Pegada ecológica energética da Madeira "envergonha governantes"

O CDS-PP/Madeira disse hoje que a pegada ecológica energética da região é de 302 milhões de litros de produtos petrolíferos por ano, custando 134 milhões de euros, um valor superior ao da amortização da dívida regional. "A Madeira tem uma pegada...

Pegada ecológica energética da Madeira "envergonha governantes"
O CDS-PP/Madeira disse hoje que a pegada ecológica energética da região é de 302 milhões de litros de produtos petrolíferos por ano, custando 134 milhões de euros, um valor superior ao da amortização da dívida regional. "A Madeira tem uma pegada ecológica energética que envergonha os seus governantes", disse Mário Pereira, deputado do CDS-PP na Assembleia Legislativa da Madeira, no debate potestativo requerido pelo seu partido sobre o "impacto das alterações climáticas na região, a sustentabilidade do seu ecossistema, a biodiversidade, a ecologia, o ambiente, a paisagem e o mar". "Ao todo, em cada ano, na Madeira, e segundo dados da Alfândega do Funchal, gastamos 302 milhões de litros de produtos petrolíferos e tal custa aos madeirenses, todos aos anos, 134 milhões de euros, mais oito milhões do que gastamos em amortização da nossa dívida", indicou. Mário Pereira considerou que, ao contrário dos seus antecessores, o XII Governo Regional percebeu a necessidade das boas práticas ambientais, mas "as suas ações ficaram aquém das expectativas". O presidente do CDS-PP/Madeira, Rui Barreto, referiu, por seu lado, que "não vale a pena colorir partidariamente a luta e o combate às alterações climáticas", realçando que "este é um tema que diz respeito a toda a gente". "É um tema criado pelos homens que terá de ser resolvido pelos homens", declarou, no último debate potestativo desta legislatura. No requerimento que justifica o debate de hoje, o CDS-PP questiona como é que os madeirenses têm refletido sobre as alterações climáticas e quais as medidas que estão a ser seguidas para garantir a sustentabilidade dos ecossistemas regionais no âmbito de uma "nova ordem e consciência ambiental". Roberto Almada e Ricardo Lume, deputados do BE e do PCP, respetivamente, criticaram a morosidade da conclusão e implementação dos planos de ordenamento da orla costeira, a existência de centrais de tratamento de inertes junto a ribeiras e os perigos da privatização da orla costeira. O deputado do JPP Rafael Nunes criticou a opção do Governo Regional pelas obras públicas em vez de investir na sustentabilidade ambiental e na mitigação das consequências das alterações climáticas. O deputado não inscrito (ex-PND) Gil Canha criticou a "industrialização" do mar através dos projetos de aquicultura e a deputada do PTP Raquel Coelho questionou os resultados da monitorização da subida das águas do mar e as suas implicações nas zonas costeiras. Vítor Freitas, do PS, considerou que a pegada carbónica na Madeira "tem de diminuir", questionando por que razão o Governo Regional, do PSD, não aposta na energia fotovoltaica e na exploração da biomassa. Realçando o trabalho feito pelo Governo Regional no âmbito do ambiente, o deputado do PSD Sérgio Marques sublinhou, contudo, que a região tem de continuar "a fazer tudo para mitigar os riscos naturais das aluviões e dos incêndios florestais". O Governo Regional da Madeira esteve representado no debate através da secretária regional do Ambiente e Recursos Naturais, Susana Prada.