PCP pede memorial aos ‘antifascistas’ e Centro Documental sobre “repressão fascista” na Madeira

O Partido Comunista Português informou em comunicado que vai propor na Assembleia Legislativa da Madeira que seja criado um memorial aos resistentes antifascistas na Madeira e a abertura de um Centro Documental, no Funchal, sobre a “repressão...

PCP pede memorial aos ‘antifascistas’ e Centro Documental sobre “repressão fascista” na Madeira
O Partido Comunista Português informou em comunicado que vai propor na Assembleia Legislativa da Madeira que seja criado um memorial aos resistentes antifascistas na Madeira e a abertura de um Centro Documental, no Funchal, sobre a “repressão fascista” na Região. “Um dos mais claros sinais do pouco interesse que tem merecido na Região Autónoma da Madeira a luta anti-fascista traduz-se no silêncio quanto ao destino dos arquivos da PIDE/DGS no Funchal. Ou seja, que é feito da documentação sobre as atividades da repressão policial nestas ilhas durante o fascismo?”, começa por questionar o Partido Comunista Português em comunicado. A mesma fonte recorda declarações públicas do Brigadeiro Carlos Azeredo (o então General Carlos Azeredo que presidiu à Junta Geral da Madeira e, antes, tinha sido Governador Civil, entre 1974 e 1975) que informavam que os arquivos tinham sido destruídos pelo fogo. “Mas, talvez não seja inteiramente correta esta opinião”, acrescenta o PCP. Prossegue o partido, dando conta que uma pasta pertencente a esses arquivos, “embora se trate apenas de documentos burocráticos”, no Arquivo Regional da Madeira, acrescentando ser provável que no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras “também existam componentes desses arquivos”. “As dimensões totais dos mesmos que se referiam a variadas atividades desenvolvidas pela polícia política do fascismo tornam pouco provável que tivesse existido uma total destruição unicamente originada por uma decisão individual”, continua o PCP. “De qualquer forma, o facto do desaparecimento de uma parte da história da Região nunca ter sido questionado é bem demonstrativo do escasso ou quase nulo interesse pela resistência e consequente repressão que se verificou na Madeira e Açores antes do 25 de Abril”, salienta. Recorda ainda o partido já ter documentado “a vaga de prisões verificada na Madeira nos anos 40 do século passado, que foi verdadeiramente inédita pelo número de presos que atingiu e pelo facto de duas das vítimas terem vindo a ser assassinadas pelo fascismo”. Posto isto, na mesma nota de imprensa é informado que a Representação Parlamentar do PCP, sob o título ‘Construir a Memória’, vai promover uma semana de iniciativas entre os dias 25 e 29 deste mês, sendo que a primeira está agendada para as 19 horas de 25 de novembro - dia em que a tradição académica coimbrã consagrou como jornada de luta denominada ‘Tomada da Bastilha’ – tratando-se de uma “sessão comemorativa do cinquentenário da grandiosa luta dos estudantes de Coimbra”. “Seguidamente, realizaremos uma conferência/debate sobre a Revolta do Leite onde serão, pela primeira vez, focados alguns chocantes aspetos quanto ao nível de repressão que foi então exercida sobre a população da Madeira, não se podendo passar em claro o facto de terem permanecido em segredo até à data”, acrescenta. Mais informa que estas “iniciativas demonstram como ainda há muito a fazer quanto ao conhecimento das práticas e características da ditadura a que o povo da Madeira também esteve sujeito e, com isso, desmascarar as tendências neo-fascistas e de extrema direita que ultimamente têm ganho alguma expressão junto da opinião pública”. Por último, o PCP refere que irá “propor na Assembleia Legislativa da Madeira que seja criado um memorial aos resistentes antifascistas na Madeira e a abertura de um Centro Documental, no Funchal, sobre a repressão fascista nesta Região”.