ucrânia e alertou que nos próximos dias vão repetir-se as mensagens de que "a paz é uma quimera", numa referência à cimeira da NATO. A menos de uma semana da cimeira, os socialistas, que lideram o Governo espanhol, não acusam, aparentemente, embaraço com o posicionamento dos seus sócios no executivo. Pelo contrário, membros socialistas do Governo têm manifestado reiteradamente o orgulho que é para Espanha acolher esta cimeira, que anteveem já que vai ser “um êxito” com benefícios para a imagem exterior do país e "histórica", porque será aprovado um novo conceito estratégico da Aliança para a próxima década e porque se realiza num momento de novos desafios e ameaças, atendendo à guerra na Ucrânia. Sobre as Unidas Podemos, um porta-voz do PSOE, Héctor Gómez, disse esta quinta-feira que o partido não está nada preocupado com as declarações e iniciativas contra a NATO e sublinhou que a parte socialista do Governo é "firme defensora do encontro" da Aliança em Madrid. A cimeira da NATO vai decorrer na capital espanhola nos dias 29 e 30 de junho.

NATO: Governo espanhol de coligação dividido entre duas cimeiras
O Governo espanhol divide-se nos próximos dias como anfitrião de duas cimeiras, a da NATO, acolhida orgulhosamente pelos socialistas do primeiro-ministro Pedro Sánchez, e outra contra a Aliança Atlântica, apoiada pela extrema-esquerda que integra a coligação governamental.   O Partido Socialista Espanhol (PSOE) governa Espanha coligado com a plataforma Unidas Podemos, que integra partidos à sua esquerda como o Podemos e a Esquerda Unida, de que faz parte o Partido Comunista Espanhol. Há cinco ministros da Unidas Podemos no Governo, além de diversos secretários de Estado, sendo todos os partidos desta plataforma assumidamente contra a NATO (a Aliança Atlântica, de cooperação e defesa entre países da Europa e da América do Norte). E é isso que, com altos dirigentes e outros de segunda linha, os partidos da Unidas Podemos vão lembrar publicamente nos próximos dias, participando numa “contra cimeira” da NATO, em Madrid, que arranca esta sexta-feira e culmina com uma manifestação nas ruas da capital espanhola, no domingo. A Esquerda Unida (IU, na sigla em espanhol de Izquierda Unida) já anunciou que enviará à manifestação a sua porta-voz, Sira Rego, e o secretário-geral do Partido Comunista Espanhol, Enrique Santiago, que é também secretário de Estado para a Agenda 2030, ou seja, membro do Governo. O ministro do Consumo e coordenador federal da IU, Alberto Garzón, disse aos jornalistas que ainda não sabe se irá à manifestação. A IU está mesmo na organização do programa da contra cimeira, com um programa de conferências na sexta-feira e no sábado. A formação de mais peso da Unidas Podemos dentro do Governo é o Podemos, que tem duas ministras, Iona Belarra e Irene Montero. O Podemos vai fazer-se representar na manifestação contra a NATO, mas sem dirigentes de primeira linha, atendendo à sua posição dentro do executivo, disseram fontes do partido citadas por meios de comunicação social espanhóis, como a agência de notícias EFE. No entanto, a secretária-geral do Podemos e ministra dos Direitos Sociais, Ione Belarra, reafirmou a posição do partido contra a Aliança Atlântica esta semana, na quarta-feira, numa intervenção numa conferência de uma plataforma europeia de movimentos "pela paz", nascida após a invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro deste ano. "Com balas não se come, com as bombas não se cura e com os tanques não se apagam incêndios. A segurança passa por aumentar as políticas sociais", disse Ione Belarra, que de novo criticou o aumento dos orçamentos europeus destinados à defesa, incluindo o de Espanha, como o primeiro-ministro já disse que pretendia fazer. A dirigente do Podemos sublinhou que quatro meses depois da "invasão criminosa de Putin", as Nações Unidas já reconheceram que não haverá um vencedor, mas "continua a alimentar-se a escalada bélica", com o risco de se internacionalizar. Belarra defendeu que o papel da comunidade internacional deve ser, antes, fomentar as negociações para um cessar-fogo na Ucrânia e alertou que nos próximos dias vão repetir-se as mensagens de que "a paz é uma quimera", numa referência à cimeira da NATO. A menos de uma semana da cimeira, os socialistas, que lideram o Governo espanhol, não acusam, aparentemente, embaraço com o posicionamento dos seus sócios no executivo. Pelo contrário, membros socialistas do Governo têm manifestado reiteradamente o orgulho que é para Espanha acolher esta cimeira, que anteveem já que vai ser “um êxito” com benefícios para a imagem exterior do país e "histórica", porque será aprovado um novo conceito estratégico da Aliança para a próxima década e porque se realiza num momento de novos desafios e ameaças, atendendo à guerra na Ucrânia. Sobre as Unidas Podemos, um porta-voz do PSOE, Héctor Gómez, disse esta quinta-feira que o partido não está nada preocupado com as declarações e iniciativas contra a NATO e sublinhou que a parte socialista do Governo é "firme defensora do encontro" da Aliança em Madrid. A cimeira da NATO vai decorrer na capital espanhola nos dias 29 e 30 de junho.