Nível socioeconómico não protege adolescentes de hábitos alimentares menos saudáveis

Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluíram que o contexto socioeconómico e a educação dos pais “não protegem os filhos de hábitos alimentares menos saudáveis” durante a adolescência, revelou hoje a responsável. Em declarações à agência Lusa, Sofia Vilela, investigadora do ISPUP, afirmou hoje que o estudo, publicado na revista científica British Journal of Nutrition, tinha como propósito “avaliar se havia alguma influência do nível socioeconómico no consumo alimentar das crianças e dos adolescentes”. “Queremos perceber se o contexto influenciava na ingestão diária de alimentos considerados mais saudáveis, como a carne magra, hortofrutícolas, peixe e ovos, ou, por outro lado, alimentos menos saudáveis e de elevada densidade energética, como bebidas açucaradas e ‘snacks’ salgados”, referiu. Para isso, os investigadores avaliaram os hábitos alimentares, peso e altura de 521 crianças e 632 adolescentes que participaram no Inquérito Alimentar Nacional de Atividade Física (IAN-AF), entre 2015 e 2016. Paralelamente, caracterizaram o estatuto socioeconómico dos participantes com base no nível de escolaridade dos pais, condição de trabalho, número de elementos do agregado familiar e a zona geográfica onde vivem. À Lusa, Sofia Vilela disse que, apesar de as crianças e dos adolescentes que pertencem a um contexto socioeconómico mais elevado e têm pais mais escolarizados seguirem um padrão alimentar mais saudável, os adolescentes consomem “grandes quantidades de ‘snacks’ salgados”. “Como era expectável, um maior nível socioeconómico influenciou o maior consumo de hortofrutícolas, carne branca, peixe e ovos, mas quando vamos ver outros tipos de alimentos, nos adolescentes em particular, vemos que o nível socioeconómico também influenciou um maior consumo de ‘snack’ salgados”, adiantou. Acrescentou que “o nível socioeconómico não é o único a garantir melhores hábitos alimentares, porque quando chegam à adolescência, têm outro tipo de influências e também é preciso pensar sobre elas, nomeadamente a influência pelos pares, disponibilidade alimentar fora de casa e publicidade”. Nesse sentido, Sofia Vilela defendeu que futuras intervenções de saúde pública direcionadas aos adolescentes devem ter em conta estas especificidades. O estudo, intitulado ‘The role of socioeconomic factors in food consumption of Portuguese children and adolescents: results from the National Food, Nutrition and Physical Activity Survey 2015-201’, foi desenvolvido no âmbito da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP.

Nível socioeconómico não protege adolescentes de hábitos alimentares menos saudáveis
Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluíram que o contexto socioeconómico e a educação dos pais “não protegem os filhos de hábitos alimentares menos saudáveis” durante a adolescência, revelou hoje a responsável. Em declarações à agência Lusa, Sofia Vilela, investigadora do ISPUP, afirmou hoje que o estudo, publicado na revista científica British Journal of Nutrition, tinha como propósito “avaliar se havia alguma influência do nível socioeconómico no consumo alimentar das crianças e dos adolescentes”. “Queremos perceber se o contexto influenciava na ingestão diária de alimentos considerados mais saudáveis, como a carne magra, hortofrutícolas, peixe e ovos, ou, por outro lado, alimentos menos saudáveis e de elevada densidade energética, como bebidas açucaradas e ‘snacks’ salgados”, referiu. Para isso, os investigadores avaliaram os hábitos alimentares, peso e altura de 521 crianças e 632 adolescentes que participaram no Inquérito Alimentar Nacional de Atividade Física (IAN-AF), entre 2015 e 2016. Paralelamente, caracterizaram o estatuto socioeconómico dos participantes com base no nível de escolaridade dos pais, condição de trabalho, número de elementos do agregado familiar e a zona geográfica onde vivem. À Lusa, Sofia Vilela disse que, apesar de as crianças e dos adolescentes que pertencem a um contexto socioeconómico mais elevado e têm pais mais escolarizados seguirem um padrão alimentar mais saudável, os adolescentes consomem “grandes quantidades de ‘snacks’ salgados”. “Como era expectável, um maior nível socioeconómico influenciou o maior consumo de hortofrutícolas, carne branca, peixe e ovos, mas quando vamos ver outros tipos de alimentos, nos adolescentes em particular, vemos que o nível socioeconómico também influenciou um maior consumo de ‘snack’ salgados”, adiantou. Acrescentou que “o nível socioeconómico não é o único a garantir melhores hábitos alimentares, porque quando chegam à adolescência, têm outro tipo de influências e também é preciso pensar sobre elas, nomeadamente a influência pelos pares, disponibilidade alimentar fora de casa e publicidade”. Nesse sentido, Sofia Vilela defendeu que futuras intervenções de saúde pública direcionadas aos adolescentes devem ter em conta estas especificidades. O estudo, intitulado ‘The role of socioeconomic factors in food consumption of Portuguese children and adolescents: results from the National Food, Nutrition and Physical Activity Survey 2015-201’, foi desenvolvido no âmbito da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP.